Cissa Guimarães revela o que aprendeu em dois anos e meio no ’Sem Censura’Fernando Frazão / Agência Brasil
Publicado 31/08/2026 05:00
Rio - Cissa Guimarães chegou à marca de 600 edições à frente do "Sem Censura" com uma sensação que, no início da trajetória, parecia distante: a de estar cada vez mais à vontade diante da bancada. Há dois anos e meio no comando da atração da TV Brasil, a apresentadora diz que ganhou segurança para conduzir a roda de conversa e, principalmente, aprendeu a ouvir. 
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O programa, que está no ar há 41 anos, desde os tempos da TV Educativa do Rio de Janeiro, alcançou o número de 600 edições sob sua apresentação no fim deste mês. "Eu percebo uma segurança maior e uma alegria maior de fazer. Já tenho uma 'intimidade' com o programa. As estrelas do programa são os convidados, mas tenho que 'maestrar' essa troca", conta Cissa.
Segundo ela, o início foi marcado pelo desafio de administrar o tempo e equilibrar a participação dos convidados em uma atração ao vivo. "Hoje em dia eu me sinto muito mais à vontade. Tenho prazer de estar ali escutando o que a pessoa está falando. Aprendo muito com as pessoas."

A apresentadora também admite que não imaginava chegar tão cedo a uma marca expressiva como esta. "Nunca podia imaginar que a gente fosse chegar nesse número tão alto de 600 programas. Estou muito feliz com essa conquista da gente, com sucesso da minha equipe e de todos nós da TV Brasil."

Ao longo dessas edições, Cissa dividiu a bancada com mais de dois mil convidados, entre artistas, especialistas e personalidades de diferentes áreas. Entre os encontros que guarda com mais carinho estão os com Ney Matogrosso, Chico Chico, Nathalia Timberg, Fafá de Belém e Zeca Pagodinho. "Um que ficou muito na minha cabeça, assim, que eu sou louca por ele, sou fã, é o Ney Matogrosso. Foi lindo, um espetáculo. Ele é a pessoa mais simples, mais cordial e é esse gênio da música que a gente tem", destaca. 

A lista, porém, não se resume aos nomes conhecidos. Para ela, uma das riquezas do "Sem Censura" está justamente em apresentar ao telespectador pessoas que talvez ainda não façam parte de seu repertório. "Muitas pessoas desconhecidas do grande público trouxeram informações úteis, os especialistas. Esse vetor, viés que a gente faz de serviço, acho muito importante e conheci muita gente fantástica."

A diversidade de assuntos é uma das características que ela aponta como fundamentais para a permanência do programa. Para a apresentadora, a atração consegue atravessar diferentes momentos justamente porque não se limita ao entretenimento.

'Um programa da democracia'

Com 41 anos de história, o "Sem Censura" ocupa um espaço particular na televisão brasileira. "A comunicação pública. Ser uma emissora pública como a TV Brasil permite você ter liberdade de falar e de mostrar a sua postura. Não tem nenhum patrocinador que te impeça de fazer qualquer coisa. Você tem uma diversidade de assuntos e de informações", comenta Cissa. 

Ela também vê o programa como um espaço de aprendizado coletivo. "Ensina a todos, inclusive a nós mesmos, a equipe. O 'Sem Censura' é acima de tudo democrático."

A atração, criada por Fernando Barbosa Lima e inicialmente exibida pela TVE/RJ, estreou em 1º de julho de 1985. Ao longo das décadas, teve nomes como Lúcia Leme e Leda Nagle no comando e, desde 2024, voltou ao formato original com Cissa na bancada. O programa também acumula reconhecimentos recentes, como o Prêmio APCA de melhor programa de televisão em 2024.

Aprendeu a escutar

A experiência à frente da atração também mudou a relação de Cissa com a própria profissão. Antes de assumir o programa, ela já tinha uma longa trajetória na televisão e guarda um carinho especial pelo período em que apresentou o "Vídeo Show". A diferença entre os dois trabalhos, porém, também revelou uma mudança pessoal.

"O 'Vídeo Show' era um programa que eu amava fazer, que eu considerava um filho meu e adoro até hoje. Eu era uma jovem, bem mais nova e elétrica. Tinha esse foco mais no entretenimento. Já no 'Sem Censura' não. Eu já sou uma mulher mais velha e eu exerço muito a escuta."

Para ela, essa disposição para ouvir também interfere na maneira como as entrevistas acontecem. Embora exista um roteiro, Cissa conta que nem sempre segue as perguntas previstas quando percebe que a conversa está tomando outro caminho. "Saio daqui do programa e vou direto para casa estudar. Acho que tenho que fazer isso. Estar preparada. Estudar e escutar o que aquela pessoa está me dizendo. Às vezes nem obedeço ao roteiro, eu simplesmente converso com aquela pessoa que está ali na minha frente."

A relação com o público também se ampliou para além da televisão. Os programas podem ser acompanhados posteriormente pelos cortes publicados nas redes sociais, pelo YouTube da TV Brasil, pelo aplicativo TV Brasil Play e pelo podcast disponível no Spotify. 

"Acho incrível a gente fazer os nossos cortes na internet. Então, as pessoas podem ver o 'Sem Censura' depois. À tarde, de 16h às 18h, essa hora tem muita gente no trabalho. O programa também é repetido toda noite, às 23h30. Acho fundamental porque assim as pessoas podem ver os recortes e a partir daí, se quer ver o programa, vai procurar a íntegra."

Quem ainda falta sentar na bancada

Com a marca dos 600 programas alcançada, Cissa ainda tem uma lista de desejos para os próximos encontros. Ela faz questão de ressaltar, entretanto, que boa parte da riqueza da atração está justamente nas surpresas proporcionadas por convidados que chegam sem necessariamente serem conhecidos pela maioria das pessoas. "A minha equipe faz uma seleção muito boa, excepcional de convidados. Eu me surpreendo com pessoas que eu nunca vi na vida, que são desconhecidas do grande público e que são geniais."

Entre os nomes que a apresentadora gostaria de receber na bancada estão alguns gigantes da música brasileira: Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso. "Eu estou esperando todos eles."
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