Banco Central mantém juros básicos da economia em 6,5% ao ano

O Comitê de Política Monetária destacou a greve dos caminhoneiros e a instabilidade na economia internacional para a manutenção da taxa Selic; a decisão era esperada pelo mercado

Por Agência Brasil

BC informou que ofertará até US$ 2,15 bilhões na próxima sexta
BC informou que ofertará até US$ 2,15 bilhões na próxima sexta -

Brasília - Pela segunda vez seguida, o Banco Central (BC) não alterou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve nesta quarta-feira a taxa Selic em 6,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.

Em nota, o Copom destacou que a greve dos caminhoneiros trouxe incertezas que dificultam a avaliação das perspectivas para a economia. "A paralisação no setor de transporte de cargas no mês de maio dificulta a leitura da evolução recente da atividade econômica. Dados referentes ao mês de abril sugerem atividade mais consistente que nos meses anteriores. Entretanto, indicadores referentes a maio e, possivelmente, junho deverão refletir os efeitos da referida paralisação", ressaltou o texto.

Segundo o comunicado, a instabilidade na economia internacional também contribuiu para a manutenção dos juros básicos. “O cenário externo seguiu mais desafiador e apresentou volatilidade. A evolução dos riscos, em grande parte associados à normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas, produziu ajustes nos mercados financeiros internacionais. Como resultado, houve redução do apetite ao risco em relação a economias emergentes”, informou o Copom.

Com a decisão de hoje, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março deste ano.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 2,86% nos 12 meses terminados em maio, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%. O IPCA de junho só será divulgado no início de julho.

Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

Para Firjan, decisão foi acertada

O Sistema FIRJAN considera acertada a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 6,50% ao ano. "Desde a última reunião do colegiado, as projeções para o PIB recuaram em torno de 1 ponto percentual e já apontam para um crescimento abaixo de 2% em 2018. Além disso, a inflação atual e a projetada encontram-se abaixo do centro da meta estabelecida", diz em nota. 

O sistema defende a necessidade de o país retomar a política econômica e a pauta de reformas estruturais que trouxe ganhos significativos. "A mudança no direcionamento da política econômica em resposta à paralisação dos caminhoneiros põe em risco a recuperação econômica ao aumentar os custos sobre o setor produtivo. A agenda de reformas estruturais é a única forma de colocar o país nos trilhos e abrir espaço para quedas adicionais da taxa de juros", diz a federação em nota.

 

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