Vini Jr e Prestianni no jogo entre Benfica e Real MadridPatrícia de Melo Moreira / AFP
Publicado 02/03/2026 17:42 | Atualizado 02/03/2026 17:56
Rio - A Fifa quer endurecer as regras contra a discriminação e planeja implementar, já na Copa do Mundo de 2026, uma norma que pune atletas que cobrirem a boca ao falarem com adversários. A proposta, que vem sendo chamada de "Lei Vini Jr", prevê a expulsão direta de quem adotar esse gesto para esconder possíveis ofensas racistas. O tema deve ser votado em uma reunião extraordinária da International Football Association Board (IFAB) no final de abril, em Vancouver, para que a medida entre em vigor antes do Mundial, em junho.

A iniciativa ganhou força após o episódio ocorrido em 17 de fevereiro, durante o jogo entre Real Madrid e Benfica pela Liga dos Camepões. Na ocasião, Vini Jr denunciou insultos racistas vindos do argentino Gianluca Prestianni. Imagens mostraram que Prestianni cobriu a boca com a camisa enquanto se dirigia ao brasileiro, o que dificultou a leitura labial e a comprovação imediata do insulto. O caso, que resultou em uma suspensão preventiva do argentino pela Uefa, tornou-se o principal motivo do debate.
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Gianni Infantino, presidente da Fifa, defendeu publicamente a "presunção de culpa" para quem esconder a fala durante discussões. "Se um jogador cobrir a boca e falar algo, e isso tiver um impacto racista, ele precisa ser expulso. Se você não tem nada a esconder, você não tapa a boca quando diz algo", afirmou o dirigente em entrevista à Sky News, no último domingo (1).

Para que a mudança seja oficializada, a proposta precisa de seis dos oito votos da IFAB, órgão composto pela Fifa e pelas associações britânicas. O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, confirmou que o assunto é prioridade e que a meta é apresentar a nova determinação antes da Copa. Membro da IFAB, o diretor executivo da federação inglesa, Mark Bullingham, concorda que há poucas justificativas para um atleta tapar a boca ao falar com rivais, mas pede cautela para que a nova regra não gere mais conflitos.
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