'Bico' vira alternativa ao desemprego

Para ter o próprio ganha-pão, confira as taxas de juros para não cair em furada ao contratar empréstimo em banco ou financeira

Por MARTHA IMENES

Evandro apostou no crepe francês para trilhar o caminho do empreendedorismo
Evandro apostou no crepe francês para trilhar o caminho do empreendedorismo -
Rio - O desemprego continua em alta, segundo o IBGE o Rio tem 1,3 milhão de pessoas sem trabalho. Para muitos, a alternativa para driblar a falta de emprego tem sido empreender, seja entre opções como motorista de aplicativo, dono de barraquinhas de lanches, e até mesmo de bolo, em alta agora por conta da personagem da belíssima Juliana Paes, a Maria da Paz, da novela das nove. A ficção dá uma pincelada na realidade: para se ter uma ideia, o Rio concentra 963.558 Microempreendedores Individuais (MEIs), respondendo por 11,6% do total do país. A Cidade do Rio reúne a maior parte deles, 409.518.

E como virar dono do próprio negócio se a grana tá curta e os juros ainda continuam altos? Se não tiver um dinheiro guardado, a saída é fazer um empréstimo. Mas é bom pesquisar para não cair em roubada. Levantamento feito entre bancos e financeiras mostra que as taxas mais baixas são oferecidas pela HS Financeira, a 0,89% ao mês e 11,2% ao ano. E a taxa mais alta, segundo o levantamento do Banco Central, foi encontrada no JBCred S/A: 26,4% ao mês e 1.563,62% ao ano.

O desemprego, que atinge 12,8 milhões de pessoas, empurrou muitos brasileiros para viver de bico. "O empreendedorismo popular está aquecendo a compra de pequenos ativos adquiridos a prazo pelas pessoas físicas", afirma Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, associação que reúne financeiras.

Juros de 1,14% a 4,85% ao mês
Confira as taxas praticadas ao mês por bancos e financeiras: no Safra 1,14% ao mês, na Creditá CFI, 2,82% ao mês; 3,31% ao mês na Caixa e 4,21% ao mês no Santander. No Original e Bradesco os juros ficam em 4,82% e 4,85% ao mês, respectivamente. A pesquisa do BC foi feita de 27 de setembro a 3 de outubro. Agora é só pesquisar e escolher a taxa de juros que cabe no bolso.
É possível fazer a consulta dos juros sem sair de casa. Na página do Banco Central (https://www.bcb.gov.br/) estão todos os bancos e financeiras que têm autorização para operar no Brasil. Ao entrar no link, para encontrar as taxas de juros é necessário clicar na aba 'Estatísticas' e depois em 'Taxas de Juros'.

Nessa página é possível encontrar as taxas para pessoa física e também para jurídica. Há taxas de cartão de crédito rotativo e parcelado, cheque especial, crédito pessoal consignado INSS, entre outros.
Crepes de Paris em plena Niterói
E foi o desemprego que levou Evandro Barreto de Albuquerque de Mello, 61 anos, de Niterói, a tornar seu hobby em 'ganha-pão'. Em 2003, após sair da companhia aérea Air France, Evandro - que sempre recebia amigos em casa e fazia crepe - resolveu passar uns meses em Paris e aperfeiçoar seu dote. "Percebia nos meus amigos o brilho no olhar ao saborear meu crepe e resolvi levar essa experiência gastronômica para as ruas", conta ao DIA. "Faço crepe de Paris e não panqueca", brinca Evandro.

Ele conta que em um primeiro momento a venda dos crepes em Niterói eram feitas em um carro adaptado, que existe até hoje. Mas em 2015, com a febre dos food trucks, resolveu investir na compra de um.

Atualmente Evandro tem dois pontos de venda em Niterói. E o negócio tem dado tão certo, que ele já pensa em franquear sua marca. "Penso em ampliar minha marca e passar a ser franqueador", adianta Evandro.

Cidade do Rio tem 409 mil MEIs
Levantamento do Sebrae Rio, mostra que o Estado do Rio de Janeiro concentra 963.558 Microempreendedores Individuais (MEIs), com 11,6% do total do país. A cidade do Rio reúne a maior parte deles, 409.518 MEIs. O levantamento do Sebrae Rio, com base nos dados do Portal do Empreendedor, também aponta que, apesar da Receita Federal ter realizado a baixa do registro do MEI que estava em situação irregular por inadimplência, o Estado do Rio teve aumento de 7% na quantidade de microempreendedor individual, de dezembro de 2018 a março de 2019.

A distribuição por sexo, segundo a pesquisa, é bem homogênea, ou seja, não tem muita variação por sexo. Sendo que, o maior percentual de MEI é do sexo feminino com 50,5%. Em relação à faixa etária, 30,1% dos MEI tem idades entre 31 e 40 anos. E a segunda maior concentração é na faixa de 41 a 50 anos (24,7%). A atividade mais frequente é a de cabeleireiros seguida de comércio varejista de artigos do vestuário. Considerando a divisão por sexo, a ocupação principal entre os homens é em obras de alvenaria e entre o sexo feminino é cabeleireiros.

Mitos e verdades sobre empréstimo

Dinheiro dos processos pode ser sacado em contas abertas pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região na Caixa ou no Banco do Brasil - Reprodução
Uma das principais alternativas para quem quer se ver livre das dívidas ou pretende adquirir um bem ou serviço para o qual não tem o dinheiro em caixa para pagar é o empréstimo. No Brasil, solicitar crédito a bancos e instituições financeiras é algo comum na vida das pessoas: dois em cada dez brasileiros recorreram a algum tipo de empréstimo em 2018, segundo pesquisa realizada pelo SPC Brasil.

"No Brasil, devido ao histórico de altas taxas de juros, o crédito muitas vezes é tido como vilão, gerador de endividamento e preocupações. Essa é uma visão equivocada. Quando bem utilizado, o crédito permite o saneamento das dívidas e também acesso a produtos e serviços inalcançáveis em condições normais", diz Victor Loyola, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro e sócio fundador da Consiga+, empresa especializada em crédito consignado privado.

Para colocar um ponto final nas principais dúvidas sobre o acesso ao crédito, o empresário esclarece alguns mitos e verdades sobre o assunto.

Recorrer a alguma forma de crédito é algo ruim. MITO.
As pessoas tendem a relacionar as palavras "crédito" e "empréstimo" a algo ruim. Mas a verdade é que sem crédito a economia travaria. Pessoas, empresas e governos precisam de crédito para questões corriqueiras e projetos de longo prazo. O que acontece é que, como qualquer remédio, recorrer a esse benefício pode se transformar em veneno, se consumido em excesso. Sabendo usar, crédito gera prosperidade e oportunidades.

Negativados não têm acesso a crédito. MITO.
Ao contrário do que muitos pensam, o fato de alguém estar negativado não determina se o consumidor terá seu crédito negado. A situação sempre será avaliada em conjunto com outros fatores. Isso pode diminuir as chances de aprovação, mas não determinar. Os grandes bancos tendem a ser mais conservadores na política de crédito para negativados, que normalmente apelam para financeiras com taxas maiores, o que pode agravar ainda mais a situação do devedor ao invés de ajudá-lo.

Contrair mais dívidas para resolver uma pendência financeira pode ser uma saída. VERDADE.
Uma pesquisa realizada com clientes da Consiga+ indicou que 80% deles recorrem ao empréstimo para quitar outras dívidas, mais caras. Isso porque a modalidade consignado é mais barata e permite fazer essa troca, desde que não ultrapasse 30% da renda do cliente. Se a nova dívida for, então, mais barata, vale recorrer a ela para quitar pendências financeiras existentes.

Após o acesso ao crédito, os problemas financeiros estão resolvidos. MITO.
Muita gente pensa que ter acesso ao crédito resolverá os seus problemas. Mas a verdade é que o consumidor brasileiro não tem uma boa educação financeira. Esse é o problema. O normal no país é que o consumidor verifique se a parcela do empréstimo cabe no bolso naquele mês que ele precisa, negligenciando a taxa de juros associada à transação. Ele normalmente também ignora os três componentes essenciais em um empréstimo: valor, taxa e prazo. A combinação das três variáveis deve ser avaliada cuidadosamente para encontrar a melhor oferta. Vale ressaltar que muitas vezes, além da educação financeira rudimentar, há um outro elemento que atrapalha na hora da decisão adequada de crédito: a renda baixa. As pessoas tendem a tomar decisões impulsivas quando a renda termina antes do fim do mês. Não há como criticá-las por isso, mas é bom tentar evitar que aconteça.

Crédito consignado é mais barato que o rotativo. VERDADE.
Enquanto o crédito rotativo possui taxas que podem ultrapassar 19% ao mês, o consignado fica na casa dos 2,8% ao mês. O consignado ainda possui um recurso que ajuda muito no controle financeiro de quem contrata esse tipo de empréstimo: a parcela é debitada direto da folha de pagamento do cliente, o que evita a inadimplência.

O acesso ao crédito no Brasil é muito caro. VERDADE.
Se tomarmos o dinheiro como produto, em média paga-se 8x mais caro por ele no Brasil do que nos Estados Unidos. Apesar de ser verdade que quase todos os produtos são mais caros no Brasil, o dinheiro é desproporcionalmente um ponto fora da curva. Mas isso não quer dizer que não existam opções mais baratas: financiamento de automóveis e crédito consignado público e privado são modalidades que oferecem taxas mais acessíveis ao consumidor.

O crédito ao consumidor no Brasil é pouco utilizado em relação a outros países. MITO.
Se por um lado o total de crédito não chega a 50% do PIB no Brasil, valor muito menor que nas economias desenvolvidas, quando excluímos o crédito para empresas e o crédito imobiliário, concentrando apenas no crédito ao consumo e suas variações, o mesmo representa 16% do PIB, valor igual ao dos EUA, país notório pela intensa utilização de crédito.
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Maria da Paz (Juliana Paes) começa vendendo bolo na rua até virar dona de fábrica Globo/João Miguel Júnior
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