Dólar - Reprodução/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
DólarReprodução/Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Por ESTADÃO CONTEÚDO
São Paulo - Se a Bolsa de Valores tem despencado, mas de vez em quando anima o investidor com alguma alta, como a da semana passada, o mesmo não acontece com o dólar, que se mantém consistentemente em alta frente o real desde o início da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, há dois meses. Ontem, a cotação da moeda fechou em alta de 1,15%, alcançando a histórica cotação de R$ 5,32. Na semana, a valorização do dólar foi de 4,40%, a maior desde 24 de agosto de 2018.

Com o resultado, o dólar comercial alcança por aqui a sétima semana consecutiva de alta, e o real já é a segunda moeda que mais perdeu valor frente a divisa americana em 2020, queda de 32,5%, atrás apenas do rand, da África do Sul, que se desvalorizou 35,8%.

No mercado de ações, o Ibovespa fechou ontem em nova queda, a 69 mil pontos, fazendo o principal índice da Bolsa registrar um prejuízo de 5,30% na semana, contra alta de 9,48% da semana passada. Pesaram contra as ações a queda abrupta no número de postos de trabalho nos Estados Unidos, que encerrou uma série de 113 meses de crescimento. Segundo os dados oficiais, divulgados na manhã de ontem, 701 mil americanos perderam seus empregos. O Dow Jones caiu 1,69%, para 21 mil pontos, o S&P 500 perdeu 1,51%, para 2,48 mil pontos e o Nasdaq Composite recuou 1,53%, para 7.3 mil pontos.

Dólar segue em alta. De volta ao câmbio, analistas dizem que o movimento de alta dólar ainda está longe do fim. Eles já veem como normal um dólar a R$ 5,50 ao longo de abril, podendo inclusive se aproximar dos R$ 6, caso se consolide no mercado a tese de que o Banco Central (BC) imprimirá um ritmo mais forte de queda da taxa de juros básica da economia, a Selic, que hoje está em 3,75%.

"Se a Selic ficar em 3,25%, acho que um dólar a R$ 5,50 está bem 'ok'. Mas se o mercado comprar uma taxa ainda mais baixa, a cotação dispara e R$ 6, nas próximas semanas, é pouco", diz José Faria Júnior, sócio da Wagner Investimentos. Na última quinta-feira, o Itaú Asset divulgou relatório estimando que a Selic deverá terminar o ano em queda brusca de 1,5% ao ano. A projeção anterior da instituição era de 3,25%.

O que explica. Para o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, o Brasil é muito exposto ao mercado de commodities, que está em queda livre, e isso é uma das razões para a desvalorização do real.

"Não tem o que fazer, o dólar vai subir, como tem subido, independentemente da atuação do Banco Central, que está queimando suas reservas com a venda diária de dólares, sem qualquer efeito no valor do dólar", diz.