Publicado 13/10/2026 12:29 | Atualizado 13/10/2026 12:48
Uma força-tarefa das polícias Civil e Militar deflagrou, nesta terça-feira (13), uma operação contra uma organização investigada por abastecer o Comando Vermelho (CV) com drogas, armas e munições. As apurações apontam que policiais militares estariam envolvidos no esquema, utilizando suas funções para beneficiar integrantes da facção criminosa.
PublicidadeA ação tem como objetivo cumprir sete mandados de prisão contra suspeitos ligados ao grupo, incluindo policiais militares da ativa. As diligências acontecem em municípios da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana, entre eles São João de Meriti, Niterói e Maricá. Até a mais recente atualização da operação, três pessoas haviam sido detidas, sendo duas em cumprimento de mandados judiciais e uma presa em flagrante.
De acordo com a investigação, o grupo criminoso mantinha uma estrutura organizada para a compra, transporte e distribuição de grandes carregamentos de drogas e armamentos destinados ao Comando Vermelho. O inquérito teve início após a prisão em flagrante de dois homens, em outubro de 2023, quando mais de 100 quilos de cocaína foram apreendidos durante uma abordagem na Avenida Brasil.
A partir desse caso, a polícia identificou uma rede de integrantes com funções específicas dentro da organização. As investigações apontam que um dos suspeitos era responsável pela logística do tráfico, intermediando o transporte de entorpecentes e mantendo contato direto com lideranças da facção para coordenar a entrega das cargas.
Com autorização judicial, interceptações telefônicas e análises de dados permitiram aos investigadores rastrear comunicações entre integrantes do esquema e chefes do tráfico. Segundo a polícia, as conversas revelaram negociações relacionadas ao abastecimento de drogas e armamentos para áreas dominadas pelo grupo criminoso.
Outra linha da investigação apura a atuação de agentes públicos no favorecimento ao Comando Vermelho. Um policial militar é suspeito de participação em negociações ilegais envolvendo armas, munições e acessórios. Além disso, os investigadores afirmam ter identificado o repasse de informações antecipadas sobre operações policiais a traficantes que atuavam em comunidades de São João de Meriti.
As apurações também alcançaram integrantes do setor armado da facção, responsável pela proteção de lideranças criminosas e pelo monitoramento de territórios dominados pelo grupo. Durante a operação, um dos suspeitos apontados como integrante desse núcleo foi preso. Outro investigado foi localizado com uma arma de fogo, rádio comunicador e uma motocicleta com registro de roubo.
Um dos principais nomes citados no inquérito, o policial militar Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, morreu em julho deste ano após ser baleado quando chegava ao condomínio onde morava, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O homicídio é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital, e uma das hipóteses analisadas é a de que ele tenha sido executado por integrantes da própria facção criminosa.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão da participação de agentes públicos no esquema criminoso.
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