Publicado 14/07/2026 08:00
Rio - A Copa do Mundo de 2026 conhecerá o primeiro finalista nesta terça-feira (14). França e Espanha se enfrentam às 16h (de Brasília), em Dallas, nos Estados Unidos, pela semifinal, em um duelo que colocará frente a frente os dois sistemas de formação de jogadores mais bem-sucedidos do futebol europeu nas últimas décadas.
Publicidade Os países apostam em filosofias distintas de formação de jogadores. A Espanha aposta na manutenção de uma identidade técnica construída pelos grandes clubes e reproduzida em todas as categorias da seleção. Já a França, por sua vez, segue um caminho diferente, apostando na diversidade e revelando atletas com diferentes perfis.
Mesmo seguindo caminhos distintos de formação, Espanha e França se tornaram um dos países que mais exportam jogadores no futebol, junto com Brasil, Argentina e Inglaterra. A diferença, no entanto, é como conseguem criar um fluxo de talentos de forma consistente e mantendo suas seleções entre as principais potências do mundo.
Espanha é dona da base mais vitoriosa da Europa
Semifinalista da Copa do Mundo pela primeira vez desde o título em 2010, a Espanha vem colhendo os frutos de um longo trabalho nas categorias de base. Dos jogadores convocados para o Mundial em 2026, nove são remanescentes do vice-campeonato olímpico para o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021. Entre eles, quatro estiveram em campo na vitória sobre a Bélgica, nas quartas de final.
Os remanescentes da final olímpica são: o goleiro Unai Simón, o zagueiro Eric García, os laterais Marc Cucurella e Alejandro Grimaldo, os meias Pedri, Mikel Merino, Dani Olmo e Martín Zubimendi, além do atacante Mikel Oyarzabal. Na época, a seleção espanhola também era comandada pelo técnico Luis de la Fuente, que se tornou o comandante da equipe principal em dezembro de 2022.
Luis de la Fuente assumiu o comando da seleção espanhola nas categorias de base em 2013 e se tornou o primeiro técnico a conquistar títulos europeus nas categorias sub-19, sub-21 e na equipe principal. Após a eliminação da Espanha na Copa do Mundo de 2022, foi escolhido para comandar a seleção principal e promoveu a base sólida construída nas divisões inferiores.

O sucesso espanhol não é acaso. Desde a década de 1990, a Federação Espanhola passou a investir na padronização das seleções de base, fazendo com que todas as categorias jogassem com princípios semelhantes aos da equipe principal. O auge do trabalho foram os títulos europeus de 2008 e 2012, além da Copa do Mundo de 2010, com uma geração com craques como Xavi e Iniesta.
A principal referência é a La Masia, do Barcelona. Se na última grande geração espanhola o clube catalão foi responsável por nomes como Xavi, Iniesta, Busquets e Piqué, atualmente foi quem revelou jogadores como Yamal, Cubarsí e Gavi. Mas o sistema espanhol não depende apenas do Barça. Outras academias como Real Madrid, Athletic Bilbao, Real Sociedad e Villarreal abastecem a seleção.
Dentro de campo, a Espanha chega para a semifinal da Copa do Mundo como a seleção mais vencedora do ciclo europeu. A seleção espanhola conquistou o título da Liga das Nações de 2023 e a Eurocopa de 2024, além do vice-campeonato da Liga das Nações de 2025. Ou seja, a equipe de Luis de la Fuente disputou as três últimas finais de competições da Uefa e tenta consagrar a nova geração no Mundial.
França aposta em modelo descentralizado e 'abastece' o mundo
Se a Espanha concentra sua produção em grandes academias, a França segue um caminho praticamente oposto e aposta em um sistema descentralizado. O país criou uma enorme rede nacional de formação que identifica talentos ainda na infância, chamado de Clairefontaine. O centro nacional foi responsável por desenvolver craques como Thierry Henry e Kylian Mbappé.
A criação de Clairefontaine em 1988 foi determinante para a virada de chave no futebol francês. Desde a sua fundação, a França disputou quatro finais de Copa do Mundo e conquistou dois títulos. O centro de formação aposta no desenvolvimento das habilidades técnicas, físicas e mentais dos jogadores. A permanência no projeto depende também do desempenho escolar, reforçando a ideia de formar cidadãos.
Em meio a isso, os clubes também possuem estruturas com capacidades de revelar jogadores. Os principais formadores são Rennes, Lyon, Monaco, Lille, Sochaux, Toulouse, Le Havre e Paris Saint-Germain. Dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026, 25 foram formados em centros de formação franceses. A única exceção é o atacante Michael Olise, que fez sua formação na Inglaterra.
A diversidade demográfica do país reflete na formação dos jogadores. Na Copa do Mundo de 2026, 99 atletas nasceram na França e fizeram a sua formação no país. Ao todo, 76 optaram por representar outras seleções. Ou seja, quase 8% de todos os convocados para o Mundial nasceram em território francês, o que torna a França hoje a maior fábrica de talentos do futebol.
Na Copa do Mundo de 2026, os países mais beneficiados com a formação francesa são Argélia, com 13 jogadores nascido em território francês; o Haiti, com 12; a República Democrática do Congo, com 11; e Senegal, com 10. Outros países como Marrocos, Tunísia, Costa do Marfim e Cabo Verde também se beneficiaram. Entre os principais nomes estão o argelino Mahrez e o marroquino Hakimi.
Mesmo sem conquistar títulos com suas seleções durante o ciclo da Copa do Mundo de 2026, a seleção francesa foi semifinalista da Eurocopa de 2024 e terceira colocada na Liga das Nações 2025. A exemplo da Espanha, a França tem conseguido substituir uma geração campeã por outra sem perder a competitividade, o que prova o sucesso do trabalho na formação de atletas.
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