Canteiro de obras da Estação Gávea da linha 4 do metrôReginaldo Pimenta / Agência O DIA
Por O Dia*
Publicado 05/09/2019 12:00 | Atualizado 05/09/2019 18:40
Rio - O governo do estado informou, nesta quinta-feira, que vai aterrar o buraco aberto para a construção da estação Gávea da linha 4 do metrô. De acordo com a Secretaria Estadual de Transportes (Setrans), serão gastos de R$ 20 a R$ 40 milhões para a obra, que fica no subsolo da PUC.
A estação é alvo de controvérsias desde que as obras para sua construção foram paralisadas em março de 2015, depois de serem iniciadas em julho de 2013. Ela seria um dos legados dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e foi planejada para interligar a Zona Sul à Barra da Tijuca, facilitando o acesso ao Parque Olímpico.
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"É mais fácil aterrar e no futuro, quem sabe, se tiver dinheiro, se faz o metrô. Mas infelizmente temos outras prioridades neste momento", o governador Wilson Witzel (PSC) defendeu. "O dinheiro que estamos recebendo não pode ser destinado para fazer uma obra da estação".
R$ 1 BI PARA CONCLUSÃO
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A Setrans informou que seriam necessários de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão para a conclusão da estação ou R$ 300 milhões para concretar e estabilizar a estrutura.
"Essa decisão considerou as dificuldades financeiras encontradas pela administração pública, que inviabilizam o alcance de um desfecho favorável para a sua finalização", a Secretaria de Transportes informou, através de nota.
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O buraco cavado foi alagado no ano passado e, dede então, moradores da região temem que o terreno do canteiro desabe e abale as estruturas dos prédios do entorno.
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"Cumpre informar que a continuidade da obra (atividades no canteiro) será monitorada pelo TCE-RJ por meio de uma Auditoria Governamental Extraordinária de Acompanhamento pari passu já em andamento, proveniente de uma decisão plenária de 7 de agosto de 2019", a assessoria do TCE-RJ disse.
PARALISAÇÃO
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Com dificuldades para obter recursos para concluir toda a linha 4, em 2015, o governo paralisou as obras da estação na Gávea e deu prioridade ao restante da linha (Praça Nossa Senhora da Paz, Jardim de Alah, Antero de Quental, São Conrado e Jardim Oceânico).
Quando a obra foi paralisada, o TCE-RJ encontrou um superfaturamento de R$ 3 bilhões para a construção da linha, que custou ao todo R$ 8,49 bilhões (valores de 2011) - equivale a R$ 13,6 bilhões em 2019. Na ocasião, o Tribunal proibiu novos repasses ao Consórcio Rio Barra, responsável palas obras.
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Segundo o TCE-RJ, o saldo contratual da obra é de aproximadamente R$ 559 milhões (valores de 2011), que segundo o governo do estado seria de aproximadamente R$ 750 milhões em valores atualizados.
Em julho deste ano, a força-tarefa da Lava Jato no Rio prendeu o procurador Renan Saad, por suspeita de receber R$ 1,265 milhão em propina da Odebrecht, para mudar o traçado da linha. O projeto inicial, de 1998, previa a ligação de Botafogo à Barra pelo Humaitá, Gávea e São Conrado.
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ESPECIALISTA E ALUNOS DA PUC CRITICAM MEDIDA
Para a engenheira de Transportes Eva Vider, professora da Escola Politécnica da UFRJ, a decisão é negativa para o avanço da rede metroviária. "A estação Gávea faz parte da Linha 4 original, que foi modificada na obra. O governador vai empurrar para o futuro a construção do traçado, que interligaria o lado interno da Zona Sul, bairros como Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico, com as zonas Norte e Oeste. É uma tristeza jogar o dinheiro gasto fora e perder a oportunidade de construir a rede ferroviária", ressaltou.
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De acordo com a especialista, a construção da Linha 4 original permitiria o início de um sistema em rede. "Nosso metrô hoje é quase na orla. Seria uma oportunidade de capilarizar o sistema, uma alternativa para o fechamento da Avenida Niemeyer e um avanço na mobilidade. Ele diz que não tem dinheiro, mas quem sabe consegue um financiamento do Banco Mundial e do Governo Federal", acrescentou.
A notícia frustrou alunos da PUC-Rio, na Gávea, que esperavam o novo meio de transporte. João Gabriel Coelho, 23, estudante de Administração da PUC, achou que conseguiria usar o metrô antes de concluir o curso. "O metrô seria mais uma opção. Todo dia saio da PUC para o Centro. Vou ter que continuar pegando um ônibus para o metrô do Leblon, um tempo a mais que a gente perde, ainda mais quando chove, porque o trânsito fica pior. Pelo tanto que foi investido, é um descaso com o dinheiro público", lamentou.
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Moradora de Acari, na Zona Norte, a estudante de Jornalismo Letícia Amâncio de Almeida, 22, leva duas horas para chegar à PUC. Ela contou que embarca no metrô próximo a sua casa e desembarca na estação do Leblon. Depois, precisa pegar um ônibus para chegar à universidade. "Eu moro em Acari e o metrô facilitaria muito a minha vida. Às vezes, chego à estação do Leblon e ainda tenho que pegar um ônibus. São 20 minutos andando até o ponto e nem sempre consigo pegar o ônibus, porque as filas são muito grandes e ele lota rápido", comentou.
* Colaboraram: Gustavo Ribeiro e a estagiária Rachel Siston