Bovespa despenca e Petrobras perde mais de R$ 74 bi em valor de mercado

Seguindo a turbulência do mercado, a moeda norte-americana voltou a fechar em alta. desta vez foi a R$ 4,72

Por MARTHA IMENES

Bolsa de Valores de São Paulo
Bolsa de Valores de São Paulo -
O crescimento da epidemia do coronavírus (Covid-19) e a queda do barril de petróleo para US$ 35, por conta da disputa entre Rússia e Arábia Saudita deixaram os mercados em "polvorosa". A bolsa de valores no Brasil despencou mais de 10% e foi acionado o sistema circuit breaker, que suspende as negociações por meia hora para conter o "efeito manada". Ou seja, a venda de ações desenfreadamente. No fechamento, o tombo do Ibovespa ficou em 12,17%, a 86.077 pontos, puxado principalmente pela queda das ações da Petrobras, que caíram 30%. A estatal perdeu mais de R$ 74 bilhões em valor de mercado. Este foi o pior resultado registrado na bolsa desde 1998, quando a Rússia declarou moratória. Na esteira das perdas o dólar continuou sua trajetória de alta e fechou em R$ 4,72.

A reação do governo Bolsonaro foi a de minimizar o desempenho do mercado financeiro e partir em defesa das reformas administrativa e tributária. Na turbulência menos intensa do mercado no ano passado, a justificativa para que o Estado voltasse à normalidade, inclusive com geração de empregos, foi a aprovação da Reforma da Previdência e a minirreforma trabalhista. Mas, segundo especialistas, o que se viu não foi a geração de empregos, nem o aporte de capital.

Alheio às turbulências do mercado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou durante seminário empresarial em Miami, que o governo é leal às políticas econômicas do ministro Paulo Guedes, que por sua vez disse estar sereno e que a melhor resposta à crise no mercado financeiro são as reformas econômicas, mas não mencionou medidas a serem adotadas pelo governo .

A afirmação de Guedes gerou reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O parlamentar disse que a gestão Jair Bolsonaro precisa “deixar claro” o que pensa da crise e pontuou que apena as reformas não bastam para resolver o cenário. Essa crise ocorre em meio ao avanço do coronavírus no mundo, que vem afetando as economias de diversos países. Guedes, mais cedo, não mencionou medidas do governo para conter a turbulência do mercado.

"Parte da solução de médio e longo prazo são as reformas, que precisam chegar à Câmara, mas não chegaram ainda. Nem a administrativa, nem a tributária. Estamos prontos para ajudar com a agenda de reformas, que ajudam, mas não são o único ponto para solucionar os danos da crise. O governo precisa comandar o processo, deixar claro para os outros dois poderes o que ele pensa da crise e como pode ajudar", afirmou Maia.
Com Agência Estado

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