Ameaça de Trump colocou a Aliança Atlântica em uma situação difícil no início do anoReprodução / X
Publicado 08/07/2026 07:30 | Atualizado 08/07/2026 17:56
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o cessar-fogo com o Irã "acabou". A declaração ocorre após os novos ataques entre as forças americanas e as tropas iranianas.
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Trump chamou o Irã de "escória" e país governado por "malucos" depois que Teerã respondeu aos bombardeios americanos com ataques contra bases dos Estados Unidos no Golfo. Os preços do petróleo dispararam imediatamente 5% após as declarações do mandatário americano.

"No que me diz respeito, acabou", declarou Trump durante a reunião de cúpula da Otan em Ancara, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda estava em vigor. "É apenas uma perda de tempo lidar com eles", acrescentou.

"Eles são escória, são pessoas doentes, são liderados por pessoas doentes, e são pessoas perversas e violentas. E se tivessem uma arma nuclear, eles a usariam".

O presidente americano acusou ainda o Irã de distorcer repetidamente o que foi acordado na trégua assinada entre Washington e Teerã em 17 de junho.

"Todos concordaram, nada de arma nuclear. Nós fizemos um acordo. Eles saem, fazem piada com a imprensa, dizem que nunca falamos sobre isso. Tem alguma coisa errada com eles, são malucos", acrescentou Trump.
Ataques 
Os Estados Unidos vão atacar o Irã "com força" nesta noite, advertiu o presidente Donald Trump.

As hostilidades atingiram vários países do Golfo, mas se concentraram no Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental para o comércio de hidrocarbonetos que continua sendo um dos principais focos do conflito, desencadeado no fim de fevereiro com a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Teerã quer controlar o Estreito de Ormuz por meio da cobrança de taxas e advertiu que atacará embarcações que não respeitarem os corredores autorizados. Desde junho, a República Islâmica está em negociações com Washington para encontrar uma solução duradoura para o conflito.

Os bombardeios atribuídos ao Irã contra pelo menos três embarcações nos últimos dias desencadearam uma ofensiva americana contra alvos no Irã na terça-feira, à qual Teerã respondeu atacando países da região do Golfo, aliados de Washington.

"No que diz respeito a mim, acabou", declarou Trump nesta quarta-feira, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda permanecia em vigor.

Além disso, Trump advertiu: "Esta noite vamos atacá-los com força" e, mais tarde, afirmou esperar que os confrontos terminem rapidamente.

"Acho que qualquer coisa que aconteça terminará muito rapidamente e apenas tornará tudo mais seguro, inclusive para o petróleo (...) Seja o que for que aconteça, acontecerá muito rapidamente. Não buscamos uma situação de longo prazo", declarou.

O Paquistão, que mediou a obtenção da trégua, pediu a todas as partes que exerçam moderação e respeitem seus compromissos, enquanto o Catar, outro importante mediador, condenou os ataques do Irã e pediu a retomada do caminho da diplomacia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou as partes a "adotarem medidas imediatas para reduzir a escalada" e a retomarem o diálogo.

O Irã informou que seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o primeiro-ministro do Catar conversaram por telefone nesta quarta-feira e “ressaltaram a importância de usar os meios diplomáticos para resolver os problemas regionais”.

As declarações do presidente dos Estados Unidos impulsionaram os preços do petróleo, e o barril de Brent do Mar do Norte saltou 5,21%, chegando a 78,02 dólares. Ao longo do dia, chegou a superar a barreira dos 80 dólares, algo que não acontecia havia mais de duas semanas.

Novas explosões

A agência de notícias iraniana Irib informou nesta quarta-feira sobre várias explosões nos arredores do Estreito de Ormuz, entre elas seis na Ilha de Qeshm, sete na cidade de Sirik e outras em Bandar Abbas, um dos principais portos do país.

Também foram relatadas explosões na cidade portuária de Bushehr, onde se encontra a única usina nuclear civil do país.

A cidade está situada perto da Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do Irã, pela qual transita cerca de 90% das exportações de petróleo do país.

Segundo a agência estatal Irna, um membro da Guarda Revolucionária morreu. O Ministério das Relações Exteriores disse que locais de monitoramento e observação haviam sido atingidos na costa sul.

Pelo menos oito efetivos das Forças Armadas iranianas morreram nos ataques dos Estados Unidos, informou a imprensa estatal.

O comando americano no Oriente Médio (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos, entre eles sistemas de defesa antiaérea iranianos, instalações de radar costeiro e 60 embarcações leves da Guarda Revolucionária.

Os bombardeios tinham como objetivo imediatamente "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que transita por essa rota estratégica para o comércio mundial", afirmou.

'O fantasma da guerra voltou'

A resposta iraniana não tardou. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado ataques contra dezenas de instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein.

Nawal Saad, uma funcionária do Bahrein, expressou sua angústia após acordar com os alertas antiaéreos.

"O fantasma da guerra volta a pairar sobre nós", lamentou.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de cometerem "graves" violações do acordo entre ambos os países, incluindo a reimposição de sanções ao petróleo iraniano.

Washington revogou as isenções que permitiam determinadas vendas de petróleo enquanto continuam as negociações sobre um acordo definitivo para o conflito.

"As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências", declarou a um funcionário americano à AFP.

A Organização Marítima Internacional (OMI) informou nesta quarta-feira que cerca de 6 mil marinheiros permanecem bloqueados no Golfo devido ao conflito no Oriente Médio e condenou a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.
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