Edmílson foi um dos pilares na campanha do penta em 2002Carl de Souza / AFP
Publicado 13/06/2026 07:30 | Atualizado 13/06/2026 10:01
O ex-zagueiro Edmílson, que teve passagens por clubes como Barcelona, São Paulo e Palmeiras, foi um dos pilares da seleção brasileira na Copa do Mundo 2002, e espera acompanhar a conquista do hexa. Ao DIA, o ex-defensor abordou os desafios na campanha do pentacampeonato, opinou sobre a convocação de Neymar e analisou o trabalho do técnico Carlo Ancelotti, contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em maio de 2025.

"Tem pouco tempo, mas é muito legal, muito bom [o trabalho de Ancelotti]. É importante que tenha tempo neste momento de reformulação. Por isso que até a própria CBF deu um trabalho mais longo para ele, até 2030. Temos novos talentos, que estão indo pela primeira vez. Acho que a Seleção sempre chega forte em Copas do Mundo. A nível de favoritismo, todas as vezes em que o Brasil era muito favorito, não levou. Quando estava desacreditado, acabou levando. Espero que essa Seleção se fortaleça durante a Copa e possa trazer o hexa".

Apesar da campanha de 2002, a última conquista do Brasil, ser muito lembrada em épocas de Copa, o ex-defensor rechaçou comparações, ressaltando que cada time tem os seus talentos e desafios. "Nós tivemos dificuldades durante a Copa do Mundo, muitos chegaram desacreditados individualmente e coletivamente. Fomos nos fortalecendo durante o torneio, é importante destacar isso. O primeiro jogo foi muito difícil, contra a Turquia. Não imaginávamos que pegaríamos eles de novo na semifinal. Mas não gostaria de fazer comparações, são tempos diferentes e cada geração tem o seu valor".
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Versatilidade

Edmílson era conhecido por ser um jogador versátil: apesar de fazer principalmente a função de zagueiro, também podia jogar de volante. Para ele, uma das vantagens da atual Seleção é ter jogadores que podem atuar em mais de uma posição no campo.

"A Seleção tem levado jogadores importantes a nível de fazer mais de uma função. Seja na defesa, no meio-campo, no ataque. Acho que uma das coisas que o Ancelotti observou bastante foram os jogadores que poderiam fazer mais de uma função. Assim, pode ter alternativas independentemente das situações no decorrer dos jogos. Acho que a Seleção foi bem convocada, com jogadores que fazem múltiplas funções. Foi o caso não só meu, mas também do Gilberto, do Roque, do Lúcio. Assim, formamos uma equipe sólida".

A versatilidade de Edmílson, por sinal, foi um fator importante para ele marcar um gol na Copa do Mundo de 2002, um dos mais bonitos daquela edição, na vitória por 5 a 2 sobre a Croácia, na fase de grupos. O ex-jogador relembrou como foi invadir a área adversária e chutar com maestria para o fundo das redes.

"Tínhamos liberdade porque jogávamos com três zagueiros. Quando eu jogava no meio, tinha a liberdade de chegar até o meio-campo para poder realmente jogar. A jogada do gol foi interessante, tabelei desde lá de trás e acabei indo para a área. A bola resvalou no cruzamento do Júnior, consegui voltar e fazer aquele movimento fantástico. Foi importante o gol tanto para mim quanto para o time, apesar de termos ganhado o jogo de 5 a 2".

'Todos no mesmo foco'

Edmílson também relembrou como foi a montagem do esquema e a construção do ambiente que conseguiu encerrar o Mundial com 100% de aproveitamento - foram sete vitórias nos sete jogos. Ele destacou a importância do técnico Felipão em todo o processo para fechar o grupo.

"A nível de foco, tínhamos certeza de que precisávamos fechar bem o grupo. Felipão foi um grande professor. Era zero vaidoso, não tinha ambiente ruim. Os bastidores de jogo foram muito importantes, a liderança dele. Deixava todos com o mesmo foco. Aquela Seleção tinha quatro laterais muito ofensivos [Cafu, Roberto Carlos, Belletti e Júnior]. Assim, surgiu a possibilidade de ter os três zagueiros e conseguimos, cada um com um perfil diferente, segurar a zona central".

"Depois, quando o Kleberson entrou, a partir das quartas de final, ganhamos uma solidez maior. Tínhamos o corredor direito do Cafu, que com o Juninho Paulista, que era um atacante, não conseguia fazer muito corretamente a recomposição. Mas fez um grande trabalho também. Penso que jogamos com três zagueiros por isso, pelas características dos laterais disponíveis à época".

'Trabalho sério'

Edmílson foi um dos campeões do mundo que marcou presença no treino do Brasil em março - Rafael Ribeiro / CBF
Edmílson foi um dos campeões do mundo que marcou presença no treino do Brasil em marçoRafael Ribeiro / CBF
Edmílson foi um dos campeões do mundo pelo Brasil que marcou presença nos treinamentos da Seleção na última Data Fifa antes da Copa do Mundo, em março, em meio aos amistosos contra a França e Croácia. Ele destacou a importância de os atletas campeões mundiais darem apoio ao atual elenco.

"A presença de jogadores que fizeram história não só na nossa geração, mas nas mais antigas, é muito importante. A nova gestão da CBF dá abertura não só aos jogadores, mas vimos o Felipão, por exemplo, que foi à Granja Comary para falar com o elenco, opinar. É importante. Alguns jogadores da Seleção não eram nem nascidos quando fomos campeões. Essa aproximação é importante".

Um dos temas mais debatidos nos últimos meses antes da convocação final foi a presença de Neymar na lista definitiva. Edmílson não se esquivou da pergunta sobre o craque e afirmou que, há anos, ele vem fazendo grandes jogos pela Seleção e chamando a responsabilidade. "Acredito muito que vá agregar para os jovens, para os mais experientes. Com toda a bagagem que tem, acho que pode ajudar muito tanto dentro quanto fora de campo". O craque sofreu uma lesão grau 2 na panturrilha direita às vésperas da Copa e desfalca o Brasil na estreia, neste sábado (13), contra o Marrocos.

'O Brasil tem sempre que ganhar'

Durante participação no programa 'Charla Podcast', transmitido em 10 de novembro de 2025, o meia Vampeta, que fez parte do elenco pentacampeão, declarou que não só ele, mas "todo mundo que foi campeão" torce contra o Brasil em Mundial, para que a equipe de 2002 siga sendo lembrada. Edmílson rechaça esse rótulo, destacando como o time comandado por Felipão sempre ficará na história e ressaltando a sua torcida pelo hexa.

"Para mim, quando você é campeão do mundo, será para sempre lembrado. Ganhar a Copa do Mundo fica para uma porcentagem muito pequena de jogadores. Não só aqui no Brasil, mas em todos os países. É uma brincadeira do Vampeta, eu não tenho essa visão. Vivo do futebol, do ecossistema do futebol, assim como os treinadores, jornalistas, preparadores físicos, entre outros. O futebol brasileiro em exposição, pode ter certeza que gera muito mais demandas de contratações do próprio futebol brasileiro. Todos ganham. Se pensássemos só em nós, seríamos muito egoístas. Quando a Seleção é campeã de qualquer torneio, o mercado do futebol ganha. Por isso, não penso assim. Para mim, o Brasil tem sempre que ganhar, estar na liderança. É assim que deve ser".
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