Pastor Everaldodivulgação
Por IG - Último Segundo
Publicado 16/09/2020 10:53 | Atualizado 17/09/2020 13:15
Rio - A denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) responsável pelo afastamento de Wilson Witzel e pela prisão do presidente do Partido Social Cristão (PSC), Pastor Everaldo, concluiu que o pastor era o "proprietário" do governo do Rio.
O pastor Everaldo seria o responsável por operar a máquina do governo com indicações de seus afilhados políticos para cargos em órgãos estratégicos do estado. Segundo a procuradora Lindôra Araújo, Everaldo gerenciava as contratações e o orçamento da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e da Secretaria da Saúde.
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Everaldo está preso desde o dia 28 de agosto e é acusado por formar organização criminosa, mesma denúncia que recai sob Wilson Witzel. A defesa do pastor e de Witzel dizem que não há provas da existência de um grupo criminoso.
'Caixinha' na saúde
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O empresário Edson Torres, apontado como operador de Pastor Everaldo, afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que a "caixinha de propinas" instituída dentro da Secretária de Saúde do governo Wilson Witzel (PSC) arrecadou R$ 50 milhões entre janeiro de 2019 a junho de 2020.
As revelações basearam a nova denúncia apresentada pela subprocuradora Lindôra Araújo na última segunda-feira, contra Witzel e o presidente do PSC, Pastor Everaldo - desta vez, por associação criminosa. Ambos fariam parte do "núcleo político" do grupo, responsável por lotear e direcionar verbas públicas em troca de propinas.

O esquema, segundo a Procuradoria, repete o que havia sido feito nas gestões anteriores de Sérgio Cabral (MDB) e Luiz Fernando Pezão (MDB), presos da Lava Jato. Witzel seria "o novo rosto" do grupo e teria contado com apoio de Pastor Everaldo, um "veterano da corrupção", segundo a PGR, antes mesmo da eleição.
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A "caixinha de propinas" instituída por Everaldo, segundo confissão de Edson Torres, foi abastecida por repasses feitos por cinco organizações sociais: Solidário, Nova Esperança, Mahatma Gandhi, Gnosis e Idab. A Nova Esperança, inclusive, era administrada por Marcos Pereira, irmão de Pastor Everaldo.

Cada organização pagava ao grupo um porcentual que variava de 3% a 6% do valor dos contratos firmados com o governo Witzel. A propina iria para uma "caixinha", que era redistribuída ao governador (20%), Pastor Everaldo (20%), aos operadores Edson Torres (15%) e Victor Hugo (15%), e ao então secretário de Saúde, Edmar Santos (30%), hoje delator.