Nova legislação municipal atende a um desejo cada vez mais comum entre famílias que consideram os animais de estimação parte integrante de suas vidasFoto: Ilustração
Publicado 12/08/2026 11:16
Macaé - O último adeus ganhou um novo significado para famílias de Macaé. Cães e gatos agora podem ser sepultados nos mesmos jazigos de seus tutores ou de familiares, uma possibilidade que reconhece oficialmente um vínculo afetivo cada vez mais presente dentro dos lares. Com a medida, o município se tornou o primeiro do interior do Estado do Rio de Janeiro a permitir esse tipo de sepultamento.
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A autorização está prevista na Lei Municipal nº 5.539/2026 e já começou a ser aplicada nos cemitérios públicos e privados da cidade. A legislação permite que cães e gatos, independentemente do porte, sejam enterrados em jazigos pertencentes à família ou a parentes, desde que exista espaço disponível na sepultura ou na gaveta familiar.
De acordo com o secretário municipal de Cemitérios, Elias Jorge, conhecido como Paulista, o procedimento não exige o pagamento de taxas adicionais quando a família já possui o jazigo ou a gaveta funerária. A medida vale exclusivamente para cães e gatos.
“Por enquanto, autorizamos apenas cães e gatos, independentemente do porte. O importante é que a família possua um jazigo ou uma gaveta própria para realizar o sepultamento”, explicou.
A legislação também estabelece critérios para garantir a segurança sanitária. Antes do sepultamento, a família deverá apresentar um laudo emitido por médico veterinário regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). O documento precisa comprovar que o animal não morreu em decorrência de doença infectocontagiosa.
Outro requisito é a utilização de uma caixa ou urna funerária adequada para acomodar o corpo do animal. A responsabilidade pela aquisição do recipiente fica a cargo da família.
“Não há burocracia excessiva, mas é fundamental garantir a segurança de todos e evitar qualquer risco de contaminação”, ressaltou Elias Jorge.
A primeira história escrita sob as novas regras já carrega um forte componente de afeto. No último dia 24 de julho, Maria Regina Bocampagni Izidoro, de 64 anos, foi sepultada ao lado de Tiesto, seu poodle e companheiro de quase duas décadas.
A despedida reuniu familiares e amigos e concretizou um desejo que Maria Regina havia manifestado em vida. Para a família, a possibilidade de manter os dois juntos também representou uma forma de respeitar a relação construída ao longo de tantos anos.
“Era um desejo da minha mãe. Ela viveu para ele e ele viveu por ela. Os dois devem estar felizes agora. Eles eram o amor da vida um do outro”, contou, emocionada, a filha Liliane Bocampagni.
A relação entre Maria Regina e Tiesto atravessou quase 20 anos e foi marcada por companhia, cuidado e afeto. Para Liliane, a nova legislação permitiu que a despedida também se transformasse em uma lembrança de uma história que ultrapassou a relação tradicional entre tutora e animal de estimação.
“Hoje, permanecem juntos até a eternidade. É um conforto para a família poder realizar o desejo de quem parte. Está me fazendo bem falar sobre isso e ver essa história de amor incondicional virar um legado”, afirmou.
A mudança na legislação acompanha uma transformação na forma como os animais são vistos dentro das famílias. Cães e gatos passaram a ocupar espaços afetivos cada vez maiores e, para muitas pessoas, são considerados integrantes do núcleo familiar.
Essa relação também muda a maneira como os tutores enfrentam a perda. A morte de um animal pode representar a ausência de um companheiro que esteve presente por anos, participou da rotina da casa e criou vínculos que permanecem mesmo depois da despedida.
Para Elias Jorge, a nova regra responde justamente a essa realidade e oferece uma alternativa para famílias que desejam preservar essa proximidade também no momento do sepultamento.
“A gente se apega aos bichinhos e trata como se fossem filhos. Em momentos difíceis, muitas famílias não sabem como lidar com a perda. A aceitação da iniciativa foi muito positiva e acreditamos que muitas pessoas serão beneficiadas”, concluiu.
Mais do que uma mudança nas regras dos cemitérios, a medida abre espaço para uma forma diferente de compreender a despedida. Em Macaé, o vínculo entre pessoas e seus animais agora também pode permanecer registrado no mesmo espaço de memória, permitindo que uma história de companheirismo continue lado a lado mesmo depois da vida.
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