Bia Pacheco é Secretária de Estado da Mulher e de Políticas InclusivasDivulgação

Há uma diferença entre criar uma política pública e construir um caminho. A primeira pode existir a partir de um decreto ou de uma lei; já o segundo, precisa sair do papel, atravessar estradas, chegar aos municípios, escolas, serviços de saúde, transporte, e às famílias. Mas uma coisa é certa: política pública só cumpre seu papel quando chega à vida real. Para a pessoa com deficiência, tem um significado a mais. É preciso derrubar barreiras e fazer valer que se cumpram seus direitos. É por isso que no estado do Rio de Janeiro quem vive essa realidade é também quem constrói essas políticas, uma escolha da gestão porque ninguém conhece melhor os obstáculos do que quem os enfrenta diariamente.
Neste 21 de setembro, quando foi celebrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, mais do que falar sobre uma data, quero celebrar essa mudança de paradigmas. Avanço que passa, por exemplo, pelo Fórum Estadual de Gestores de Políticas para Pessoas com Deficiência (FGPD), que já reúne mais de 70 municípios para compartilhar experiências, desafios e soluções. E pelo Comitê de Gestores de Ações para Pessoas com Deficiência, que integra áreas do Estado como Saúde, Educação, Segurança Pública, Transportes e Trabalho. Mais do que reunir gestores municipais, o Fórum representa uma mudança de lógica: sair dos muros do Estado e ir para os territórios. Afinal, a vida não cabe em secretarias e uma política inclusiva de verdade precisa enxergar a pessoa por inteiro.
Descentralizar uma política não significa simplesmente distribuí-la pelo mapa. É preciso reconhecer que cada território tem uma realidade, uma necessidade, uma potência e uma maneira própria de construir soluções. Uma cidadã não é apenas uma pessoa com deficiência quando entra em uma unidade de saúde. Ela é estudante, trabalhadora, é mãe, é pai. É alguém que usa transporte público, frequenta espaços de cultura, pratica esporte, busca emprego, sonha, ama, produz, escolhe e participa.
Durante muito tempo, pessoas com deficiência precisaram lutar para provar aquilo que nunca deveria ter sido colocado em dúvida: que pertencem a todos os espaços. E por isso também precisamos perguntar quem são aqueles que ainda não conseguimos alcançar. As periferias, os municípios do interior e as famílias que enfrentam distância dos serviços e barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais não podem ficar à margem. O CEP não pode determinar o tamanho do direito: os serviços e a autonomia devem estar acessíveis onde quer que a pessoa viva.
Inclusão não é favor. É justiça. E cabe ao poder público remover barreiras e garantir não apenas presença, mas participação, inclusão e dignidade. Então, neste 21 de setembro, reafirmamos uma direção: a de colocar a pessoa com deficiência no centro e aproximar Governo e municípios, integrar políticas e assegurar que nenhum território fique para trás. Inclusão se constrói lado a lado, município por município, rede por rede, pessoa por pessoa, até que o direito escrito se transforme em direito vivido.
Bia Pacheco é Secretária de Estado da Mulher e de Políticas Inclusivas