Lucas Oliveira Azevedo, de 21 anos, morreu em um acidente na Avenida Dom Hélder Câmara, na Zona Norte do RioPedro Ivo/Agência O Dia
Publicado 13/07/2023 17:53
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Rio - O jovem Caio Mendes da Silva, de 21 anos, um dos ocupantes do carro envolvido no acidente que matou o jogador de futsal Lucas Oliveira Azevedo, de 21 anos, disse ser "impossível" que Leonardo Ribeiro do Couto, de 25 anos, condutor do veículo, tenha sido sequestrado enquanto tentava chegar à UPA de Manguinhos. Ele também afirma que o motorista ingeriu bebida alcoólica na festa em que estavam.
Em depoimento na 25ª DP (Engenho Novo), na quarta-feira (12), obtido com exclusividade pela Band, Leonardo negou ter fugido e disse que foi sequestrado por traficantes após ser confundido com um integrante de uma facção rival. A UPA de Manguinhos fica a cerca de 450 metros da Avenida Dom Hélder Câmara, na altura do número 1184, onde aconteceu o acidente. O condutor também negou ter ingerido bebida alcoólica.
Ao DIA, Caio afirmou que Leonardo bebeu whisky com energético na festa em que os jovens estavam. Ainda segundo ele, seria "impossível" o rapaz ter sido sequestrado após a colisão, já que a mãe dele esteve na delegacia horas do acidente e não fez qualquer menção ao caso. O acidente aconteceu por volta das 5h45 da última segunda-feira (10).

"Impossível ele ter sido sequestrado, a gente bateu na rua, teoricamente longe da criminalidade. Além disso, a mãe dele foi na delegacia dizer que ele prestaria depoimento na quarta-feira. Como ela afirmaria isso com ele sequestrado? A história é totalmente mentirosa. Ele fugiu do local e a família o acobertou para sair do flagrante", diz Caio. Segundo ele, Leonardo estava alcoolizado quando assumiu o volante.

Uma outra testemunha, que preferiu não ser identificada, disse à reportagem que o grupo conhecia Leonardo e que, após o acidente, o jovem abandonou o local. "Ele alegou que foi atrás de socorro, porém não retornou em momento algum. Eu não me recordo dele saindo, pelo contrário, eu não o vi no local do acidente enquanto eu esperava o socorro", disse. Essa testemunha já prestou depoimento à Polícia Civil.

Lucas, Leonardo, Caio e outros dois jovens voltavam de uma festa em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio. O atleta morreu no local do acidente; Caio foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, encaminhado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, e recebeu alta no mesmo dia. Pedro Augusto Fernandes, 21, e Lucas André Paluma da Silva, 18, receberam socorro dos bombeiros e foram encaminhados ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Ambos também receberam alta.

Leonardo fugiu do local e se apresentou à Polícia Civil dois dias depois. Ele vai responder por homicídio culposo (sem intenção de matar), conforme a instituição. Segundo Caio, ele ainda não prestou depoimento na delegacia e, atualmente, se recupera de uma lesão no ouvido causada pelo impacto do acidente.
Futuro promissor no futsal

Lucas era jogador de futsal do clube Boa Esperança, em Portugal, e estava aproveitando as férias na cidade do Rio há menos de um mês. Antes de se mudar para a Europa, o jovem morava com a família em Piedade, na Zona Norte.

Segundo o irmão do atleta, Pedro Henrique Wigg, de 23 anos, Lucas era um rapaz cheio de sonhos e havia renovado recentemente com o clube português. "Estou sem chão, um rapaz novo, cheio de sonhos, chegou no fim do mês passado de férias. Estou sem chão, ele não merecia nada disso", disse o irmão.

Dois dias antes do acidente, Lucas publicou uma foto em um momento de lazer, na Região dos Lagos do Rio, com a frase "vivendo a vida". O corpo de Lucas foi enterrado na terça-feira (11), no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio. Centenas de amigos e familiares estiveram presentes no cortejo, em uma última homenagem ao rapaz.

A investigação está em andamento na 25ª DP (Engenho Novo). O motorista do veículo foi ouvido e outros depoimentos estão previstos. Os agentes aguardam os resultados dos laudos periciais e realizam outras diligências para esclarecer os fatos.
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