Imagens mostram Maria Jandimar Rodrigues sendo socorrida na saída de emergência da clínica, no Carioca ShoppingDivulgação
Publicado 23/12/2021 13:20
Rio - As câmeras de segurança do Carioca Offices, prédio anexo ao Carioca Shopping, na Zona Norte do Rio, mostram o médico Brad Alberto Castrillion saindo da clínica com Maria Jandimar Rodrigues, 39, convulsionando em uma cadeira de rodas. Ela tinha ido ao local para fazer uma hidrolipo, mas morreu logo em seguida, após iniciar as preliminares da segunda sessão do procedimento estético. 
Nas imagens, é possível ver a paciente chegando ao local por volta de 11h do dia 17 de dezembro. Pouco mais de duas horas depois, às 13h23, as imagens mostram Maria Jandimar sendo carregada em uma cadeira de rodas, amparada pelo médico e o instrumentador da clínica, Zander Mendonça. Uma paciente que aguardava atendimento na clínica também ajudou no socorro. 
Eles entram no elevador com Maria Jandimar coberta por um lençol. O médico segura a cabeça dela e neste momento é possível perceber que a paciente estava se tremendo. Ao chegarem na saída de emergência do Carioca Offices, Zander entrega ao médico uma injeção, que em seguida é aplicada na mulher. Em depoimento, o médico colombiano disse ter aplicado uma ampola de adrenalina para mantê-la viva até o hospital.
Também em depoimento, Brad contou que após perceber que a paciente estava sem pulso, fez a manobra de reanimação, como mostram as imagens, por pelo menos 30 minutos. De acordo com o delegado titular da 27ª DP (Vicente de Carvalho), Renato Carvalho, as imagens ajudam a esclarecer que não houve omissão de socorro. Mas em relação a uma possível negligência ou descuido de algum procedimento médico de rotina, só poderá ser analisado junto ao laudo complementar, que ainda não está disponível.
Veja o vídeo:
Após a divulgação das imagens, a família, que anteriormente havia alegado omissão no socorro, reconheceu que realmente houve uma tentativa de reanima-la. "A falta de informações por parte da clínica com a família fez com que a mesma tivesse a percepção da omissão de socorro. É notório nas imagens que Brad teve que prestar socorro a Jandimar, em lugar diverso, uma vez que não possuía o mínimo em sua clínica para prestar o socorro devido", disse a defesa da família de Jandimar.
A família quer entender também o motivo de Brad Alberto ter negado a sua própria identidade para Brenda Rodrigues, 21, filha da mulher. Na ocasião, o viúvo Vagner Vinicius disse que o médico falou para Brenda que não era médico, mas sim um funcionário do prédio.
A defesa do médico reforçou que o profissional "não se omitiu no socorro, muito menos tentou fugir do local. Pelo contrário, lutou por mais de meia hora contra a morte inesperada de sua paciente".
Procedimento realizado em condições adversas
A família de Maria Jandimar também pediu atenção para as imagens do primeiro procedimento realizado no dia 10 de dezembro. Essas imagens não foram cedidas pela Polícia Civil. Segundo a família, o vídeo mostra a paciente realizando o procedimento em uma cadeira que se assemelha a uma cadeira de dentista e não em uma maca que seria o apropriado. Ainda segundo a família, "é possível ver que o médico não teve o cuidado com a esterilização do local em que colocou a sua paciente, visto que a tal cadeira de dentista não possuía qualquer proteção estéril".
Família nega que paciente tivesse arritmia cardíaca
A família da paciente disse que em nenhum momento foi solicitado exames cardíacos, mas que, de acordo com um eletrocardiograma feito em 2019, a diarista era considerada uma pessoa saudável. Em depoimento, o médico afirmou que a paciente falou para ele, momentos antes de iniciar as convulsões, que tinha arritmia cardíaca.
"Muito embora Jandimar não esteja mais aqui para dizer o contrário a defesa na manhã de ontem (quarta-feira (22) apresentou exame de eletrocardiograma realizado pela vítima, o exame foi feito por Jandimar para inscrever-se na academia. Conforme reafirmado pelo depoimento da família que a todo tempo disse se tratar de pessoa saudável e fisicamente ativa", disse a defesa da família.
Investigações seguem em andamento
O delegado responsável segue ouvindo testemunhas para esclarecer o caso. Ao todo, dez pessoas já foram ouvidas na 27ª DP. Não há previsão de novos depoimentos para esta quinta-feira. O médico Brad Alberto entregou o passaporte na última quarta-feira à Polícia Civil pelo fato de ser colombiano e poder sair do Brasil a qualquer momento. Espera-se que o resultado final da investigação fique pronto nos próximos dias.
Técnicos da Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro estiveram na clínica na última quarta-feira (22) e constataram que o funcionamento estava ocorrendo de forma irregular, já que o estabelecimento não tinha licenciamento. O fato será anexado ao processo. 
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