Publicado 18/10/2026 05:00
O Dia Mundial da Menopausa, celebrado neste domingo (18), chama atenção para uma etapa da vida feminina cujos efeitos vão além das ondas de calor. Sono, composição corporal, saúde óssea e disposição podem ser afetados, exigindo cuidados que integrem treinamento, alimentação e avaliação médica. Durante a transição, reduzir a comida e aumentar o tempo na academia nem sempre é a melhor resposta às mudanças do corpo.
PublicidadeSegundo publicação do Ministério das Mulheres, com base em projeções do IBGE citadas pelo Ministério da Saúde, cerca de 37 milhões de brasileiras têm entre 40 e 65 anos, faixa etária que abrange o climatério. A mesma publicação estima que de 20% a 30% das mulheres apresentam sintomas moderados ou graves durante a transição menopausal.
A menopausa natural ocorre geralmente entre os 45 e os 55 anos e é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, sem outra causa que explique a ausência. As mudanças podem começar anos antes, durante a perimenopausa.
Para a educadora física e personal trainer Carol Macedo, perceber uma resposta diferente do corpo não significa que seja necessário aumentar o treinamento. "A primeira reação de muitas mulheres é: 'Então vou comer menos, fazer mais cardio e treinar mais'. Só que nem sempre mais é melhor".
A nutricionista Renata Branco observa que cortar carboidratos, pular refeições e reduzir progressivamente as calorias pode prejudicar o desempenho e a manutenção muscular. "É necessário garantir energia suficiente, porque uma restrição calórica excessiva pode prejudicar o desempenho, a recuperação e a preservação muscular", explica.
A redução do estrogênio favorece mudanças na distribuição da gordura, com maior tendência ao acúmulo abdominal. Ao mesmo tempo, o envelhecimento contribui para a perda de massa muscular. Por isso, a balança, isoladamente, não explica tudo o que acontece com o corpo. "Uma mulher pode perder peso e, ao mesmo tempo, perder massa muscular. Isso não representa necessariamente uma melhora da composição corporal ou da saúde metabólica", acrescenta Renata.
A experiência da menopausa também envolve a maneira como a mulher se relaciona com o próprio corpo e com as expectativas sociais sobre o envelhecimento. Aos 50+, a modelo Núbia Óliiver fala abertamente sobre os desafios das mudanças hormonais e defende que essa fase seja vivida com informação, acompanhamento profissional e liberdade para fazer escolhas.
"Eu não romantizo a menopausa, porque sei que existem desafios reais. O corpo muda, os hormônios mudam e precisamos aprender a lidar com essa nova realidade. Mas não acredito que a mulher precise simplesmente aceitar tudo sem buscar orientação e cuidar de si mesma", afirma.
Conhecida por sua personalidade marcante e por valorizar a própria imagem, Núbia questiona a ideia de que a maturidade impõe limites à sensualidade feminina. "A maturidade não tira a nossa feminilidade, não apaga o desejo e muito menos diminui o nosso poder. Continuamos sendo mulheres inteiras, com vontades, sonhos e liberdade para fazer nossas escolhas. Eu não quero voltar a ser quem eu era aos 20 ou 30 anos. Quero ser a minha melhor versão hoje".
Carol explica que a menopausa não determina uma mudança completa e automática dos exercícios. "Às vezes, aquela mulher que treinava cinco, seis vezes por semana percebe que não está mais se recuperando da mesma forma. Ou começa a sentir mais dificuldade para ganhar força, percebe mudanças no corpo, no sono, na disposição. A gente está falando de preservar e ganhar massa muscular, manter força, cuidar dos ossos, da autonomia e da qualidade de vida", orienta.
O médico João Branco destaca que ondas de calor, alterações de humor e noites mal dormidas podem repercutir na disposição e na regularidade dos exercícios. Segundo a The Menopause Society, ondas de calor e suor noturno ocorrem em até 80% das mulheres durante a menopausa e podem persistir por anos. "O diagnóstico tem que ser amplo. O corpo tem que ser avaliado de uma maneira integrada", esclarece.
A terapia hormonal pode ser considerada para tratar sintomas da menopausa, mediante análise dos benefícios, riscos e contraindicações. João Branco ressalta que a decisão depende das queixas, do impacto na qualidade de vida e do histórico de saúde da mulher. "Nunca a reposição vai substituir o treino e a alimentação adequada", avisa.
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