Rio das Ostras - Planejamento e prevenção entraram no centro do debate sobre a proteção da população na Região dos Lagos. Representantes de Municípios, do Corpo de Bombeiros e do Ministério Público se reuniram na quarta-feira, dia 26, em Cabo Frio, para discutir como antecipar riscos, integrar estruturas e melhorar a resposta diante de situações de emergência e desastres socioambientais. O encontro também abriu espaço para uma proposta que pode mudar a estrutura da Defesa Civil de Rio das Ostras: a criação de uma secretaria municipal própria para o setor.
Realizado na Universidade Veiga de Almeida, o Seminário de Atuação Institucional em Defesa Civil e Desastres Socioambientais foi promovido pelo Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento da Região dos Lagos, o Conderlagos, e reuniu representantes das Defesas Civis dos Municípios consorciados, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, do Ministério Público estadual e de outras instituições ligadas à prevenção e ao enfrentamento de ocorrências.
Mais do que discutir o que fazer depois de uma tragédia, a proposta do encontro foi colocar a prevenção como prioridade. A integração entre os órgãos permite compartilhar informações, aprimorar protocolos, capacitar equipes e identificar riscos antes que eles se transformem em ocorrências de maior gravidade.
Atual presidente do Conderlagos, o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar, defendeu uma atuação regional diante de problemas que não respeitam limites entre municípios. Para ele, a troca de informações e a união entre as estruturas municipais e estaduais podem aumentar a capacidade de resposta e, principalmente, evitar que situações previsíveis causem impactos maiores à população.
Seminário reuniu representantes das Defesas Civis, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e Municípios da Região dos LagosFoto: Divulgação
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“Quando falamos de Defesa Civil, não podemos pensar apenas na resposta depois que uma emergência acontece. Precisamos trabalhar antes, com planejamento, prevenção, capacitação e troca de informações. Nossos problemas muitas vezes são regionais, e a união das Defesas Civis, do Estado, do Ministério Público e dos Municípios aumenta muito a nossa capacidade de proteger as pessoas”, afirmou.
Durante o seminário, Carlos Augusto também anunciou que pretende encaminhar à Câmara Municipal de Rio das Ostras um projeto de lei para criar a Secretaria Municipal de Defesa Civil. A proposta ainda precisa passar pelo Legislativo e, caso seja aprovada, poderá estabelecer uma estrutura administrativa específica para o setor, com foco em planejamento, prevenção, monitoramento de riscos, preparação das equipes e resposta a emergências.
“Estamos preparando esse projeto porque entendemos que a Defesa Civil precisa ter cada vez mais estrutura e autonomia. Rio das Ostras cresceu muito, e precisamos crescer também na nossa capacidade de prevenir, monitorar e responder. Vamos encaminhar essa proposta para a Câmara e tenho certeza de que os vereadores também compreenderão a importância desse avanço”, destacou o prefeito.
Para o subsecretário municipal de Defesa Civil, Edmilson Silva Martins, uma estrutura própria poderá ampliar o trabalho que já é realizado pelas equipes e fortalecer a atuação preventiva. Segundo ele, a Defesa Civil não deve ser lembrada apenas quando uma ocorrência acontece, mas precisa atuar de forma permanente na identificação de ameaças e preparação da cidade.
“É um passo muito importante para a Defesa Civil de Rio das Ostras. A nossa missão não começa quando acontece uma ocorrência. Ela começa muito antes, identificando riscos, preparando as equipes, realizando capacitações, construindo protocolos e trabalhando junto com outros órgãos”, afirmou.
A discussão ganha relevância diante dos impactos provocados por eventos climáticos extremos e pela necessidade de respostas cada vez mais rápidas e coordenadas. Chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e outros fenômenos podem atingir mais de um município ao mesmo tempo, o que exige comunicação permanente entre as equipes responsáveis pela proteção da população.
Nesse cenário, o Conderlagos busca ampliar a cooperação entre os municípios da região e aproximar as estruturas responsáveis pela prevenção e resposta. A ideia é transformar o diálogo institucional em procedimentos mais eficientes, com troca de experiências e atuação conjunta diante de situações que possam colocar vidas e patrimônios em risco.
O seminário foi coordenado pela tenente-coronel Sílvia Santana do Amaral, diretora da Escola de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, e pelo promotor de Justiça Vinícius Lameira Bernardo, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente e Ordem Urbanística do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A iniciativa reforçou uma mudança de perspectiva na área de proteção e defesa civil: esperar a emergência acontecer deixou de ser suficiente. A preparação das equipes, o monitoramento dos riscos e a integração entre as cidades passaram a ocupar papel central na construção de respostas capazes de reduzir danos e proteger a população.
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Seminário reuniu representantes das Defesas Civis, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e Municípios da Região dos LagosFoto: Divulgação
Seminário reuniu representantes das Defesas Civis, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e Municípios da Região dos LagosFoto: Divulgação
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