Em tempos de coronavírus, governo oferece R$ 200 para trabalhadores parados com epidemia

Vale será destinado a pessoas que façam parte do CadÚnico do governo

Por Letícia Moura*

Bolsonaro e ministros fizeram coletiva de imprensa no Planalto usando máscaras descartáveis
Bolsonaro e ministros fizeram coletiva de imprensa no Planalto usando máscaras descartáveis -

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou ontem o lançamento de um vale no valor de R$ 200 como auxílio a trabalhadores informais e autônomos que estão na lista do Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. Para receber o benefício, o profissional não pode ser inscrito em outros programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago para idosos e deficientes de baixa renda. A iniciativa, no entanto, depende que o Congresso reconheça o estado de calamidade pública. O reconhecimento permite a ampliação do gasto público em atendimento à população. A Câmara aprovou o pedido, que seguiu ao Senado. A votação deve ocorrer na semana que vem na Casa.

Segundo Guedes, o valor do vale, chamado de voucher pelo ministro, corresponde a duas cestas básicas. Entretanto, a conta não bate. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta em que o custo da cesta básica é de R$ 505,55 no Rio de Janeiro e R$ 519,76 em São Paulo. Os dois estados são os mais castigados pelo número de casos da doença.

O benefício anunciado ontem pelo governo poderá ser retirado na Caixa Econômica Federal, nas agências do INSS ou por meio de um aplicativo ainda não informado pela pasta. A medida custará ao governo R$ 15 bilhões em três meses (R$ 5 bilhões por mês), que equivale o dobro do gasto mensal com o Bolsa Família.

O objetivo da medida é amparar "pessoas desassistidas" durante os impactos econômicos devido a pandemia da Covid-19. "É uma turma valente que está sobrevivendo sem ajuda do Estado sempre e de repente está sendo atingida agora", disse Guedes.

 

No Planalto, coletiva de 'mascarados'

A coletiva do presidente Jair Bolsonaro e seus ministros ontem para anunciar as medidas foi no mínimo inusitada: todos estavam de máscaras descartáveis e se enrolaram um bocado para usá-las. Foi um tal de tira a máscara, coloca máscara, pendura na orelha, deixa sobre os olhos. Médicos advertiram que essa utilização não é nada eficaz. Eles recomendam que uso seja feito apenas por pacientes que apresentam os sintomas ou profissionais de saúde em atendimento e que as máscaras sejam trocadas a cada duas horas.

Bolsonaro iniciou a entrevista anunciando que o ministro de Minas e Energia, Bento Alburqueque, testou positivo para o exame de detecção do coronavírus. É o segundo ministro diagnosticado com Covid-19. Mais cedo, foi confirmada a infecção do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Já são 16 pessoas da comitiva presidencial que viajou aos EUA infectadas com o coronavírus.

"Por que estamos usando máscaras agora? Além do general Heleno, também tivemos positivo o teste do ministro das Minas e Energia, o almirante Bento. Então, obviamente, o cuidado tem que ser redobrado", disse o presidente, ao lado de oito ministros no Palácio do Planalto. Mais tarde o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também foi diagnosticado com a doença.


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Bolsonaro e ministros fizeram coletiva de imprensa no Planalto usando máscaras descartáveis DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Ministro da Economia, Paulo Guedes Valter Campanato/Agência Brasil

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