Grupos de alimentos e bebidas registrou redução de 0,67%Valter Campanato / Agência Brasil
Publicado 11/08/2026 11:18
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho com alta de 0,07%, ante avanço de 0,16 em junho. A inflação oficial perdeu força pelo quarto mês seguido, e o resultado acumulado em doze meses está em 4,44%, abaixo do teto da meta do Banco Central. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IPCA de julho veio em linha com a estimativa do mercado financeiro. O boletim Focus desta segunda-feira (10), sondagem do BC com instituições econômicas, projetava que a inflação de julho ficaria em 0,07%. Para o fim de 2026, o mercado espera IPCA em 5,02%.

O comportamento dos preços fez com que o acumulado de 12 meses (4,44%) entrasse novamente na meta do BC: de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. Em abril, o acumulado estava em 4,39%, mas o índice extrapolou o limite máximo em maio (4,72%) e junho (4,64%).

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas ao alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

Grupos
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O resultado de julho foi o menor desde agosto de 2025, quando o IPCA marcou 0,11%. Levando em consideração apenas os meses de julho, o desempenho do mês passado é o menor desde 2022 (-0,68%).

Confira como foi o comportamento dos preços e o impacto em ponto percentual (p.p.) nos nove grupos pesquisados pelo IBGE:

- Alimentação e bebidas: -0,67% (-0,14 p.p.)
- Habitação: 0,99% (0,15 p.p.)
- Artigos de residência: 0,07% (0 p.p.)
- Vestuário: -0,66% (-0,03 p.p.)
- Transportes: 0,05% (0,01 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (0,06 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,22% (0,02 p.p.)
- Educação: -0,03% (0 p.p.)
- Comunicação: 0,04% (0 p.p.)

Alimentos
Pelo segundo mês consecutivo, o grupo alimentação e bebidas, o de maior peso na cesta de compras das famílias brasileiras, apresentou deflação, ou seja, inflação negativa. Em junho, o recuo foi de 0,24%.

A alimentação especificamente no domicílio ficou 1,14% mais barata em julho, puxada pela queda do subgrupo tubérculos, raízes e legumes (-16,15%).

Veja os subitens alimentícios que mais puxaram a inflação para baixo:

- Tomate: -29,09% (-0,10 p.p.)
- Batata-inglesa: -19,59% (-0,06 p.p.)
- Cenoura: -14,41% (-0,01 p.p.)
- Café moído: -2,45% (-0,01 p.p.)

Em relação ao café, o IBGE destaca que a queda em 12 meses (-17,2%) é a maior desde o início do plano Real, em 1994. O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que os alimentos mais baratos são reflexo de maior oferta de produtos, beneficiada por questões climáticas. "O clima ficou mais favorável", afirma.

Energia elétrica
A energia elétrica ficou 3,09% mais cara, exercendo principal impacto individual de alta no mês (0,13 p.p.). De acordo com o IBGE, a explicação está em reajustes em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é um índice nacional, comportamentos específicos em regiões pesquisadas são refletidos na média final do índice.

Fernando Gonçalves lembra que a conta de luz deve apresentar um refresco no bolso em agosto, uma vez que consumidores receberão o desconto na fatura de energia conhecido como Bônus Itaipu, já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Transportes
Dentro do grupo transportes, as passagens aéreas se destacaram como maior aumento (11,67%). Já os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos, com recuo do etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).
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