Publicado 09/08/2026 05:00
Rio - Após 15 anos fora do ar, o "Vitrine" está de volta à programação da TV Cultura com uma proposta renovada e conectada às transformações da comunicação na era digital. Sob o comando de Laíze Câmara, a nova temporada vai ao ar aos sábados, às 22h, com reapresentações aos domingos, às 19h, e nas madrugadas de terça-feira, à 0h.
Publicidade"O 'Vitrine' é um programa que faz parte da história da televisão brasileira e sempre foi um espaço de experimentação e inovação. Minha primeira reação foi pensar na trajetória que ele construiu e em como poderíamos honrar esse legado sem deixar de olhar para o presente. Foi um voto de confiança muito especial da TV Cultura, e me sinto privilegiada por fazer parte desse novo capítulo", afirma.
Segundo a apresentadora, a identidade da atração segue a mesma apesar do hiato. "A essência sempre foi falar sobre comunicação e acompanhar as transformações da linguagem audiovisual. Isso continua atual. O que mudou foi o cenário: hoje convivemos com inteligência artificial, redes sociais, influenciadores, streaming, múltiplas telas e um volume de informação muito maior".
A ligação de Laíze com o "Vitrine" começou muito antes da apresentação. Enquanto trabalhava no acervo da TV Cultura, ela conheceu a trajetória da produção. "Isso me permitiu revisitar décadas de televisão brasileira e entender como os programas dialogavam com o contexto de cada época. Acho que isso criou uma relação de muito respeito pelo programa e pela importância que ele teve na história da emissora", diz.
Na nova temporada, o desafio é simplificar temas cotidianos que nem sempre são fáceis de compreender. "Acredito que comunicação não é simplificar um assunto, mas encontrar a melhor forma de explicá-lo. A gente parte para discutir temas maiores, como inteligência artificial, fake news, excesso de informação ou novas tecnologias. A ideia é despertar curiosidade e reflexão, sem transformar esses assuntos em algo distante ou inacessível".
Entre os episódios da temporada, um dos assuntos provocou reflexões também fora do estúdio. "Acho que a discussão sobre atenção foi uma das que mais me marcou. Hoje disputamos nossa atenção o tempo inteiro, entre notificações, redes sociais, vídeos curtos e diferentes telas. Percebi que falar sobre comunicação hoje também é falar sobre comportamento, tempo e a forma como consumimos informação", conta.
Outros Projetos
Além do "Vitrine", Laíze Câmara dirigiu e roteirizou o documentário que celebra os 30 anos da Palavra Cantada. A experiência trouxe a oportunidade de conhecer o impacto do projeto voltado ao público infantil da dupla Sandra Peres e Paulo Tatit.
"Encontrei histórias de pessoas que cresceram ouvindo aquelas músicas e que hoje as cantam para os próprios filhos. O documentário acabou se tornando muito mais do que um registro de uma carreira artística; ele fala sobre memória afetiva, educação e sobre como a arte pode atravessar gerações. Foi muito especial para mim, tanto pelo desafio criativo quanto pela oportunidade de mergulhar nessa trajetória", destaca.
A atriz também voltou às novelas em "Guerreiros do Sol" (2025), do Globoplay. Ela interpretou Francisca, uma prostituta astuta do sertão baiano das décadas de 1920 e 1930. "Foi um trabalho muito importante na minha trajetória. Exigiu uma preparação cuidadosa, tanto pela pesquisa histórica quanto pela construção da personagem. Ao mesmo tempo, foi muito especial voltar a atuar em um projeto dessa dimensão".
Laíze, por fim, destaca o reencontro com o diretor Rogério Gomes, o Papinha. "Foi com quem eu fiz minha primeira novela na Globo ['A Força do Querer']. Hoje continuo desenvolvendo projetos como diretora, roteirista e apresentadora, mas a atuação segue sendo uma linguagem que faz parte da minha formação e que contribui para o meu olhar sobre as histórias que conto", explica.
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