Publicado 27/08/2026 09:33
A artista japonesa de vanguarda Yayoi Kusama, famosa pelas obras baseadas na repetição obsessiva de padrões, morreu aos 97 anos de idade. A informação foi divulgada em seu site oficial nesta quinta-feira (24)
Publicidade"Com profunda tristeza, comunicamos o falecimento de Yayoi Kusama em um hospital de Tóquio em 14 de agosto de 2026", anunciou o site da artista em um comunicado.
Ao longo de uma carreira intensa, que incluiu uma longa temporada nos Estados Unidos, Kusama transformou suas alucinações e traumas em uma obra original marcada pela reiteração até o infinito de motivos emblemáticos como as bolinhas.
Ao longo de uma carreira intensa, que incluiu uma longa temporada nos Estados Unidos, Kusama transformou suas alucinações e traumas em uma obra original marcada pela reiteração até o infinito de motivos emblemáticos como as bolinhas.
"Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Kusama construiu uma aclamada carreira internacional como artista pioneira de vanguarda, cuja produção abrangeu artes visuais, performance, ficção e poesia", acrescenta a nota.
"Ela continuou a pintar até seus últimos dias, sem nunca largar o pincel, e prosseguiu em sua exploração do amor eterno e da alma eterna", completa o comunicado.
A artista nasceu em 1929 e era a filha caçula de uma família rica. Kusama começou a produzir seus característicos padrões de pontos e redes aos 10 anos.
"Um dia, depois de ter visto sobre uma mesa uma toalha decorada com um padrão de flores vermelhas, passei a observar o mesmo padrão de flores vermelhas em todo o teto, nas janelas e nos pilares. Tomava conta de todo o cômodo e cobria o meu corpo", relatou a artista em sua autobiografia, ao recordar a inspiração inicial.
Facilmente reconhecível por sua chamativa peruca vermelha e suas roupas de bolinhas, sua obra exuberante foi a expressão de uma longa luta contra a doença mental.
Hospitalização voluntária
"Ela continuou a pintar até seus últimos dias, sem nunca largar o pincel, e prosseguiu em sua exploração do amor eterno e da alma eterna", completa o comunicado.
A artista nasceu em 1929 e era a filha caçula de uma família rica. Kusama começou a produzir seus característicos padrões de pontos e redes aos 10 anos.
"Um dia, depois de ter visto sobre uma mesa uma toalha decorada com um padrão de flores vermelhas, passei a observar o mesmo padrão de flores vermelhas em todo o teto, nas janelas e nos pilares. Tomava conta de todo o cômodo e cobria o meu corpo", relatou a artista em sua autobiografia, ao recordar a inspiração inicial.
Facilmente reconhecível por sua chamativa peruca vermelha e suas roupas de bolinhas, sua obra exuberante foi a expressão de uma longa luta contra a doença mental.
Hospitalização voluntária
Yayoi Kusama estudou Belas Artes no Japão e, no fim da década de 1950, mudou-se para os Estados Unidos, onde se impôs como uma das figuras da vanguarda em Nova York.
Apesar da discriminação que sofreu por ser uma mulher japonesa em um país ainda marcado pela Segunda Guerra Mundial, ela conseguiu se tornar conhecida com suas obras e seus provocadores 'happenings' nos anos 1960, quando experimentou com pintura corporal e com o padrão sempre presente das bolinhas.
Ela também lançou uma marca de roupas, fundou uma "Igreja da Autodestruição" e autoproclamou-se "Grande Sacerdotisa das Bolinhas" para celebrar o casamento entre dois homens.
De volta ao Japão nos anos 1970, Yayoi Kusama decidiu, voluntariamente, ser internada em um centro psiquiátrico em Tóquio, onde viveu e trabalhou até o fim de sua longa vida.
Suas esculturas de abóboras, uma delas exibida em Naoshima, "a ilha da arte" no Japão, e suas instalações imersivas atraíram multidões e foram vendidas por milhões de dólares. Segundo o site da artista, as "visões e alucinações" de sua infância inspiraram seus primeiros desenhos, baseados em bolinhas e redes, que marcariam de forma definitiva um estilo muito peculiar e reconhecível.
No museu dedicado à sua obra em Tóquio, Ai Kono, de 50 anos, que visitava o local com a filha de 10, contou à reportagem que soube no trem do falecimento de Yayoi Kusama.
"Ela viveu uma vida longa e fecunda. Mas a notícia me chocou. Vim porque queria mostrar à minha filha suas famosas bolinhas e o uso das cores", explica Ai Kono. "Enquanto mulher, é preciso dizer que ela era uma pessoa perseverante".
Exposição no Rio
Apesar da discriminação que sofreu por ser uma mulher japonesa em um país ainda marcado pela Segunda Guerra Mundial, ela conseguiu se tornar conhecida com suas obras e seus provocadores 'happenings' nos anos 1960, quando experimentou com pintura corporal e com o padrão sempre presente das bolinhas.
Ela também lançou uma marca de roupas, fundou uma "Igreja da Autodestruição" e autoproclamou-se "Grande Sacerdotisa das Bolinhas" para celebrar o casamento entre dois homens.
De volta ao Japão nos anos 1970, Yayoi Kusama decidiu, voluntariamente, ser internada em um centro psiquiátrico em Tóquio, onde viveu e trabalhou até o fim de sua longa vida.
Suas esculturas de abóboras, uma delas exibida em Naoshima, "a ilha da arte" no Japão, e suas instalações imersivas atraíram multidões e foram vendidas por milhões de dólares. Segundo o site da artista, as "visões e alucinações" de sua infância inspiraram seus primeiros desenhos, baseados em bolinhas e redes, que marcariam de forma definitiva um estilo muito peculiar e reconhecível.
No museu dedicado à sua obra em Tóquio, Ai Kono, de 50 anos, que visitava o local com a filha de 10, contou à reportagem que soube no trem do falecimento de Yayoi Kusama.
"Ela viveu uma vida longa e fecunda. Mas a notícia me chocou. Vim porque queria mostrar à minha filha suas famosas bolinhas e o uso das cores", explica Ai Kono. "Enquanto mulher, é preciso dizer que ela era uma pessoa perseverante".
Exposição no Rio
Entre 2013 e 2014, a exposição "Obsessão Infinita", a primeira individual de Kusama no Brasil, reuniu cerca de 750 mil pessoas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro - à época, o maior público do espaço em cinco anos.
A mostra, com cerca de cem obras da artista, também fez sucesso no CCBB de Brasília, com 470 mil visitantes, e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, que recebeu mais de 500 mil pessoas.
Desde 2023, o Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), possui uma galeria permanente com obras de Yayoi Kusama. O museu também tem em seu acervo uma instalação da artista ao ar livre.
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