Roger Ibañez, zagueiro do Al-AhliReprodução / Instagram
Publicado 25/03/2026 09:02
Rio — Convocado pela primeira vez para a seleção brasileira sob o comando de Carlo Ancelotti, o zagueiro Roger Ibañez, do Al-Ahli, vive um grande momento na carreira, mas tem seu nome envolvido há anos em um processo milionário que envolve também o seu ex-clube, o Fluminense. O Players RS Futebol Clube, da 3ª divisão do futebol gaúcho, clube que formou o atleta, cobra o Tricolor na Justiça pelo pagamento de uma dívida de R$ 5 milhões.

O defensor jogou a base no Players RS e depois fechou com o clube carioca, onde foi revelado em 2018. O Fluminense, então, vendeu Ibañez o jogador à Atalanta por 4 milhões de euros (R$ 17,2 milhões na cotação da época) em 2019. No entanto, já neste momento, o clube carioca tinha dívida com o PRS pela aquisição de 70% dos direitos econômicos do jogador, de acordo com a "ESPN".

O Tricolor, então, fez o acordo para pagar a dívida em duas parcelas, de 400 mil e 300 mil euros. A primeira foi paga em setembro de 2019, e então, a Justiça arquivou o processo a pedido do PRS, que esperava que os cariocas pagariam o restante do valor, após nova venda do jogador para a Roma, em 2020.
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No entanto, o repasse nunca aconteceu e agora, o montante está avaliado em quase R$ 5 milhões, segundo cálculos do time gaúcho, incluindo correções monetárias, juros e honorários advocatícios.

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'Sensação ruim'

Em entrevista, o dono do Players RS e técnico que revelou Ibañez, Edmilson Silva, deu detalhes sobre o caso e falou sobre a situação financeira delicada do clube.

"Eles nunca foram corretos em nenhuma parte. É algo que não sou só eu que sofro, vários clubes já passaram por isso, mas é tão ruim, porque se o dinheiro do Ibañez entra, todos os meus parceiros teriam recebido. O PRS teria uma parte para poder trabalhar mais dois, três anos atrás de um outro atleta. Então, a gente fica assim hoje, joga um ano e o outro não pode jogar, tenta juntar dinheiro", disse.

"É uma sensação ruim, porque por mais que tenha colocado na Justiça, está lá há quatro anos e ninguém fala nada. O presidente da época falou que não ia pagar e não pagou mesmo. Ele já saiu, entrou um outro e eu realmente não sei aonde isso vai parar, como vai ser, se um dia eu vou receber."

Edmilson também falou do momento do Fluminense, que disputou a Copa do Mundo de Clubes recentemente, e projetou que o PRS "tem que dar a volta por cima".

"Um dia esse dinheiro vai vir, não sei quando. O Fluminense está aí ganhando competições, foi para o Mundial, ganhou muito dinheiro e não pode chegar para um clube como o PRS e falar: ‘Está aqui o teu dinheiro, tenta fazer mais um jogador para mim’? Para o Fluminense eu não boto mais um jogador. É triste, porque eles não precisaram ter feito isso, é muito dinheiro que eles têm para não pagar um valor que poderia mudar a minha vida e a das pessoas que são nossos parceiros aqui, a vida de novos atletas."

Outro lado

No processo, que corre na 39ª Vara Cível do Rio, o Fluminense alega "ausência de comprovação do preenchimento das condições para pagamento da segunda parcela", além de "discussão quanto à força obrigatória das cláusulas contratuais" e "alegação de excesso no valor cobrado pelo PRS".
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