Parcelar cheque especial reduz juros

Cliente de baixa renda é o que mais se endivida. Bancos devem oferecer opção com taxa menor

Por Marina Cardoso

Com as dívidas acumuladas, especialistas indicam que consumidores devem planejar vida financeira
Com as dívidas acumuladas, especialistas indicam que consumidores devem planejar vida financeira -
Rio - Clientes bancários de baixa renda são os que mais se endividam no rotativo do cheque especial. E para evitar que o orçamento seja corroído por juros médios de 12,63% ao mês, eles têm opção de trocar o débito por uma linha de crédito com juros menores. Desde o ano passado, os bancos são obrigados a oferecer taxas mais em conta: o cheque especial parcelado. Segundo Relatório de Economia Bancáriado Banco Central, 44% dos que estão no vermelho da conta corrente ganham até dois salários mínimos (R$ 1.996).Com a mudança do rotativo para a parcela do especial, por exemplo, esses clientes passam a pagar juros médios de 3,32% ao mês, conforme recente levantamento da Febraban feito entre 12 bancos.
Pelas regras atuais, para os consumidores que usam mais de 15% do limite do especial, durante 30 dias consecutivos, acima de R$ 200, as instituições financeiras devem dar alternativa de parcelamento com taxas mais baixas.
"Os bancos são obrigados a avisar o momento exato que o consumidor entra no especial e oferecer a opção de parcelar por juros mais baixos. Antes, o correntista seguia utilizando o cheque especial, se endividava e caia literalmente na chamada bola de neve, sem opções", explica o especialista em finanças e educador financeiro Washington Mendes.
Com a mudança de modalidade do cheque especial, o cliente percebe clara diferença no resultado final da dívida. Segundo o economista Alexandre Prado, uma pessoa que usou, por exemplo, R$ 1 mil do limite do cheque especial por seis meses vai dever R$ 2.049,40, após o período. Mas caso resolva migrar para a opção de parcelamento, a mesma dívida será deR$ 1.216,48. Já para débitos de um ano, o débito no rotativo chegará a R$ 4,2 mil, mas no parcelado ficará em R$ 1.479,83 (Confira o quadro ao lado).
Proposta a cada 30 dias
A oferta do parcelamento deve ser feita até cinco dias úteis depois que a instituição financeira constatar que os clientes estão no rotativo. Se os consumidores não aceitarem a primeira proposta, o banco tem que oferecer novamente o parcelamento a cada 30 dias. Nesse caso, a instituição financeira pode reduzir o limite do cheque especial contratado pelos clientes.
Se o consumidor se sentir prejudicado ou que a instituição financeira não cumpre o que diz as regras, deve ligar para ouvidoria do próprio banco ou a da Febraban. "Já no limite, acionar judicialmente o banco também é uma opção, pois trata-se de uma relação de consumo regida pelo Código de Defesa do Consumidor", orienta Prado.

Orientação para zerar as dívidas

Embora exista a opção de alterar para o cheque especial parcelado, o economista Alexandre Prado afirmaque parcelar o especial precisa seruma solução imediata. "Deve-se considerar que o parcelamento do saldo devedor do cheque especial é mais uma oferta de crédito que pode ser uma cilada.Mesmo a juros mais baixos, é nova dívida que o consumidor pode não ter condições de pagar", explica.
No entanto, o especialista orienta o consumidor a buscar outras opções de crédito mais baratas que o cheque especial, como o empréstimo consignado ou o empréstimo com garantia. "Apesar dele ter contraído as dívidas, eledeve usar o tempo para procurar seeducar financeiramente para não voltar a uma nova posição devedora", finaliza.
Pesquisa Banco Central
Segundo pesquisa do Banco Central, além dos 44% dos usuários com renda de até dois mínimos que usam o especial, 33,5% possuem renda de dois a cinco pisos (R$ 4.990). Já na faixa entre mais de cinco até dez mínimos (R$ 9.980) são 13,8%, e acima de dez salários mínimos, 8,8%. Em dezembro de 2018, o saldo total do cheque especial totalizou R$21,98 bilhões, dos quais R$3,38 bilhões eram referentes a dívidas. 
 

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