Fazer um curso técnico ou profissionalizante é uma forma de aprender um novo ofício e aumentar as chances de se colocar no mercado de trabalho. Mas a qualificação pode esbarrar em um impeditivo: os custos para bancar os estudos. Nesse sentido, oportunidades gratuitas oferecidas por instituições públicas e privadas podem garantir uma "virada" na carreira.
Caio Vinícius Calmon de Oliveira, de 33 anos, observa uma transformação após ingressar, há dois anos, em um curso técnico de administração ofertado gratuitamente por uma instituição privada de educação profissional. Pai de quatro filhos, ele conta que estava desempregado à época e não teria condições de bancar as aulas.
"Quando eu me inscrevi, eu não teria a condição financeira de poder assumir essa responsabilidade, até porque eu estava desempregado, recebendo auxílio. Sustentar uma família de quatro filhos é difícil, né?", lembra.
O curso que Caio realizou faz parte de um programa da organização voltado à população que tem renda familiar mensal per capita de até dois salários mínimos. Na mesma instituição, sem a gratuidade, a formação teria o custo total de cerca de R$ 3,6 mil.
Caio conseguiu emprego após realizar um curso técnico de administraçãoArquivo pessoal
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"Eu aprendi ferramentas práticas que a gente pode empregar no trabalho e o que acontece no dia a dia, de verdade, dentro da profissão. O curso também me preparou para eu enfrentar qualquer tipo de processo seletivo, me deu um impacto pessoal que mudou a minha vida literalmente. É como se [antes] eu tivesse uma visão singular e o curso me trouxe uma visão na pluralidade, abrindo um leque, e me fazendo descobrir novas capacidades", explica.
Atualmente, Caio trabalha como atendente administrativo em uma empresa de medicina diagnóstica. Por mais que cumpra mais funções operacionais que administrativas, ele acredita que conseguiu ser contratado devido à sua formação técnica. Além disso, a qualificação possibilitou que ele preste serviços a um escritório de contabilidade, o que ajuda a complementar a renda no fim do mês.
"Com a ajuda do curso, eu consegui arrumar um emprego muito melhor. Hoje a parte financeira é muito melhor. Sem contar os serviços extras, porque aparece bastante serviço lá no escritório de contabilidade. Eu tenho, praticamente, duas fontes de renda, sendo uma fixa, que é o meu emprego CLT", conclui.
Opções para cariocas
Os cariocas que desejam ingressar em cursos de qualificação profissional podem contar com as oportunidades da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda (SMTR). A pasta mantém uma agenda permanente de turmas e oferece diversas formações — como designer de unhas e de sobrancelhas, maquiagem, penteado, garçom, orientador de hotelaria, auxiliar de cozinha, assistente de logística, auxiliar administrativo, entre outros.
Para os moradores da cidade do Rio que têm de 15 a 29 anos, outra opção são os Espaços da Juventude, da Secretaria Especial da Juventude Carioca (JuvRio), que oferecem formações voltadas para as "profissões do futuro", com cursos de programação, robótica, informática, produção audiovisual, entre outros. A iniciativa possui sete unidades, distribuídas nos bairros Estácio, Cidade de Deus, Madureira, Vigário Geral, Jacarezinho, Vargem Pequena e Campo Grande.
Outro espaço da JuvRio é a Casa da Juventude, com unidades na Providência e na Pavuna, que oferece cursos, oficinas e atividades voltadas ao desenvolvimento profissional e ao empreendedorismo, com capacitações nas áreas de beleza, tecnologia, música, idiomas, informática e economia criativa.
Os cursos promovidos pela SMTR, pela JUVRio e por demais secretarias municipais são divulgados no portal Oportunidades Cariocas, disponível no endereço eletrônico https://pref.rio/servicos/cursos, no qual devem ser realizadas as inscrições gratuitas. O site também fornece informações sobre duração, modalidade e acessibilidade das formações.
Iniciativas de faculdades e instituições de ensino
Uma outra forma de entrar em cursos profissionalizantes é ficar atento a oportunidades ofertadas por faculdades e instituições de ensino privadas. Foi dessa maneira que Carlos Eduardo Melo de Paiva, de 21 anos, pôde aprender o ofício que exerce atualmente.
Há três anos, após ver uma publicação em rede social, Melo se candidatou ao curso de fotografia e audiovisual oferecido por uma universidade particular para jovens de comunidades. Ele relata que já possuía noções básicas sobre conceitos da área, mas que foi durante a formação que obteve as habilidades necessárias para seu trabalho.
Habilidades aprendidas em curso gratuito possibilitaram que Carlos Eduardo transformasse hobby em trabalhoArquivo pessoal
"Basicamente, tudo que aprendi sobre enquadramento, mexer numa câmera e outros detalhes foi no curso e estou conseguindo usar no meu trabalho. Antes eu já tinha uma noçãozinha, mas nada muito sério, mais por hobby mesmo. Depois do curso, realmente tomei gosto pela coisa e decidi trabalhar disso", destaca.
O jovem observa que, para além dos conhecimentos técnicos, a formação possibilitou que ele construísse uma rede de contatos. Hoje, Carlos Eduardo atua de maneira autônoma como fotógrafo e videomaker, e a atividade é a sua principal fonte de renda.
O custo de um curso de fotografia com duração de um ano, como o que Carlos Eduardo fez, costuma varia a depender da organização, mas facilmente pode ultrapassar R$ 1 mil.
Por que investir tempo em um curso?
A especialista em Recursos Humanos Caroline Cabral Valente defende que, apesar de haver maior facilidade e "democratização" do acesso ao conhecimento por causa da internet, os cursos oferecem a chance de aprender na prática habilidades requisitadas pelo mercado de trabalho:
"O curso continua sendo um diferencial nos dias de hoje, porque você tem a possibilidade de ouvir uma experiência prática de um profissional que já vivenciou aquilo que está te ensinando, de ouvir histórias, de aprender habilidades, de executar alguma coisa que somente um professor pode compartilhar com você."
Caroline destaca que o mercado de trabalho tende a valorizar profissionais que tenham especializações dentro de sua própria área e possuam conhecimento que vai além do generalista. Por isso, considera que buscar a qualificação é essencial.
Buscar cursos é 'essencial', defende Caroline Cabral ValenteArquivo pessoal
"Muitos profissionais acreditam que ter ensino médio completo ou faculdade vai ser uma garantia de que conseguirão emprego com melhor remuneração. Na verdade, o que vai garantir uma remuneração mais justa são as especializações, o conhecimento mais aprofundado para executar algo", explica.
"O profissional que não busca atualização vai ficando defasado para o mercado e perdendo vantagem competitiva. Buscar cursos, reciclagens, treinamentos é essencial para o profissional se manter atualizado e competitivo num mercado cada vez mais acelerado", completa a especialista em RH.
O diretor regional do Senac RJ, Sérgio Ribeiro, destaca que a realização de cursos aumenta as chances de um profissional conseguir emprego, porque o capacita para as exigências do mercado de trabalho. Segundo pesquisa de 2025 do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ) a taxa de empregabilidade dos alunos do Senac passa de 44% para 52%.
"A educação profissional é um dos principais caminhos para ampliar a empregabilidade, porque aproxima o aluno das competências que as empresas realmente procuram. O mercado de trabalho está em constante transformação e exige profissionais tecnicamente preparados, mas também capazes de aprender continuamente, resolver problemas, trabalhar em equipe e utilizar novas tecnologias", observa Ribeiro.
Sérgio Ribeiro acredita que capacitação profissional 'pode representar mudança de trajetória'Divulgação
O Senac RJ oferece cursos nas áreas de Administração, Audiovisual e Eventos, Beleza, Bem-estar e Estética, Decoração e Design de Interiores, Design e Comunicação Visual, Gastronomia, Mercado Pet, Moda, Saúde, Tecnologia da Informação e Turismo e Hotelaria. As oportunidades gratuitas são destinadas a pessoas com renda familiar per capita de até dois salários mínimos.
Para Ribeiro, a qualificação profissional oferece resultados que vão além dos conhecimentos práticos. Ele acredita que a capacitação é "uma ferramenta de transformação social e econômica".
"A capacitação profissional pode representar uma mudança de trajetória. Ela abre portas para o primeiro emprego, facilita a recolocação profissional e cria oportunidades de crescimento para quem já está no mercado. Mais do que desenvolver habilidades técnicas, a qualificação fortalece a autoconfiança, amplia a visão de futuro e prepara as pessoas para acompanhar as mudanças do rumo do trabalho", conclui Ribeiro.
* Reportagem do estagiário Victor Louro, sob supervisão de Marlucio Luna
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CursosTânia Rêgo / Agência Brasil
Habilidades aprendidas em curso gratuito possibilitaram que Carlos Eduardo transformasse hobby em trabalhoArquivo pessoal
Buscar cursos é 'essencial', defende Caroline Cabral ValenteArquivo pessoal
Caio conseguiu emprego após realizar um curso técnico de administraçãoArquivo pessoal
Sérgio Ribeiro acredita que capacitação profissional 'pode representar mudança de trajetória'Divulgação
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