Paula Cardoso ao lado de Anderson Leonardo, ex-vocalista do Molejo; mãe da filha caçula do cantor cobra transparência sobre repasses financeiros após a morte do artistaArquivo pessoal

Em entrevista exclusiva à Coluna Andrei Lara, Paula Cardoso, mãe de Alice, filha caçula de Anderson Leonardo, ex-vocalista do grupo Molejo, decidiu romper o silêncio e cobrar publicamente mais transparência sobre a prestação de contas envolvendo o grupo após a morte do cantor. Ela afirmou que não tem acesso à agenda de shows, contratos, comprovantes de despesas e informações detalhadas sobre os valores destinados aos herdeiros.
Anderson morreu em abril de 2024, aos 51 anos. Segundo Paula, pouco tempo depois da morte do cantor, houve uma conversa entre os envolvidos e ficou acordado que tudo seguiria normalmente. Ela afirma, no entanto, que a situação se tornou insustentável por falta de clareza.
Antes da entrevista, Paula chegou a publicar um desabafo nos stories do Instagram, mas apagou a publicação pouco depois. O assunto chegou à Coluna Andrei Lara após ser destacado pelo jornalista Beto Cascardo, que acompanhava a situação envolvendo a família de Anderson. A partir daí, a Coluna Andrei Lara passou a apurar o caso até conseguir, com exclusividade, o relato de Paula Cardoso.
De acordo com Paula, Anderson deixou quatro herdeiros, e a filha Alessa é quem faz a ponte com a assessoria responsável pelas prestações de contas. Paula diz que não tem contato direto com o grupo nem sabe quem, dentro da equipe, repassa essas informações.
Paula faz questão de dizer que sua cobrança não é contra os outros herdeiros, mas contra a forma como o grupo estaria conduzindo a prestação de contas.
“A minha briga é com o grupo. Não tem nada a ver com os herdeiros. Cada um faz uma função”, disse.
Na entrevista, ela afirmou que não está cobrando um valor específico, mas documentos que mostrem a real situação financeira dos shows e das despesas do grupo.
“Eu não estou cobrando, eu só quero transparência. Se o show foi cinco, dez, trinta mil, o que foi gasto? Cadê o comprovante do que foi gasto? Cadê o contrato? Cadê quanto foi o aluguel da van? Cadê quanto sobrou?”, questionou.
Segundo Paula, a prestação de contas apresentada até agora não seria suficiente.
“Não é botar numa planilha de Excel mal feita, uns valores e achar que eu tenho que aceitar isso. Para mim chegou no limite”, declarou.
A Coluna Andrei Lara teve acesso a documentos enviados por Paula Cardoso que mostram e-mails de cobrança sobre shows realizados pelo grupo e uma prestação de contas encaminhada pela assessoria referente a uma apresentação anterior. Os materiais reforçam o relato de Paula de que havia pedidos formais por informações sobre apresentações e repasses.
Paula também afirmou que, no mês de junho, não teria recebido contato nem explicação sobre repasses. Segundo ela, a última prestação de contas enviada teria sido referente a maio, no valor total de R$ 4.830, dividido entre os quatro herdeiros. Ainda segundo Paula, isso representou R$ 1.207,50 para cada um.
Para Paula, esse modelo não reconhece o peso de Anderson na história do Molejo. Ela afirma que a filha recebe como se o cantor fosse apenas mais um integrante, e não o principal vocalista e um dos nomes centrais do grupo.
Um dos principais pontos da reclamação é a falta de acesso à agenda de shows do Molejo. Paula afirma que, para saber se o grupo está se apresentando, precisa buscar informações na internet ou perguntar a terceiros.
“Como é que eu não tenho acesso à agenda de show do Molejo? Para a gente saber se o Molejo está fazendo show, eu tenho que ficar pedindo às pessoas”, disse.
Paula reforça que Alice tem apenas seis anos e que, por ser filha e herdeira de Anderson, deveria haver mais cuidado com a prestação de contas.
“Eu não estou pedindo esmola. Eu não estou falando que minha filha está passando necessidade. Mas é um direito dela. Eu quero o certo. E se o certo for minha filha receber um real ou não receber nada, que seja certo, mas que seja transparente, comprovando”, declarou.
Ela também questionou pagamentos que, segundo seu relato, seriam feitos a outras pessoas ligadas à estrutura do grupo. Sem citar nomes, Paula diz querer esclarecimentos sobre a diferença entre os valores destinados à filha e os valores pagos a outras pessoas.
“Por que minha filha ganha X e fulana que não faz nada, que está numa folha de pagamento que eu não sei nem se é registrada, ganha duas vezes mais do que ela?”, questionou.
Paula contou ainda que publicou o desabafo por impulso, mas apagou logo depois. Segundo ela, a decisão veio após perceber que não estava emocionalmente preparada naquele momento. Depois, no entanto, teve uma crise de choro e decidiu seguir adiante.
Ela afirma que já tentou resolver a situação de outras formas, mas que não viu avanço.
“Foram dois anos de tentativas falidas. Para mim, hoje, está insustentável”, disse.
Apesar disso, Paula diz ter recebido apoio de amigos de Anderson após o desabafo e afirma possuir prints e provas das tentativas de cobrança por transparência. Para ela, o objetivo agora é conseguir esclarecimentos.
“Eu quero esclarecimento. Tudo o que diz respeito ao Molejo, eu quero esclarecimento”, afirmou.
Paula encerrou dizendo que não quer expor a filha, mas que pretende lutar pelos direitos da menina.
“Eu, Paula, não posso ver a minha filha mendigando um direito que é dela. Eu vou lutar pelos direitos da minha filha. Estou cansada”, declarou.
Em resposta à Coluna Andrei Lara, o grupo Molejo afirmou ter recebido “com surpresa” as declarações de Paula Cardoso e negou falta de transparência. Segundo a representante do grupo, desde a morte de Anderson Leonardo, os valores correspondentes à sexta parte são repassados ao inventariante, conforme acordo com os herdeiros.
Ainda de acordo com o grupo, não houve show em junho e, em julho, estão previstos dois shows. A representante afirmou que, após a realização das apresentações e o recebimento dos cachês, os valores são enviados aos herdeiros com prestação de contas e comprovantes de pagamento, inclusive com Paula copiada.
O grupo disse ainda que está “à total disposição para esclarecer e comprovar” o que vem sendo praticado, em juízo ou fora dele, e ressaltou que parte do inventário corre em segredo de Justiça por envolver uma menor de idade.