Taxa mais alta nas contas de luz vai até outubro

Energia elétrica foi a vilã da inflação em julho, segundo o IBGE

Por O Dia

A conta de luz foi o item que mais pesou no bolso das famílias
A conta de luz foi o item que mais pesou no bolso das famílias -

Rio - Os clientes de operadoras de energia elétrica vão continuar pagando adicional mais caro na conta de luz pelos próximos meses. Ontem, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, afirmou que o setor energético este ano repete o mesmo comportamento de 2017 e que a redução das chuvas forçará manutenção da operação mais cara até o fim do período seco. Segundo Barata, até o final do mês de outubro, os consumidores terão que arcar com a bandeira vermelha nível 2.

"Vamos ter 2018 de novo com atenção, mas temos tranquilizado o governo, não corremos risco de desabastecimento de energia, mas sabemos que vamos ter custo alto da energia", disse ele, ressaltando que o mês de julho foi o pior em termos de chuvas do histórico do ONS, que vem desde 1931.

A bandeira vermelha 2 foi mantida em agosto pelo terceiro mês consecutivo. Isso significa um adicional de R$ 5 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a bandeira vermelha permaneceu principalmente devido às "condições hidrológicas desfavoráveis e à redução no nível de armazenamento dos principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN)". A bandeira tarifária é mensal e a referente a setembro deve ser divulgada em 31 de agosto.

Maior peso na inflação

O aumento na conta de luz em julho foi o que mais pesou na inflação oficial medida pelo IPCA do mês, informou o IBGE. As famílias gastaram 1,54% mais com Habitação em julho, uma contribuição de 0,24 ponto percentual para o IPCA. O item energia elétrica ficou 5,33% mais caro.

Apesar da desaceleração em relação à alta de 7,93% em junho, a energia elétrica foi o item de maior impacto na inflação de julho, o equivalente a 0,20 ponto percentual.

O IPCA fechou julho com alta de 0,33% ante avanço de 1,26% em junho. A taxa acumulada no ano foi de 2,94%. Em 12 meses, acumulou elevação de 4,48%.

Além da continuidade da bandeira vermelha 2, houve reajustes nas tarifas em Porto Alegre, Brasília, Curitiba e São Paulo. A conta de luz recuou apenas em Belém (-0,01%), Goiânia (-1,83%) e Vitória (-0,30%), por conta da redução do PIS/Cofins. 

Combustível dá trégua

Os combustíveis deram trégua ao bolso das famílias em julho. Passada a pressão da paralisação dos caminhoneiros, os preços recuaram 1,80% em julho, segundo IBGE. O grupo dos Transportes saiu de elevação de 1,58% em junho para um avanço de 0,49% em julho. A gasolina passou de uma alta de 5% para recuo de 1,01% no período, enquanto o etanol de elevação de 4,22% em junho para queda de 5,48% em julho.

Por outro lado, a tarifa de ônibus urbano subiu 1,46% em julho, refletindo os reajustes no Rio e Rio Branco (6,57%). O ônibus intermunicipal aumentou 0,38%, enquanto o ônibus interestadual teve elevação de 8,70%. As passagens aéreas ficaram 44,51% mais caras em julho, após a queda de 2,05% de junho.

O INPC teve um avanço de 0,25% em julho, após a alta de 1,43% registrada em junho, segundo dados do IBGE. O índice acumula alta de 2,83% no ano. A taxa em 12 meses foi de 3,61%.

 

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