Caixa vai mudar índice e juro da casa própria cairá a 6%

Banco espera aval para alterar o indicador de correção de contrato de financiamento imobiliário

Por MARTHA IMENES

Regras de financiamento habitacional, se alteradas, somente vão valer para contratos novos
Regras de financiamento habitacional, se alteradas, somente vão valer para contratos novos -
Rio - Em mais uma ação para tentar reaquecer a economia, o governo - após anunciar que vai liberar o saque de contas ativas e inativas do FGTS - mudará o índice que corrige os contratos de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal. Com isso, os juros dos financiamentos da casa própria vão cair dos atuais 8,5% a 5,82% ao ano. Para a medida entrar em vigor, é preciso que o Banco Central dê aval à mudança do indexador dos contratos, que deixaria de ser a Taxa Referencial (TR) e passaria a ser o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial.
Como funciona? A TR, hoje em 0%, é utilizada com mais um adicional que varia de 8,5% a 9,5% ao ano. Se o BC der aval, passará a vigorar o IPCA, que deve fechar o ano em 3,82%, segundo o IBGE. Apesar de aplicar uma correção que hoje não existe, com a modificação o banco abriria mão de suas próprias taxas adicionais nos contratos, que variam de 2% a 3%. Desta forma, somando o IPCA e as taxas cobrados, os juros ficariam em 5,82% e 6,82% ao mês.
Assim, em um financiamento de R$ 212,2 mil, dividido em 240 meses, por exemplo, a prestação pela TR ficaria em R$ 1,8 mil, já com o IPCA seria de R$ 1,4 mil. No final do contrato, o mutuário terá pago R$ 432 mil (TR) ou R$ 355,3 mil com o índice da inflação. Ou seja, uma diferença de R$ 76,6 mil a menos no fim do financiamento.
"No momento que o IPCA está sob controle, a medida é vantajosa para o mutuário. Mas é preciso ter cuidado, porque o governo vai tirar um indicador que não varia, que é a TR, para um indicador que é mais flutuante e está diretamente ligado à inflação", alerta o economista Alexandre Prado, do Núcleo Expansão e diretor do Di Blasi, Parente & Associados.
Clientes da Caixa ou com boa avaliação de crédito pagarão juros menores. Isso significa que, na prática, os juros totais sofrerão cortes entre 28% e 31,5% em relação ao modelo vigente. Caso aprovada, a nova regra só valerá para novos contratos. Não será possível migrar de um modelo para outro. Para o governo, a medida também iria estimular outros bancos a reduzirem as taxas do financiamento.
Novos financiamentos
A ideia da Caixa é reduzir os juros ao trocar o indexador dos contratos, o que permitirá usar o fluxo de pagamento dos financiamentos como lastro para a emissão de títulos a serem negociados no mercado. Com os recursos da venda de papéis, o banco poderá conceder novos financiamentos, amortizando custos.
Recentemente, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estimou que poderá emitir até R$ 100 bilhões em papéis lastreados com financiamentos imobiliários. No primeiro ano, esse número seria de R$ 10 bilhões.
Cálculos conservadores indicam que a instituição financeira poderia dobrar sua carteira de crédito habitacional, passando dos atuais R$ 449 bilhões, no primeiro trimestre deste ano, para quase R$ 1 trilhão. Para evitar riscos, a Caixa só vai securitizar financiamentos com baixo índice de inadimplência. Contratos do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, ficarão de fora da medida a ser anunciada.
Mudança na regra de financiamento habitacional
COMO É
Os contratos de financiamento imobiliário da Caixa são corrigidos pela Taxa Referencial (TR), que hoje está em 0%, e uma taxa adicional que varia de 8,5% a 9,5% ao ano.

COMO FICARÁ
Os contratos devem ser corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, e o banco deve cobrar uma taxa adicional entre 2% e 3% ao ano. O IPCA projetado para este ano é de 3,82%, portanto, os juros dos financiamentos devem ficar de 5,82% a 6,82% ao ano.

INDEXADOR

Ao mudar a indexação dos contratos, o banco consegue emitir títulos no mercado que terão como garantia o pagamento das parcelas dos financiamentos habitacionais. Com a venda desses títulos, a Caixa conseguirá compensar a redução das taxas adicionais e ampliar a oferta de crédito imobiliário.
TAXA
31,5% será a redução máxima de juros para os clientes que forem da Caixa e tiverem bom histórico de pagamento; para os demais, a redução pode ser de 28%.

EMISSÃO
R$ 100 bilhões, é o potencial previsto pela Caixa para emissão de títulos a partir deste ano.
R$ 447 bilhões, foi o saldo da carteira de crédito imobiliário da Caixa no primeiro trimestre deste ano. Deste total, 40% foi concedido com recursos do FGTS.
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