Gean tinha 27 anos e completaria 28 nesta quarta-feira (19)Foto: Reprodução
Publicado 18/08/2026 13:04
Rio das Ostras - Para uma mãe, algumas perguntas parecem não ter fim. Onde ele está? O que aconteceu? Quem fez isso? Em busca de respostas para a morte do filho, Josiane Haller esteve na 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras nesta segunda-feira (17) e prestou depoimento sobre os últimos momentos de Gean Souza Nunes, encontrado morto dois dias antes na região da Lagoa de Iriry.
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Gean tinha 27 anos e completaria 28 nesta quarta-feira (19). Natural de Macaé, ele estava prestes a concluir a graduação em Nutrição. Para a mãe, porém, muito antes de ser estudante ou jovem prestes a iniciar uma nova etapa da vida, Gean era o filho presente, carinhoso e alegre que fazia parte da rotina da família.
Abalada, Josiane contou aos investigadores que falou com o filho pela última vez na noite anterior à morte. Segundo ela, Gean disse que sairia, mas não voltou para casa. O fato chamou atenção porque, quando dormia fora, costumava avisá-la.
"Ele disse que ia dar uma saída e não voltou. Quando ele dormia fora de casa, ele avisava", relatou.
A partir daquele momento, o que ficou para a família foi a espera por notícias e, depois, a dor diante da confirmação da morte. Josiane agora tenta entender o que aconteceu entre a saída do filho e os momentos finais de sua vida.
Em meio ao sofrimento, a mãe fez um pedido direto a quem possa ter alguma informação sobre o crime. Para ela, qualquer detalhe pode ajudar a Polícia Civil a reconstruir os últimos passos de Gean e chegar ao responsável.
"Se alguém souber de alguma coisa, que entre em contato com a polícia, porque vai ajudar muito e, com certeza, isso vai ser desvendado."
Na sequência, a mãe falou sobre o filho que perdeu. A descrição revela uma dor que ultrapassa o caso policial e mostra a dimensão da perda para a família.
"Muita saudade. Meu filho era uma pessoa do bem, um filho carinhoso, que estava sempre do meu lado, alegre, cheio de futuro, um filho maravilhoso", afirmou.
A Polícia Civil investiga o assassinato e tenta descobrir quem esteve com Gean antes da morte. Uma das linhas apuradas indica que ele teria saído de casa para um encontro marcado por meio de um aplicativo de relacionamento. A informação ainda faz parte da investigação e não representa uma conclusão sobre a motivação ou a autoria do crime.
O celular da vítima foi localizado e será analisado pelos investigadores. Segundo o delegado titular da 128ª DP, Luís Maurício Armond, o conteúdo do aparelho poderá ajudar na reconstrução dos acontecimentos.
"Nós estamos com o aparelho dele. Vamos fazer as diligências, só que tem que investigar um pouco mais para poder dar alguma informação mais precisa", explicou.
O trabalho da polícia enfrenta uma dificuldade adicional. Gean foi encontrado em uma área considerada erma, sem testemunhas que tenham presenciado a agressão. Além disso, câmeras de segurança de estabelecimentos próximos estavam inoperantes no momento do crime.
A madrugada da morte começou com um pedido de socorro. Policiais do 32º BPM foram acionados após informações sobre um homem ferido na região da Praia de Iriry. Quando chegaram, encontraram Gean caído, com um ferimento profundo no pescoço, aparentemente provocado por arma branca.
Segundo as informações apuradas, o jovem ainda conseguiu percorrer cerca de 500 metros entre o ponto onde teria sido ferido e o calçadão da Lagoa de Iriry. Ele chegou a pedir ajuda, mas não resistiu aos ferimentos.
O Corpo de Bombeiros constatou a morte e equipes da Polícia Técnico-Científica realizaram a perícia. O caso foi registrado como homicídio doloso na 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras.
A investigação continua e, até o momento, não há informação sobre prisão ou identificação de suspeito.
Enquanto os investigadores procuram respostas nos vestígios deixados pelo crime, Josiane tenta lidar com uma ausência que ganhou data, memória e saudade. Nesta quarta-feira, dia em que Gean completaria 28 anos, a família não terá festa de aniversário. Terá lembranças de um filho que, segundo a mãe, ainda tinha muito pela frente.
E é justamente por isso que o pedido dela permanece simples e contundente: quem souber de alguma coisa deve procurar a polícia e ajudar a esclarecer o que aconteceu com Gean.
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