A orla da Praia de Copacabana recebeu a 12ª Caminhada pela AdoçãoReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 21/05/2023 13:19 | Atualizado 21/05/2023 14:25
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Rio - A orla da Praia de Copacabana recebeu milhares de pessoas, neste domingo (21), na 12ª Caminhada pela Adoção, uma passeata pelos direitos da criança e do adolescente de terem uma família. Segundo dados do Sistema Nacional de Adoção (SNA), há 31.946 crianças e adolescentes acolhidos no Brasil e 4.314 disponíveis para adoção.
A caminhada acontece todo ano próximo ao dia 25 de maio, Dia Nacional da Adoção. O objetivo do evento é dar visibilidade às crianças que aguardam por uma família e pressionar o judiciário para agilizar o processo de adoção.
A ação também conta com o apoio da Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA), da OAB/RJ, do Movimento Nacional da Adoção (MNA), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Comissão de Feirantes da Feira de São Cristóvão.
Luiz Carlos Santos, presidente da Comissão de Feirantes, ressaltou a importância do apoio de instituições à este tipo de ato. "É uma alegria para Feira Nordestina de São Cristóvão abraçar esta causa. Para nós, adotar é um ato de amor", afirmou o presidente.
Aline Vieira, de 48 anos, é membro da CDCA e está habilitada para adotar seu filho. "Viemos nos manifestar para que os prazos no processo de adoção sejam cumpridos, pois falta equipe e isso acaba atrasando. O resultado é que o tempo vai passando e as crianças ficam nos abrigos com cerca de 30 mil pessoas habilitadas no país para a adoção. Essa demora no processo faz com que os jovens cresçam, passem do tempo permitido e percam a oportunidade de terem uma família", explicou a advogada.
A deputada estadual Tia Ju (Republicanos), presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Família, da Adoção e da Primeira Infância, acompanhou a caminhada e pediu mais agilidade no processo de adoção. "Estamos clamando para que os prazos sejam cumpridos pelo judiciário e, assim, o processo se torne mais rápido". A parlamentar ainda ressaltou que o processo de entrega legal não é crime: "Você que não se sente capaz de ser mãe, vá até uma vara e entregue a sua criança. Não é um crime", disse.
Sheila Novaes, de 45 anos, é mãe adotiva e participou da caminhada com a sua família. "Colorir a orla de Copacabana com as cores do afeto é um ato de amor. Evidenciar a adoção tardia e de crianças portadoras de necessidades especiais é um dos focos desta caminhada. Nós adotamos uma menina portadora de microcefalia e miocardiopatia. Somos prova de que o amor e o lar faz do diagnóstico apenas uma via de ação e não de destino", afirmou Sheila.
A atriz e cantora Aline Wirley e o marido Igor Rickli estão na fila para adotar uma criança e explicaram sobre a expectativa. "A sensação é de uma gestação, pois já estamos na fila, habilitados e estamos aguardando o momento dessa criança chegar. O processo de adoção é importante e feito com muita consciência e responsabilidade. Meu coração está muito feliz", disse a cantora. "Estamos há mais de um ano habilitados e espero que o processo de adoção seja mais ágil e que estas crianças tenham o direito de ter uma família", disse Igor.
A caminhada é um encontro dos grupos de apoio à adoção para mostrar à sociedade a importância deste ato. Quem deseja ser pai e mãe deve procurar primeiro a Vara da Infância e da Juventude mais próxima, onde serão analisados documentos no início do processo.
"Infelizmente, existe muito preconceito com relação à adoção. Tenho bons exemplos na minha família. A mãe da minha irmã morreu pouco depois do parto e a minha mãe a adotou de imediato. Algumas pessoas diziam que ela era a minha irmã adotiva, mas eu corrigia e falava que não havia diferença entre nós", finalizou Tia Ju, também mãe por adoção.
*Reportagem do estagiário Leonardo Marchetti, sob supervisão de Thiago Antunes 
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