Publicado 23/10/2025 13:27
Três dias de uma maratona de aprendizados tecnológicos para estudantes mulheres de escolas públicas. Esse foi o HackGirls, promovido pelo Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz, que selecionou 59 meninas para desenvolverem protótipos de soluções tecnológicas para problemas reais apontados por elas próprias: adultização, questões de saúde mental devido a preocupações com o futuro e falta de ensino de qualidade. As jovens também receberão bolsas individuais de R$ 400 por seis meses e capacitação tecnológica. Das oito equipes formadas pelas estudantes, três se destacaram: Matinta, de Nilópolis, em primeiro lugar; Mary Jackson, de Madureira, em segundo; e Science Gurlz, também de Nilópolis, em terceiro.
PublicidadeA equipe Matinta, vencedora da edição, elaborou a ideia de um aplicativo chamado “Saberes Encantados”, que possuiria um banco de questões gamificadas focadas em português e matemática, além de teste vocacional e acompanhamento psicológico feito por graduandos(as) de psicologia. “É muito gratificante estar aqui e representar a nossa Baixada, as meninas e o nosso colégio”, conta Gabriela Lesse, uma das integrantes do grupo vencedor, ao lado de Anna Júlia Ribeiro, Kauane Leandro, Maria Eduarda Barbosa, Maria Eduarda Tinoco e Yasmin Vitória de Carvalho.
Também preocupada com a educação, a equipe Mary Jackson formatou um aplicativo de nome “Entre Laços”, que seria focado em videoaulas de matemática para normalistas, acolhimento e pertencimento. Com impressora 3D, fizeram um pingente com o símbolo do infinito entrelaçado, formando um coração. Já a equipe Science Gurlz direcionou seu olhar para a saúde mental e criou o “e-Juma”, um aplicativo com gamificação, recompensas e trilhas personalizadas, além de organização de agenda para estudos. Seu slogan era “play na calma e pausa na ansiedade”.
Voltado a meninas cis, trans e não binárias, moradoras de territórios urbanos vulneráveis, o HackGirls oferece um espaço de protagonismo feminino e jovem. Durante o hackaton, as participantes contaram com o apoio de cientistas da Fiocruz e demais profissionais das áreas de tecnologia e inovação, que atuaram como mentores. Segundo os organizadores, o objetivo é inspirar jovens estudantes a seguirem carreiras em ciência e tecnologia e contribuir para a redução das desigualdades por meio da educação, inovação e do fortalecimento da cidadania digital.
Klena Sarges, Pesquisadora Titular em Saúde Pública e coordenadora do HackGirls conta que em toda edição descobre algo diferente com as participantes: “Nesta edição aprendi que não basta só educação. Claro que conhecimento é poder, mas, além disso, é muito importante que mostremos para elas e que fique sempre latente na mente delas que são capazes de fazer qualquer coisa, que ninguém pode dizer para elas que elas não vão chegar a lugar nenhum. Elas podem inclusive mudar a situação das próprias famílias e das comunidades delas a partir desse aprendizado. Aprendemos todo ano que é preciso ampliar esse projeto para dar chance de mais meninas chegarem a acessar esse conhecimento para no futuro nós termos realmente mais cientistas, mais mulheres na tecnologia”.
A programação incluiu minipalestras de mulheres cientistas, oficinas de Design Thinking e de Pitch, mentorias técnicas, além de momentos de celebração com atividades culturais, com direito a um pocket show da MC Soffia. No último dia, as equipes apresentaram seus projetos a uma banca de especialistas. Todas as participantes receberam kit alimentação, transporte e suporte pedagógico durante os três dias.
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