A instabilidade no câmbio brasileiro ao longo dos anos tem sido provocada por diversos fatores externos. Sendo seu período mais severo, segundo o economista Bruno Leonardo Barth Sobral, nos anos 90. O DIA buscou informações e montou um tipo de cronologia das crises de 1990 até a criação do Fundo Soberano.
No dia seguinte à posse, o então presidente Fernando Collor confiscou os recursos das cadernetas de poupança e afundou a economia lá nos idos de 1990. Em seguida, já em 1994/95, o Brasil sentiu o "Efeito tequila", quando o México abandonou o câmbio fixo e desvalorizou o peso. A perda de confiança e a fuga de capitais do país vizinho se alastram pela América Latina. A inflação disparou e o então presidente Fernando Henrique Cardoso criou o Plano Real, que congelou os salários na média e os preços no pico. O Brasil parecia, então, estar "sob controle".
Mas entre 1997 e 1999, o câmbio sofreu novo ataque: primeiro "derreteram" as moedas dos Tigres asiáticos (Taiwan, Cingapura, Coreia do Sul e Hong Kong), em seguida o rublo russo, para logo depois derrubarem o Real. Essa foi a recessão mais longa do Plano Real: durou 16 meses, quando a economia nacional sentiu o impacto das crises que detonaram o câmbio fixo brasileiro.
As recessões pré-Real duravam bem mais. A que começou em meados de 1989, em meio à hiperinflação e às primeiras eleições presidenciais diretas desde a redemocratização, durou 30 meses, com a “colaboração” substancial do confisco da poupança, que estancou os fluxos de dinheiro e jogou a economia ribanceira abaixo.
No ano seguinte (2000), o mercado voltou a sofrer ataques especulativos. Dessa vez foi no mercado interno com os impactos do apagão provocado pela falta de investimentos no setor elétrico, o que levou o governo a decretar racionamento de energia. Logo após o período de pânico que se instalou no mercado com a iminente vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002/03, jogando o dólar norte-americano a R$ 4, os investidores se acalmaram.
Em 2008, o então presidente Lula criou o Fundo Soberano do Brasil (FSB) justamente para proteger a economia dos ataques especulativos no câmbio. E foi justamente esse fundo, alinhado a políticas de estímulo ao consumo - como redução de impostos, por exemplo - que impediu que o Brasil sucumbisse ao escândalo da "Bolha imobiliária" (subprime) dos Estados Unidos, que desencadeou a pior crise econômica global desde 1929, período da Grande Depressão norte-americana, que quebrou mercados no mundo todo. Em 2008, enquanto a Europa e os Estados Unidos mergulhavam na crise econômica, o Brasil batia recordes de crescimento – 7,5% ao ano.
SUBPRIME
Na época, o maior banco francês, o BNP Paribas, anunciou que estava suspendendo temporariamente três fundos de investimento – Parvest Dynamics ABS, ABS Euribor e ABS Eonia – porque mais de um terço de seus créditos tinham as dívidas norte-americanas de “baixa qualidade” em carteira, o que faria “evaporar a liquidez”. Ou seja, informou que não tinha mais como calcular o valor líquido dos títulos por conta da turbulenta situação do mercado subprime nos EUA.
A crise nos EUA começou em 2000, quando milhares de famílias de baixa renda tomaram empréstimos a taxas variáveis, o chamado subprime, garantidos no valor dos imóveis. No entanto, quando essas taxas sobem, as famílias não tem mais como pagar os empréstimos e os preços dos imóveis acabam entrando em uma bolha com preços muito fora do padrão. Como esse valor já está em negociações financeiras bancárias complexas, a liquidez começa a sumir.






