Publicado 26/07/2026 18:30
Rio das Ostras - A Praia do Abricó foi cenário de um reencontro emocionante entre a natureza e o oceano. Depois de passar por um processo de recuperação veterinária, uma tartaruga-marinha da espécie Chelonia mydas, conhecida como tartaruga-verde, voltou ao mar diante dos olhares atentos de crianças, moradores e turistas, em uma ação que uniu conservação ambiental, ciência e educação.
PublicidadeA soltura foi coordenada pelo Instituto BW, com apoio da Guarda Ambiental e da Defesa Civil de Rio das Ostras. Mais do que devolver um animal ao seu ambiente natural, a iniciativa simbolizou o resultado de um trabalho técnico que começa no resgate, passa pelo tratamento especializado e termina apenas quando o animal apresenta condições seguras de sobreviver novamente em liberdade.
A Praia do Abricó foi escolhida por oferecer características consideradas favoráveis à readaptação da tartaruga, como oferta de alimento, presença de outros exemplares da mesma espécie e condições ambientais adequadas para a continuidade do seu desenvolvimento.
Ainda em fase juvenil, a tartaruga-verde utiliza as águas da região como importante área de alimentação. Sua dieta é composta principalmente por algas marinhas encontradas nos costões rochosos, ambientes fundamentais para a manutenção da espécie ao longo da costa fluminense.
Antes da soltura, o animal passou por avaliações clínicas, exames laboratoriais e um protocolo completo de estabilização conduzido pela equipe veterinária do Instituto BW. Após apresentar evolução satisfatória durante a reabilitação, recebeu autorização para retornar ao habitat natural.
Segundo a coordenadora de Educação Ambiental e Comunicação do Instituto BW, Mariana Burato, cada soltura representa um avanço no trabalho de conservação da biodiversidade marinha.
"Esse momento demonstra a importância das ações de resgate, reabilitação, pesquisa e educação ambiental para proteger as espécies que vivem no litoral brasileiro", destacou.
A coordenadora de Medicina Veterinária e vice-presidente do Instituto BW, Paula Baldassin, ressaltou que o envolvimento da sociedade também desempenha papel decisivo na preservação da fauna marinha.
"O cuidado com o meio ambiente depende das escolhas de cada pessoa. Pequenas atitudes ajudam diretamente na sobrevivência desses animais e na conservação dos ecossistemas costeiros", afirmou.
Além do retorno da tartaruga ao oceano, a atividade buscou conscientizar o público sobre os impactos provocados pelo descarte irregular de resíduos sólidos e pelas interações com atividades pesqueiras, problemas que figuram entre as principais ameaças à fauna marinha.
Responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e do Espírito Santo, o Instituto BW atua desde 2020 na conservação, pesquisa, medicina veterinária e educação ambiental voltadas à fauna marinha nas regiões dos Lagos e Norte Fluminense. O projeto integra as exigências do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama.
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