General Pazuello é deputado federal pelo PL do RioKayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Publicado 19/10/2026 12:33
Um rápido levantamento detalhado das medidas econômicas e sociais implementadas ou anunciadas às vésperas do pleito eleitoral, aqui no Brasil, revela um pacote de “bondades” fiscalmente temerário. A soma dos compromissos assumidos, expansões de subsídios e desonerações temporárias supera a marca impressionante de R$ 228 bilhões.
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Com a dívida pública brasileira orbitando o patamar crítico de 80% do Produto Interno Bruto (PIB), a pergunta central que se impõe à nação é direta e inevitável: qual é a sustentabilidade real dessas promessas e quem, ao fim do processo, pagará a fatura?
A análise cronológica e orçamentária dos anúncios oficiais expõe uma concentração atípica de medidas populistas em prazos extremamente exíguos que antecedem o primeiro e o segundo turnos eleitorais.
a) Canetas Emagrecedoras no SUS, anunciado no ciclo pré-1º turno;
b) Pé-de-Meia Universitário, lançado no ciclo pré-1º turno;
c) Reajuste e Aumento do Bolsa Família, anunciado a 17 dias do 1º turno;
d) Isenção de PIX para MEI, prometido a 12 dias do 1º turno;
e) Incentivos e Linhas de Crédito para Gamers, anunciados a 11 dias do 1º turno;
f) Proibição e Restrição de BETS, regulamentada a 09 dias do 1º turno;
g) Isenção de Imposto sobre Gasolina, implementado a 16 dias do 2º turno;
h) PEC do Passe Livre nos Ônibus aos Finais de Semana, apresentada sem definição de custeio ou fonte;
I) Programa Gás do Povo, promessa de 58 milhões de botijões gratuitos;
A engrenagem, acima, do intervencionismo eleitoral opera sob uma lógica de curto prazo.
Quando somados os valores diretos, as desonerações e os compromissos futuros assumidos nos últimos meses, a conta total atinge a assustadora cifra de R$ 228 bilhões!!!
O ambiente econômico em que esse pacote é despejado não poderia ser mais delicado.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu o patamar de 80% do PIB, figurando entre as maiores do bloco dos países emergentes.
A matemática financeira do Estado é inflexível.
Quando um governo expande gastos correntes em R$ 228 bilhões sem um aumento equivalente na produtividade nacional ou sem cortes estruturais de despesas em outras áreas, o mercado financeiro reage imediatamente.
A consequência é a elevação dos juros futuros e o aumento do custo de rolagem da própria dívida.
A taxa Selic mantida em níveis elevados não é uma escolha fortuita do Banco Central, mas a resposta necessária para conter a espiral inflacionária gerada pela expansão fiscal desenfreada.
Assim, o benefício concedido hoje pelo Estado é absorvido, meses depois, pelo aumento dos juros do cartão de crédito, do financiamento da casa própria e pelo custo dos alimentos nos supermercados.
O Ciclo Vicioso do Estelionato Eleitoral: Promete, Cria, Desfaz e Cobra! A história política e econômica recente do Brasil demonstra a consolidação de um padrão operacional repetitivo por parte da classe política. Esse ciclo pode ser resumido em quatro etapas sequenciais, Brasil, é assim que eles fazem:
PROMETEM: Durante a campanha, são apresentadas soluções mágicas, gratuidade universal e expansões sem limite de benefícios sociais, sem que haja qualquer indicação transparente das fontes de financiamento;
CRIAM: Medidas provisórias, decretos e subsídios são editados nas semanas que antecedem a votação. A máquina pública é instrumentalizada para gerar a ilusão de prosperidade imediata e bonança fiscal, e,
DESFAZEM NA VÉSPERA: Passado o período eleitoral e consolidados os votos, a realidade orçamentária se impõe. As isenções fiscais expirando, os programas criados sem verba são contingenciados, os subsídios aos combustíveis caem e os preços reprimidos são liberados.
A CONTA É NOSSA!
Para cobrir o rombo bilionário gerado pela farra eleitoral, o governo recorre ao aumento de impostos, à criação de novas taxas, à elevação de alíquotas e ao endividamento público, que gera inflação. Quem paga a fatura é o trabalhador e o contribuinte.
É um princípio fundamental da economia que não existe gasto público sem custeio privado. O Estado não gera riqueza própria; ele apenas arrecada recursos da sociedade por meio de tributos diretos e indiretos.
Quando um programa promete "58 milhões de botijões gratuitos" ou "passe livre no transporte público", o cidadão precisa compreender que tais serviços não são gratuitos. Eles estão sendo pagos antecipadamente ou serão cobrados com juros e correção monetária no futuro.
A conta da gastança eleitoral atinge a todos, mas penaliza desproporcionalmente as classes mais vulneráveis.
A inflação decorrente do déficit fiscal funciona como o imposto mais regressivo e perverso do sistema financeiro. Enquanto as classes de maior renda conseguem proteger seus ativos no mercado financeiro remunerado a juros altos, a população de menor renda vê seu poder de compra corroído diariamente no balcão do mercado.
Portanto, o cenário fiscal em que o Brasil se encontra exige mais do que indignação passageira; requer uma postura de eterna vigilância cívica.
O eleitorado não pode continuar caindo na armadilha do assistencialismo de véspera, no qual benesses momentâneas são trocadas pelo comprometimento do futuro econômico das próximas gerações.
O valor de R$ 228 bilhões em medidas eleitoreiras e a marca de 80% do PIB em dívida são alertas incandescentes no painel de controle da nação.
A verdadeira cidadania exige a cobrança de responsabilidade fiscal, transparência nos gastos públicos e o fim do estelionato eleitoral.
Afinal, quando o circo eleitoral se recolhe e as urnas se fecham, as promessas não cumpridas e os subsídios temporários desaparecem, deixando apenas a conta.
E essa conta, invariavelmente, é nossa.
* Eduardo Pazuello é político brasileiro e general de divisão do Exército Brasileiro
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