Uber tem estreia pouco animadora na bolsa de valores

Nesta sexta-feira, primeiro dia de comercialização de ações, a empresa teve queda de 7,62% sobre o seu valor

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Diretor jurídico da Uber afirmou que decisão não gera nenhum benefício aos motoristas
Diretor jurídico da Uber afirmou que decisão não gera nenhum benefício aos motoristas -
Nova York - A jornada do Uber como empresa de capital aberto teve um início decepcionante. Nesta sexta-feira, no primeiro dia de comercialização de ações, os papéis da empresa de mobilidade compartilhada fecharam o dia valendo US$ 41,57, queda de 7,62% sobre o valor inicial de US$ 45. O desafio da empresa é provar que o negócio pode gerar lucro, algo ainda inédito em sua história.
Somente nos primeiros três meses de 2019, o Uber perdeu US$ 1,1 bilhão. Em entrevista ao canal CNBC, Dara Khorsowshahi, presidente da companhia, disse que 2019 deve ter sido o "pico de perdas" do Uber.
Além das dificuldades operacionais, o cenário econômico não ajudou a estreia. O impasse na guerra comercial entre EUA e China fez a Bolsa de Nova York ter a pior semana de 2019. Além disso, a Lyft, concorrente do Uber nos EUA que iniciou venda de ações no fim de março, vem tendo desempenho decepcionante: os papéis já desvalorizaram cerca de 30%.
Khorsowshahi tenta manter o otimismo, embora não dê prazo para retornos. Ele disse que é possível recuperar o desempenho do primeiro dia na Bolsa e vem pregando que a empresa pode ser comparada à Amazon: é uma plataforma tecnológica com diferentes serviços.
Michael Ramsey, analista da consultoria Gartner, disse que a comparação é limitada. Segundo ele, a empresa fundada por Jeff Bezos ganhava em escala à medida em que crescia - o que não pode ser aplicado ao Uber. "Quando o Uber cresce, seus custos aumentam na mesma proporção", diz.
Ramsey também aponta para possíveis disputas trabalhistas que forcem a empresa a pagar mais seus motoristas. Durante a semana, a categoria protestou e exigiu da empresa melhores condições de trabalho. "É possível que isso leve a um aumento de tarifas. Atualmente, os preços já são artificialmente baixos porque a companhia está num movimento de expansão." O aumento de tarifas pode colocar o Uber em um outro dilema: preços mais altos podem fazer os concorrentes, como Lyft e a chinesa Didi, ganhar espaço
"O Uber não está mais em uma discussão de inovação. Ele convive agora com questões de operação e problemas reais", diz Luiz Alberto Albertin, professor de administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). "O mercado assimilou a inovação do Uber, mas quer ver algumas das novas ideias funcionando de verdade."
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