Para o autônomo Elias Ribeiro, de 54 anos, foi mais um dia difícil. Nesta segunda, ele chegou à fila da agência em Duque de Caxias às 4h da manhã - Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Para o autônomo Elias Ribeiro, de 54 anos, foi mais um dia difícil. Nesta segunda, ele chegou à fila da agência em Duque de Caxias às 4h da manhãReginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Por Julia Noia*
Rio - Na manhã de ontem, beneficiários do auxílio emergencial perderam tempo ao organizarem filas na porta de algumas agências da Caixa Econômica. Sete filiais do Rio ficaram fechadas para desinfecção, sem informe prévio a quem precisa resgatar o benefício. Mais um entrave para os moradores que lutam diariamente para conseguir o auxílio emergencial. 
Para o autônomo Elias Ribeiro, de 54 anos, foi mais um dia difícil. Nesta segunda, ele chegou à fila da agência em Duque de Caxias às 4h da manhã, disposto a finalmente receber o auxílio, que deveria ter sido liberado no dia 27 de abril. Antes, os funcionários da Caixa instruíram-no a fazer o cadastro pelo aplicativo Caixa Tem ou pelo site do banco, mas não conseguiu gerar o código necessário para receber o auxílio. Elias foi atendido às 14h, mas continua sem resposta.
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"A atendente falou que ainda não tinha nada para mim, mas deveria continuar tentando. Muitas pessoas estão indo para a fila de madrugada, não conseguem resolver pelo aplicativo. É muito complicado", lamenta. Na Caixa, pediram para ele, mais uma vez, tentar o cadastro online e esperar dez dias. Se ainda não tiver resultado, foi instruído a retornar à agência. A Caixa Econômica não se pronunciou até a última atualização sobre o caso de Elias.    
Antes mesmo do nascer do sol, a funcionária de salão de beleza, Silvia Maria, de 49 anos, já estava na fila da agência da Caixa Econômica em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Depois de quase dez horas de espera, conseguiu retirar o benefício, liberado ontem para pessoas nascidas em setembro e outubro. Assim que saiu da agência, o corpo cedeu ao cansaço.
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"Ninguém aguenta passar o dia inteiro parado em fila da Caixa esperando. Estou exausta. Fiquei quase dez horas na fila e não consegui almoçar, só fui comer dois salgadinhos às 14h30, quando pedi para a moça que estava na minha frente guardar meu lugar", reclama.
Segundo a Caixa, para otimizar o atendimento aos beneficiários, foram alocados, em todo o país, mais de 4.800 vigilantes e 889 recepcionistas para reforçar orientações e, a partir de ontem, o banco garantir a abertura das agências 2h mais cedo, agora de 8h às 14h. Além disso, também colocaram cinco caminhões-agência à disposição em locais com maior necessidade. Sobre o fechamento de filiais para limpeza, a Caixa afirma que a agência Freire Alemão, em Campo Grande, foi fechada para higienização até às 11h de ontem porque um dos funcionários apresentou sintomas da covid-19.
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Para evitar filas irregulares nas agências do Rio, a Prefeitura informou que o Centro de Operações, em parceria com a TIM, utiliza 300 câmeras instaladas pela cidade para monitorar aglomerações e, caso necessário, acionar equipes do 1746, o Disque Aglomeração, para recomendar o distanciamento e o uso de máscaras.    
*Estagiária sob supervisão de Max Leone.  
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