Publicado 18/10/2026 11:15
A França avalia, neste domingo (18), os danos causados na véspera por violentos distúrbios e saques em larga escala, desencadeados no contexto de protestos contra o aumento do custo de vida, que resultaram em pelo menos 1.800 detidos. Em Limoges, cidade na região centro-oeste da França, o prédio que sedia a prefeitura, inaugurado no século XIX e sobrevivente de duas guerras, foi destruído.
PublicidadeO edifício foi incendiado por um grupo mascarado. As chamas derrubaram a torre do relógio e destruíram o telhado, que desabou sobre os andares inferiores. A cena chocou os moradores da cidade e lembrou o incêndio da Catedral de Notre Dame, em 2019. O fogo foi controlado na madrugada de domingo.
O prédio era um monumento tombado e contava com uma torre central do relógio de 43 metros de altura. Segundo o representante nacional da região, Maurice Barate, a destruição foi uma “catástrofe patrimonial”.
O prefeito da cidade, Guillaume Guerin, relatou que os vândalos quebraram janelas e usaram um aríete (tronco pesado usado para arrombamento) para derrubar a porta principal.
O prefeito da cidade, Guillaume Guerin, relatou que os vândalos quebraram janelas e usaram um aríete (tronco pesado usado para arrombamento) para derrubar a porta principal.
Guerin disse ainda que a polícia local foi rapidamente dominada por uma multidão de centenas de pessoas. Segundo ele, não havia força policial suficiente para proteger o prédio histórico, já que haviam sido deslocadas para conter os protestos nas ruas.
“Eu não tinha um único policial nacional para proteger a prefeitura. Este país vai mal, este país vai muito mal, e é um pequeno prefeito de província quem está dizendo isso", criticou o prefeito.
Em entrevista à agência de notícias Reuters, Guerin ameaçou renunciar ao cargo se a cidade não receber 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,69 milhões) necessários para reparar o edifício.
Caos na França
O caos, "sem precedentes" segundo as autoridades, aumentou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que, nas últimas semanas, também enfrentou manifestações estudantis em todo o território.
Pelo menos "1.800 pessoas foram presas, e investigações estão em andamento para identificar os autores desses atos e levá-los à justiça", declarou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, neste domingo, na rede social X.
Pelo menos "1.800 pessoas foram presas, e investigações estão em andamento para identificar os autores desses atos e levá-los à justiça", declarou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, neste domingo, na rede social X.
Em Paris, onde a polícia registrou a detenção "recorde" de 855 pessoas, as ruas estavam repletas de restos carbonizados de barricadas erguidas pelos manifestantes com bicicletas, lixeiras e outros materiais. Em várias áreas, era possível ver vitrines destruídas e carcaças de carros incendiados.
A vice-prefeita de Paris, Lamia El Aaraje, lamentou, neste domingo, "um nível de violência que, acredito, nunca tínhamos visto" na cidade.
O presidente Macron fará um discurso às 18h00 GMT (15h00 no horário de Brasília), informou a Presidência francesa, após se reunir com o primeiro-ministro e outros membros do Executivo.
Na capital e em várias cidades, como Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo, dezenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados por jovens mascarados durante as manifestações, que foram convocadas em nível nacional contra a alta inflação e o custo de vida.
Pelo menos 1.500 estabelecimentos comerciais foram danificados em todo o território, segundo a Federação de Comércio e Distribuição.
Protestos contra custo de vida
Estudantes, “Coletes Amarelos” e outros movimentos sociais foram às ruas em diversas cidades da França contra o alto custo de vida, impulsionado em parte pela guerra no Oriente Médio. A mobilização reuniu entre 550 mil e 800 mil pessoas, segundo as autoridades.
A repressão policial, atos de vandalismo e violência marcaram o sábado de manifestações em diversas cidades. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes, que lançaram projéteis e dispararam fogos de artifício.
A repressão policial, atos de vandalismo e violência marcaram o sábado de manifestações em diversas cidades. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes, que lançaram projéteis e dispararam fogos de artifício.
*Com informações AFP
*Estagiária Tainá Junqueira, sob supervisão de Thalita Queiroz
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.