Publicado 03/07/2023 18:04
Rio - Uma mulher de 37 anos denuncia ter sido vítima de importunação sexual por um motorista da Uber durante uma corrida de aplicativo na Tijuca, Zona Norte do Rio, no último dia (28). De acordo com a vítima, o homem se masturbou dentro do veículo enquanto dirigia e não realizou o percurso orientado pelo GPS. O importunador está suspenso da plataforma até o fim da investigação, que está em andamento na 25ª DP (Engenho Novo).
A vítima, que não terá o nome divulgado por segurança, disse ao DIA que sentou atrás do banco do motorista da Uber e se manteve de cabeça baixa por alguns minutos resolvendo problemas pessoais no celular, levantando o olhar em determinados momentos para verificar se o caminho estava correto. Faltando cerca de 750 metros para o destino final, a passageira ouviu barulhos contínuos do banco do motorista.
"Quando eu levantei a cabeça, o motorista mexia o braço direito e esfregava no banco. No início eu pensei duas vezes antes de confirmar se era realmente aquilo que estava acontecendo. Segundos depois eu levantei a cabeça e, quando olhei para o retrovisor, ele estava me olhando e fazendo os movimentos. Foi aí que constatei que ele estava se masturbando", diz.
Bastante nervosa, a vítima lembrou que em um primeiro momento ficou sem reação. A situação piorou quando o importunador não entrou na rua que deveria para chegar ao destino final. “Durante os poucos metros que faltavam para chegar ao meu destino, ele seguiu com a mão direita para baixo, sem encostar no volante, e eu pronta para abrir a porta e correr assim que ele parasse o carro. Acontece que ele não parou.
Ali eu tive certeza que ele iria me levar para algum lugar. Gritei "para o carro que eu vou descer!”. Gritei tão alto que as pessoas que estavam no ponto de ônibus se assustaram", diz. Após o grito, o motorista parou o veículo bruscamente e ela abriu a porta do carro correndo para o meio da rua.
A passageira retornou para casa e, após conversar com o marido, decidiu que o melhor seria registrar o ocorrido na plataforma da Uber, além de abrir boletim de ocorrência. "A gente nunca acha que vai acontecer com a gente ou com alguém próximo, até o momento que acontece", lamentou a passageira que é usuária assídua do aplicativo.
Motorista foi identificado e temporariamente banido
Nesta segunda-feira (3), a passageira finalizou o registro de ocorrência na 25ª DP (Engenho Novo) e fez o reconhecimento fotográfico do importunador junto aos investigadores. "Espero que ele sofra a pena que cabe perante a lei e que seja banido da plataforma. Não basta só bloquear", disse a vítima, que foi orientada pela Uber que o motorista não poderia mais aceitar corridas solicitadas por ela.
"As políticas têm que ser mais rígidas, não adianta ser banido da Uber e continuar tendo um perfil ativo nos outros aplicativos de corrida. É preciso que essas empresas se comuniquem", ressalta a vítima. O motorista estava cadastrado na plataforma há três meses e acumulava pouco mais de 600 corridas.
A Uber informou que o motorista teve sua conta temporariamente desativada da plataforma assim que a empresa tomou conhecimento do episódio, enquanto aguarda pelas apurações. A empresa também se colocou à disposição da Polícia Civil para colaborar com as investigações.
Botão de emergência na Uber
Há um ano começou a funcionar o botão de emergência da Polícia Militar do Rio dentro do aplicativo Uber. A iniciativa visa aumentar a segurança para motoristas e passageiros em todo o estado. O projeto prevê que toda vez que um usuário ou motorista parceiro da Uber se sinta em perigo e use o botão, um alerta com a localização em tempo real do carro e os detalhes da viagem serão enviados para o Centro de Controle Operacional da Polícia Militar (Cecopom).
Para acionar o botão de emergência, basta o usuário procurar dentro do aplicativo da Uber a aba "Recursos de Segurança", clicar em "Emergência 190" e, na sequência, deslizar o dedo no campo indicado para mandar o alerta. A ideia é que a funcionalidade seja replicada para outros serviços de carros por aplicativo.
Leia a nota da Uber na íntegra:
"A Uber considera inaceitável qualquer tipo de comportamento abusivo contra mulheres e acredita na importância de combater e denunciar casos de assédio e violência. O motorista teve sua conta temporariamente desativada da plataforma assim que a empresa tomou conhecimento do episódio, enquanto aguarda pelas apurações. A Uber se coloca à disposição para colaborar com as autoridades no curso das investigações.
A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Por isso, desde 2018 a empresa mantém o compromisso de participar ativamente do enfrentamento da violência contra a mulher e segue investindo constantemente em conteúdos educativos contra o assédio para motoristas.
Em conjunto com o Instituto Promundo, foi lançado o Podcast de Respeito e mais recentemente a Uber lançou uma campanha educativa de combate ao assédio em parceria com o MeToo Brasil. Além disso, também em parceria com o MeToo, a plataforma possui um canal de suporte psicológico para apoiar vítimas de violência de gênero, que já foi disponibilizado para a usuária.
Segurança é uma prioridade para a Uber e inúmeras ferramentas atuam antes, durante e depois das viagens para torná-las mais tranquilas, como, por exemplo, o compartilhamento de localização, gravação de áudio, detecção de linguagem imprópria no chat, botão de ligar para a polícia, entre outros."
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