Alunos colaram cartazes contra o caso de assédio na porta da direção da escolaFoto: Reprodução
Publicado 21/10/2022 12:16
Rio - Após uma denúncia de assédio envolvendo um professor, alunos do Colégio Estadual Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, se manifestaram, nesta sexta-feira (21), com camisas e cartazes contra o ocorrido. O docente, que teria forçado um jovem do 3º ano do ensino médio a beijá-lo na sala de aula, nesta quinta-feira (20), foi conduzido por policiais à 37ª DP (Ilha do Governador). Em conversa com as turmas, a diretora da escola teria alertado sobre a possibilidade de responsabilização criminal de pais e estudantes maiores de idade por suposta divulgação de informações falsas sobre o incidente. 
De acordo com os estudantes, um dos dos cartazes que teria sido colado na porta da direção e trazia a frase "Olhem para nossas provas e não para os nossos corpos" foi retirado rapidamente, e profissionais foram às salas recriminar os atos.
"Hoje houve um ato pacífico dos estudantes do Mendes. Eu sou aluna e colamos cartazes com frases contra o assédio. Mas a direção veio em turma falar 'que foi uma' disseminação de ódio e arrancaram todos. Estão tentando nos calar", denunciou um estudante.
Em mensagens trocadas em grupos de aplicativos, estudantes reclamavam de censura por parte da escola. Na página ligada ao colégio em uma rede social, os comentários em postagens foram bloqueados.
O DIA teve acesso a uma gravação da explicação da diretora à turma do aluno envolvido. No áudio, ela confirma que o professor foi afastado, e que os profissionais, assim como o estudante, prestaram depoimento à Polícia Civil. E ainda acrescenta que não houve prisão do homem.
Segundo ela, os alunos devem estar atentos aos que divulgam na internet, sob o risco de estarem "cometendo um crime".
"Nós entendemos a indignação de vocês nos protestos, e partilhamos do mesmo sentimento. Mas eu gostaria de pedir cuidado com os juízos de valores. A partir do momento que afirmo alguma coisa na internet, se eu não tenho provas, eu estou cometendo um crime de calúnia e difamação", disse.
Ela alertou sobre a possibilidade de alunos e pais serem responsabilizados por publicações nas redes sociais.
"Só para vocês terem cuidado para isso não se voltar contra vocês. Alguns (alunos) são maiores de idade e podem responder, e, no caso de menores (de idade), os pais responderão", falou. 
A mãe de uma aluna do primeiro ano do ensino médio demonstrou preocupação com o caso. "A escola se preocupa tanto com uniforme, com tipo de roupa, mas quando vemos, o assédio acontece pelo próprio professor. Nós, responsáveis, ficamos preocupados em deixar nossos filhos lá", disse.
Policiais foram chamados à escola
Nesta quinta-feira (20), policiais militares do 17° BPM (Ilha do Governador) foram acionados na escola, no bairro da Freguesia, e foram informados pela diretora da unidade que um aluno teria sido assediado por um professor. Os envolvidos e testemunhas foram conduzidos à distrital para prestarem esclarecimentos sobre o ocorrido. 
A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) informou que suspendeu preventivamente o homem, que não teve o nome divulgado, e instaurou uma sindicância.
Em nota, a assessoria da Polícia Civil divulgou que as investigações seguem em andamento pela distrital e estão sob sigilo.
 
 
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