Haakon VIII fez um pronunciamento devido à morte do rei Harald VAFP
Publicado 29/08/2026 19:07
Oslo - A Noruega abre neste sábado (29) uma nova página de sua história pelas mãos do rei Haakon VIII, que assume o trono após a morte de seu pai, Harald V — uma figura unificadora que permaneceu 35 anos à frente do reino. "Estamos de luto, mas, ao mesmo tempo, nos conforta e nos dá força saber que há tanta gente que compartilha nossa dor", disse Haakon, de 53 anos, em um discurso transmitido pela televisão pública norueguesa.

O rei Harald "nos lembrava constantemente, dentro da família, que cada um deveria fazer as coisas à sua maneira. Encontrar seu próprio caminho. Ser você mesmo... Agora, chegou a minha vez", acrescentou.

Anteriormente, ele havia recebido o presidente do Parlamento, a presidente do Supremo Tribunal e dirigentes da Igreja da Noruega. O país escandinavo declarou luto nacional após a morte de Harald, na sexta-feira, aos 89 anos.

Neste sábado, grandes montanhas de flores podiam ser vistas em frente ao Palácio Real de Oslo, onde mais de 20 mil pessoas prestaram suas homenagens desde sexta-feira. "Todos estão tristes. O rei era um homem que todos respeitavam", disse Anne Lobbe, de 35 anos.
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Seu filho o sucede em um momento em que a monarquia norueguesa está fragilizada por uma série de escândalos, vários deles envolvendo a nova rainha, Mette-Marit. O novo rei, que assim como seu pai desempenhará principalmente funções cerimoniais, compareceu ao Palácio acompanhado da filha de 22 anos, Ingrid Alexandra, a nova princesa herdeira, para informar oficialmente o governo sobre o falecimento do pai.

"Adotarei o nome Haakon VIII e perpetuarei o lema escolhido por meu pai, meu avô e meu bisavô: 'Tudo pela Noruega'", declarou.

Nova era
Sem aguardar pelo funeral real, cuja data ainda não foi anunciada e que marcará o fim do período de luto nacional, o novo soberano prestará juramento de fidelidade à Constituição na terça-feira, 1º de setembro. Não se espera que ele seja coroado, uma prática abolida em 1908, mas ele poderá optar, como seu pai e avô, por ter seu reinado abençoado em uma cerimônia na Catedral de Trondheim, onde os reis noruegueses foram coroados entre 1814 e 1906.
"Lembraremos do rei Harald por seu amor ao povo, seu senso de humor e calor humano, e por sua fé inabalável em nós", declarou o primeiro-ministro, Jonas Gahr Støre, em um breve discurso após se encontrar com o novo monarca.

A prefeita de Oslo, Anne Lindboe, que cancelou seu casamento na sexta-feira devido ao falecimento do rei, foi a primeira a escrever uma mensagem no livro de condolências aberto na Prefeitura da capital. "Querido rei Harald, o senhor não precisava de nenhuma coroa para ser rei. Agradecimentos infinitos por tudo o que fez pela nossa cidade. Nunca o esqueceremos", escreveu.

Hospitalizado desde 17 de agosto, Harald sofria de anemia hemolítica, uma doença sanguínea caracterizada pela destruição anormalmente rápida dos glóbulos vermelhos.

Inúmeras homenagens também chegaram do exterior, de monarquias europeias e líderes mundiais. Entre elas estava a do presidente dos EUA, Donald Trump, que reverenciou a memória de "um homem forte, orgulhoso e enormemente respeitado".

Imagem modesta
Harald V, que ascendeu ao trono em 1991, era considerado a personificação de uma Noruega aberta e tolerante. Muitos noruegueses ouvidos pela AFP relembraram seu discurso após os ataques do neonazista Anders Behring Breivik, que deixaram 77 mortos em 22 de julho de 2011, o pior massacre no país nórdico desde a Segunda Guerra Mundial.

Seu herdeiro, o popular Haakon, é modesto e evita pompa e ostentação. Ele abraçou as preocupações de sua geração: a proteção ambiental e a luta contra o racismo e a homofobia. Mas ascende ao trono em meio a adversidades.

Os laços passados de sua esposa, Mette-Marit, com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, a condenação de seu enteado por dois estupros e o relacionamento extravagante entre sua irmã, a princesa Märtha Louise, e um autoproclamado xamã americano mancharam o prestígio da monarquia.

Além desses escândalos, a família real norueguesa passou por um período difícil nos últimos meses devido aos problemas de saúde do falecido monarca e da nova rainha. Mette-Marit sofre de uma doença pulmonar incurável que a levou a se submeter a um transplante de pulmão em junho.
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