Publicado 17/06/2026 09:53 | Atualizado 17/06/2026 16:26
Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumprimentaram durante um evento social na noite de terça-feira, 16, na cúpula do G7 em Évian-les-Bains. Os dois participaram da apresentação um coral organizado pelo governo francês seguido por um jantar, momento que eles teriam trocado os cumprimentos.
Uma das maiores expectativas para esta viagem do presidente aos Alpes Franceses era a possibilidade de Lula se reunir com o americano, onde trataria da ameaça de um novo tarifaço ao Brasil. Rapidamente, o Itamaraty descartou que uma bilateral estivesse em negociação.
Esperava-se então que os dois trocassem algumas palavras nos corredores da cúpula. Até o evento social, os dois mal haviam interagido nos momentos em que estiveram juntos.
Segundo relatos, Trump e Lula trocaram os cumprimentos em algum momento entre o coral e o jantar organizado por Emmanuel Macron. O evento foi restrito a chefes de Estado e não houve registros em imagens do momento.
Durante a chamada foto de família do G7 ampliado, que inclui os países convidados, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu durante a reunião do G7 ampliado sobre solidariedade internacional, quando Lula proferiu um discurso com críticas veladas ao americano.
Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país - uma retórica que tem lhe rendido dividendos eleitorais nas últimas semanas.
"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", disse o presidente.
"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", disse Lula.
Lula sentou praticamente de frente para Donald Trump na mesa de reunião. O republicano é um cético do multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos, como os tarifaços, criando o que chama de "Doutrina Donroe", em referência à Doutrina Monroe.
Desde o ano passado, quando Trump impôs pesadas tarifas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem apostado no discurso da soberania de olho em dividendos eleitorais.
Neste ano, dobrou a aposta nessa retórica após o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro ter visitado Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão das facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas.
PublicidadeUma das maiores expectativas para esta viagem do presidente aos Alpes Franceses era a possibilidade de Lula se reunir com o americano, onde trataria da ameaça de um novo tarifaço ao Brasil. Rapidamente, o Itamaraty descartou que uma bilateral estivesse em negociação.
Esperava-se então que os dois trocassem algumas palavras nos corredores da cúpula. Até o evento social, os dois mal haviam interagido nos momentos em que estiveram juntos.
Segundo relatos, Trump e Lula trocaram os cumprimentos em algum momento entre o coral e o jantar organizado por Emmanuel Macron. O evento foi restrito a chefes de Estado e não houve registros em imagens do momento.
Durante a chamada foto de família do G7 ampliado, que inclui os países convidados, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu durante a reunião do G7 ampliado sobre solidariedade internacional, quando Lula proferiu um discurso com críticas veladas ao americano.
Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país - uma retórica que tem lhe rendido dividendos eleitorais nas últimas semanas.
"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", disse o presidente.
"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", disse Lula.
Lula sentou praticamente de frente para Donald Trump na mesa de reunião. O republicano é um cético do multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos, como os tarifaços, criando o que chama de "Doutrina Donroe", em referência à Doutrina Monroe.
Desde o ano passado, quando Trump impôs pesadas tarifas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem apostado no discurso da soberania de olho em dividendos eleitorais.
Neste ano, dobrou a aposta nessa retórica após o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro ter visitado Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão das facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas.
Lula critica comportamento 'imperador' de Trump e o chama de 'mau exemplo' em conversa no G7
Ainda no encontro, Lula criticou o presidente Donald Trump durante uma conversa com o líder da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, na cúpula do G7, em Évian-les-Bains. O áudio do diálogo, que ocorreu após o encontro desta quarta, 17, foi captado pela agência de notícias AP.
"O Brasil não tem divergência com nenhum país. Eu não gosto de brigas.", disse o presidente.
O trecho seguinte é um tanto inaudível, mas ele afirma que não gosta do comportamento de "imperador" do presidente americano e classifica tal postura como um mau exemplo para a democracia.
"O Brasil não tem divergência com nenhum país. Eu não gosto de brigas.", disse o presidente.
O trecho seguinte é um tanto inaudível, mas ele afirma que não gosta do comportamento de "imperador" do presidente americano e classifica tal postura como um mau exemplo para a democracia.
Lula fez um novo discurso na reunião sobre "Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentado em benefício de todos", que já começou atrasada.
Também está prevista uma bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi e um almoço de trabalho sobre inteligência artificial envolvendo Big Techs.
Também está prevista uma bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi e um almoço de trabalho sobre inteligência artificial envolvendo Big Techs.
Lula diz que Trump conhece pouco o país e pede para que o norte-americano não se meta nas eleições brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Trump, "conhece pouco o Brasil" e que os Estados Unidos "poderiam aprender com o Brasil" sobre como ter "eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas". Lula foi enfático ao cobrar que Trump "não se meta nas eleições do Brasil" e respeite a soberania brasileira.
"Ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso", afirmou.
"Não tem país do mundo, e os EUA poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país do mundo que tenha sistema de urnas eletrônicas como o nosso, em que duas horas depois de terminar as eleições já sabemos quem são os eleitos. A gente não fica como no século passado, com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é meu amigo Trump", declarou.
Lula ainda brincou, dizendo que na próxima vez em que se encontrar com o norte-americano vai "levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como funciona".
O presidente brasileiro disse, ainda, que Trump "tem o direito de ter as preferências eleitorais e ideológicas dele".
"Só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro pai, filho, neto. Não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas gosto não se discute. Mas não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são um problema deles, não meu. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil como eu tenho pelos Estados Unidos", declarou.
A declaração, dada em entrevista coletiva à imprensa antes de deixar Genebra, na Suíça, para retornar ao Brasil, foi uma resposta ao que disse o presidente norte-americano há pouco. Trump afirmou que o Brasil é um "país duro politicamente" e "um pouco perigoso politicamente".
"Tem sido feio, ouvi que eles prenderam alguém que está concorrendo à Presidência. Ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr., ele estava indo bem nas pesquisas", afirmou o norte-americano, em entrevista coletiva após o G7. Trump confundiu Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal condenado nesta terça-feira, 16, pelo Supremo Tribunal Federal, com seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), este, sim, pré-candidato à Presidência.
O norte-americano completou: "eles jogam pesado, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos".
'Não pedi bilateral para o Trump porque ainda estamos em negociação'
Durante a coletiva, Lula ainda afirmou que não pediu uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque ainda está em negociação com o país referente às tarifas sobre produtos brasileiros. Lula disse que Trump fez "coisa desaforada" contra o Brasil e que ele tem conhecimento disto.
"Eu não pedi bilateral com o Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil e ele sabe disso. Por isso que eu digo que ele ainda continua agindo como um imperador", declarou o presidente
Lula disse ainda que Trump não é um bom ouvinte em reuniões e que, por este motivo, entregou documentos escritos durante a última reunião que teve com ele, na Casa Branca, no início de maio.
"O presidente Trump fala muito e ouve pouco. Então, eu fiz questão de entregar para ele, por escrito, o que nós queremos para combater o crime organizado, sobre questões de terras raras e minerais críticos e a questão do comércio", afirmou.
Lula disse ainda que tem a expectativa de conseguir um acordo com os Estados Unidos, apesar do que chamou de "rompante contra o Brasil". O presidente afirmou que pode ligar para Trump caso as negociações atuais se tornem infrutíferas.
"Estamos negociando e, na hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa", disse o presidente.
O presidente declarou que Trump desconhece a realidade brasileira se ela for baseada apenas no que é dito pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso", afirmou.
"Não tem país do mundo, e os EUA poderiam aprender com o Brasil de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país do mundo que tenha sistema de urnas eletrônicas como o nosso, em que duas horas depois de terminar as eleições já sabemos quem são os eleitos. A gente não fica como no século passado, com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é meu amigo Trump", declarou.
Lula ainda brincou, dizendo que na próxima vez em que se encontrar com o norte-americano vai "levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como funciona".
O presidente brasileiro disse, ainda, que Trump "tem o direito de ter as preferências eleitorais e ideológicas dele".
"Só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro pai, filho, neto. Não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas gosto não se discute. Mas não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são um problema deles, não meu. A única coisa que quero é o respeito pelo Brasil como eu tenho pelos Estados Unidos", declarou.
A declaração, dada em entrevista coletiva à imprensa antes de deixar Genebra, na Suíça, para retornar ao Brasil, foi uma resposta ao que disse o presidente norte-americano há pouco. Trump afirmou que o Brasil é um "país duro politicamente" e "um pouco perigoso politicamente".
"Tem sido feio, ouvi que eles prenderam alguém que está concorrendo à Presidência. Ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr., ele estava indo bem nas pesquisas", afirmou o norte-americano, em entrevista coletiva após o G7. Trump confundiu Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal condenado nesta terça-feira, 16, pelo Supremo Tribunal Federal, com seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), este, sim, pré-candidato à Presidência.
O norte-americano completou: "eles jogam pesado, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos".
'Não pedi bilateral para o Trump porque ainda estamos em negociação'
Durante a coletiva, Lula ainda afirmou que não pediu uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porque ainda está em negociação com o país referente às tarifas sobre produtos brasileiros. Lula disse que Trump fez "coisa desaforada" contra o Brasil e que ele tem conhecimento disto.
"Eu não pedi bilateral com o Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil e ele sabe disso. Por isso que eu digo que ele ainda continua agindo como um imperador", declarou o presidente
Lula disse ainda que Trump não é um bom ouvinte em reuniões e que, por este motivo, entregou documentos escritos durante a última reunião que teve com ele, na Casa Branca, no início de maio.
"O presidente Trump fala muito e ouve pouco. Então, eu fiz questão de entregar para ele, por escrito, o que nós queremos para combater o crime organizado, sobre questões de terras raras e minerais críticos e a questão do comércio", afirmou.
Lula disse ainda que tem a expectativa de conseguir um acordo com os Estados Unidos, apesar do que chamou de "rompante contra o Brasil". O presidente afirmou que pode ligar para Trump caso as negociações atuais se tornem infrutíferas.
"Estamos negociando e, na hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa", disse o presidente.
O presidente declarou que Trump desconhece a realidade brasileira se ela for baseada apenas no que é dito pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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