Estádio de Toronto, no CanadáCole Burston / AFP
Publicado 10/07/2026 07:00 | Atualizado 10/07/2026 07:16
O Canadá recebeu a Copa do Mundo pela primeira vez na história ao sediar a competição junto ao México e os Estados Unidos. O momento foi especial para torcedores canadenses e de outros países, que transformaram as cidades de Vancouver e Toronto em verdadeiros pólos do futebol mundial nos meses de junho e julho. Mas além dos fãs e dos times, o espetáculo também foi construído a partir de colaboradores que trabalharam nos estádios e seus arredores, garantindo que as festas acontecessem sem problemas e da forma mais confortável possível para o público.
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Um deles foi o carioca Bruno Rocha, de 23 anos. Ao DIA, ele contou detalhes sobre a sua experiência em trabalhar no estádio de Toronto para auxiliar no maior campeonato de futebol do planeta. Ele está na cidade desde o início do ano, com o objetivo de buscar um curso profissionalizante e se inserir no mercado de trabalho local. O brasileiro contou que a oportunidade surgiu de uma forma bem "sutil".

"Foi um grupo de WhatsApp onde as pessoas procuram empregos e coisas para vender. Eu acabei vendo uma pessoa botando uma vaga lá que precisava para a Copa do Mundo, e tinha que enviar uma ficha no e-mail. Eu acabei fazendo essa ficha, mandando o e-mail, e deu tudo certo. Acabou que fui relacionado para trabalhar na Copa", afirmou.

Bruno trabalhou no jogo entre Canadá e Bósnia, no último dia 12 de junho, partida que marcou a estreia dos canadenses em casa na Copa do Mundo e terminou empatada em 1 a 1. O brasileiro ficou na parte da limpeza e descreveu seu trabalho como "bem tranquilo".

"Não tinha muito lixo no chão. Tinha mais bituca de cigarro. Isso daí não tem como fugir, a galera que fuma. Então, antes, tem que dar a limpada também, tirar a bituca de cigarro. Mas tinha pouco lixo, um copo de plástico aqui ou ali. Talvez é porque a pessoa deixa em cima, ele esquece e voa, aí cai no chão. Mas o pessoal foi muito educado, todo mundo na esportiva."

A sensação de fazer parte da Copa do Mundo foi indescritível, na avaliação de Bruno. "Foi muito irado, de verdade. A galera com emoção, foi muito legal. Eu fiquei mais na parte de fora do estádio. De vez em quando, eu podia entrar ali e ficar perto do gramado. Não conseguia ver o jogo muito bem, mas mesmo assim, dava", afirmou.

O turno dele foi das 11h às 19h, enquanto a partida se iniciou às 15h (horário local). "A gente já tinha que fazer um esquema ali, deixar tudo nos preparativos, tudo limpinho. Depois, tem o pós também, que é limpar tudo. Então, foi de boa, bem organizado."

Ele explica que só não marcou presença em outros confrontos devido a uma quebra de contrato da empresa.

"Eu só não continuei trabalhando nos próximos porque a empresa que me contratou, que fez convênio com a com a Fifa, quebrou o contrato por causa de erros que tiveram em outro dia, que não foi do meu turno. Um funcionário da empresa que eu estava trabalhando reclamou de maus-tratos lá, coisa que comigo não teve, mas tiveram pessoas que reclamaram de maus-tratos, por parte da galera da Fifa, e o pessoal da empresa optou por quebrar o contrato. Eu acho que foi algo muito sério, para quebrar o contrato com a Fifa", ponderou.

O estádio de Toronto, chamado oficialmente de BMO Field, foi inaugurado em 2007 e tem capacidade para 45 mil pessoas. É a casa do Toronto FC, que disputa a Major League Soccer (MLS), principal liga de futebol norte-americana. Já a cidade é a mais populosa do Canadá, com cerca de 2,8 milhões de habitantes.

'Energia mudou completamente'

Bruno também confessou, ao DIA, que os canadenses não estavam muito em clima de Copa semanas antes do torneio começar, mas isso mudou completamente com o início do torneio: tanto os moradores de Toronto quanto os turistas que compareceram à cidade se empolgaram pela competição e rapidamente tomaram as ruas com festas, decorações e muita animação.

"A energia mudou completamente, antes e depois da Copa começar. Deu para ver que a galera estava em peso aqui, cada time que representava o seu país. Os canadenses estavam em peso no estádio. Não tinham tantos torcedores da Bósnia, mas mesmo assim, tinham alguns. Parecia até jogo de beisebol [um dos esportes mais populares do Canadá], só que era futebol", disse.

"A rua também ficou lotada. Pacificamente, lógico. Tinham várias áreas com telões. Na CN Tower [uma das atrações turísticas da cidade], no bairro de Liberty Village, no Lake Shore, na beira do lago... E tá todo mundo no clima. Estou vendo pessoas de camisa, botando bandeira no carro. A cidade inteira mudou. Terminal de ônibus, ponto de metrô, ficou tudo com decoração da Copa", explicou.

Além de Canadá 1x1 Bósnia, a arena também recebeu, no Mundial, os seguintes jogos: Gana 1x0 Panamá, em 17 de junho; Alemanha 2x1 Costa do Marfim, em 20 de junho; Panamá 0x1 Croácia, em 23 de junho; Senegal 5x0 Iraque, em 26 de junho; e Portugal 2x1 Croácia, no último dia 2 de julho, este pelas oitavas e final.
Portanto, seis jogos da Copa do Mundo foram sediados em Toronto, enquanto sete confrontos aconteceram no estádio de Vancouver, no outro lado do país. O Canadá recebeu, no total, 13 de todas as 104 partidas do torneio, que está chegando na sua reta final.
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