Currículo: o cartão de visita dos candidatos

Na última reportagem da série Semana do Emprego, O DIA publica várias dicas de especialistas de RH para fazer um documento que chame a atenção dos recrutadores e, com isso, ter mais chances de conseguir a vaga

Por MARTHA IMENES

Candidata Ana Angelica levou cobertor para passar a noite na fila de emprego no Engenho de Dentro
Candidata Ana Angelica levou cobertor para passar a noite na fila de emprego no Engenho de Dentro -
Rio - Na última matéria da série "Semana do Emprego", O DIA pegou dicas com especialistas de como montar um currículo e fazer com que ele seja atrativo para o recrutador. Preparar o documento não é um bicho de sete cabeças. A orientação é apresentar um texto mais "limpo" e conciso possível para que não acabe parando no "arquivo morto" da empresa.
"A primeira dica: seja objetivo, porém, estratégico. Coloque os dados que são realmente relevantes para aquela vaga e elabore cada currículo de acordo com a oportunidade à qual concorre. Para isso, tenha uma base e vá personalizando conforme a vaga", orienta Leyla Nascimento, presidente da Federação Mundial de Recursos Humanos e executiva do Grupo Capacitare.
Leyla explica que não é necessário colocar foto, números de documentos ou endereço completo. "Nos dados pessoais, priorize nome, idade, bairro/cidade/estado onde mora e seus contatos. Cuidado para não errar na digitação do seu e-mail ou dar um telefone que você não atenda com frequência, seus contatos precisam ser fáceis de serem acessados. Se seu perfil no LinkedIn é ativo e atualizado, coloque o link também", indica.
Segundo ela, é imprescindível colocar a formação acadêmica - caso ainda esteja cursando, mencione sua previsão de formatura/conclusão e o turno em que estuda, para que o recrutador saiba qual seu horário disponível para trabalho.
"Em 'experiências anteriores', inicie sempre pela mais recente indo até a mais antiga. Coloque a empresa, seu cargo, um resumo das atividades que realizava e resultados importantes que tenha alcançado no período que lá esteve e que tenha tido contribuição direta sua", pontua Leyla.
Outra dica é não deixar de mencionar, caso tenha, conhecimentos de idiomas estrangeiros, informática e cursos extras que realizou e que tenham alinhamento com seu perfil profissional. E Leyla dá mais uma dica importante: "Caso faça trabalhos voluntários ou tenha tido uma experiência de intercâmbio, também relate, mas resumidamente. Essas informações são diferenciais e agregam muito valor na disputa da vaga".
"O currículo é o 'cartão de visitas' de qualquer profissional", acrescenta Renato Trindade, executivo da Page Personnel. "É o primeiro contato e a primeira impressão do empregador. Por isso, é importante que passe com clareza as competências técnicas e as conquistas do candidato. Português impecável e organização também são imprescindíveis", recomenda.
Exemplos concretos
O segredo, de acordo com o especialista, é colocar ali exemplos concretos de suas habilidades. Não é necessário reservar um espaço para descrever qualidades como "organizado" e "comunicativo", mas vale registrar experiências anteriores que demonstrem essas habilidades mesmo que implicitamente.
"Hoje em dia, as questões comportamentais também são muito importantes. Vale trazer isso para as entrevistas pessoais, utilizando exemplos de cargos ou atividades exercidas que mostrem essas qualidades", diz Trindade.

Nem o frio espanta candidatos
A manhã de ontem registrou a temperatura mais baixa do ano no Rio: 11°C. Mas o frio não espantou as cerca de mil pessoas que estavam em uma longa fila de emprego nas imediações da quadra da escola de samba Arranco, no Engenho de Dentro. Os candidatos começaram a chegar ainda na noite de quinta-feira, em busca de uma das 815 vagas oferecidas.
Para amenizar o frio do inverno, teve quem levasse um edredom para passar a noite no local. Foi o que fez a auxiliar de serviços gerais Ana Angélica das Neves, de 41 anos, que, além do cobertor, tinha uma cadeira e um travesseiro para enfrentar a longa espera - o feirão de empregos só abriu as portas às 9h.
"Foi uma das piores noites da minha vida. Passei muito frio, mas a situação está muito complicada. Tenho quatro filhos para criar e não posso continuar desempregada", contou Ana Angélica, que pela primeira vez foi procurar oportunidade em um feirão de vagas. "Tenho fé e esperança que consiga qualquer coisa. Deus vai me ajudar".
A quantidade de candidatos na fila surpreendeu os organizadores do evento. "Hoje (ontem) superou as nossas expectativas. Esse, infelizmente, é o retrato que o país vive, muitas pessoas estão desempregadas e em busca de uma ocupação. Se você parar alguns segundos e perguntar de onde essas pessoas veem, você saberá que elas são de todo o estado. Por exemplo, aqui temos quem busque emprego que mora no Recreio dos Bandeirantes (Zona Oeste), Irajá (Zona Norte) e diversos municípios da Baixada Fluminense, como Nova Iguaçu e Japeri", afirmou Paulo Vasconcelos, coordenador da Comunidade Católica Gerando Vidas, responsável pelo projeto de empregos.
Entre as 815 vagas ofertadas ontem havia cargos em setores comerciais, de serviços, da indústria, beleza e culinária, além de oportunidades para jovens aprendizes. "As empresas nos passam um feedback (retorno) e quando as pessoas conseguem o emprego é muito gratificante", disse Vasconcelos.
Senac oferece cursos
Para quem está em busca de formação, o Senac-RJ oferece cerca de 300 cursos, todos pagos. Mas dá para conseguir gratuidade comprovando renda de até dois salários mínimos (R$ 1.996). Até dezembro são oferecidas 16 mil vagas.
Segundo o Senac, entre as áreas que têm maior empregabilidade estão desenvolvimento educacional e social, com 77%; turismo, lazer e produção alimentícia (76%); saúde e segurança (68%); e produção cultural e design (67%).
Com que roupa eu vou?
A corrida pela tão sonhada vaga de emprego é árdua e requisitos como currículo impecável, manter a calma durante a entrevista e clareza ao falar são importantes. Além disso, a roupa é um item importante e determinante para a primeira impressão que contribui para a construção de uma imagem positiva para o entrevistador.
Por isso, a consultora de imagem e estilo Bruna Coutinho dá alguns toques sobre como se comportar e se vestir na hora da entrevista. Segundo ela, é importante que antes de tudo o candidato faça uma pequena pesquisa sobre a empresa para saber se trata-se de uma companhia mais descolada ou formal. No site da companhia é possível ver o código de vestimenta (ou "dress code") que serve para orientar os funcionários.
Bruna explica que para mulheres os indicados são vestido ou terninho, verdadeiros coringas do guarda-roupa. Além disso, é importante prestar atenção ao comprimento para não mostrar demais. A maquiagem é um diferencial: escolha cores claras, neutras. Evite batom chamativo como vermelho e opte por acessórios simples.
"No caso dos homens, para não errar, é recomendado usar camisa de botão com a manga dobrada ou blusa polo. Dependendo do cargo pretendido, vale usar calça e paletó", orienta a especialista.

Comentários

Últimas de Economia