General PazuelloDivulgação

A ideia da multilateralidade internacional, que é a cooperação entre múltiplas nações para resolver desafios globais, nasceu como uma promessa de estabilidade, paz e progresso conjunto.
No papel, organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Grupo dos Sete (G7) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) representam o ápice do avanço diplomático.
No entanto, a realidade do cenário geopolítico contemporâneo revela um descompasso frustrante: a diplomacia multilateral tornou-se perita em produzir discursos inflados, mas tragicamente ineficiente em entregar ações concretas.
De verdade, é um mimimi só!
O centro do problema reside no abismo entre o diagnóstico e a execução.
Ano após ano, líderes mundiais reúnem-se em cúpulas suntuosas, riquíssimas, espetaculosas, produzem declarações conjuntas repletas de boas intenções e firmam acordos simbólicos.
Contudo, quando a teoria precisa virar prática, o sistema trava.
Diante de crises urgentes, sejam guerras com graves violações de direitos humanos, a emergência climática global ou assimetrias econômicas severas, o multilateralismo contemporâneo e de gabinete parece paralisado.
Prevalece o veto dos mais poderosos, a burocracia excessiva e o choque de interesses nacionais egoístas.
Um dos maiores sintomas dessa paralisia é a perda de credibilidade das próprias instituições.
O Conselho de Segurança da ONU, por exemplo, desenhado no pós-Segunda Guerra Mundial, reflete uma estrutura ultrapassada que frequentemente impede a intervenção direta em conflitos armados devido ao direito de veto das superpotências.
Paralelamente, em fóruns climáticos globais, metas de redução de emissões são pactuadas com grande alarde publicitário, mas desrespeitadas sem que haja sanções reais para os infratores.
Trata-se do clássico espetáculo da política: "muito papo e pouca ação".
Para que a multilateralidade recupere sua utilidade, é fundamental ir além do consenso superficial e do teatro diplomático.
O mundo do século XXI enfrenta problemas interconectados e transnacionais que nenhuma nação pode resolver sozinha.
Porém, a cooperação só será efetiva se for acompanhada por reformas institucionais profundas, mecanismos reais de responsabilização e a disposição genuína das grandes potências em subordinar interesses imediatos ao bem comum global.
Enquanto as cúpulas globais continuarem sendo palcos para retórica em vez de arenas para tomada de decisão e implementação real, o multilateralismo continuará sendo visto não como uma solução, mas como uma casca vazia.
Tropa, o planeta não precisa de mais discursos eloquentes sobre a paz e a sustentabilidade; precisa de vontade política e resultados práticos.
Até hoje, passados pouco mais de 3 meses, o que foi feito para minorar as catástrofes do Chile, Colômbia, Espanha, Venezuela e o extremo calor na Europa em geral?
* Eduardo Pazuello é político brasileiro e general de divisão do Exército Brasileiro