Ministra Anielle FrancoMarcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado 24/07/2023 17:01 | Atualizado 24/07/2023 17:04
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Rio - A ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco, comentou sobre as novas informações que surgiram com relação à execução da irmã, a vereadora Marielle Franco. Em entrevista ao canal de TV 'GloboNews', na tarde desta segunda-feira (24), ela analisou a importância dos desdobramentos das investigações e destacou o contexto político do assassinato da sua irmã.
"Não tem como tirar a política disso porque, assim, eu fui vítima disso. Quando mataram a Marielle, as pessoas cuspiam na minha cara. Eu fui mandado embora de escolas porque eu era irmã da Marielle. Eu era professora e trabalhava em cinco escolas diferentes onde as pessoas falavam: 'olha, sua imagem não pode mais estar aqui porque ela representa tal coisa'. Não só tiraram minha amiga e parceira da maneira que tiraram, mas isso também virou um marco político do nosso país. A Marielle é o ápice da violência política. Mas também temos a Erika Hilton, Erica Malunguinho... Ana Carolina, que desistiu de ser deputada federal por tanta violência que sofreu. Não temos como despolitizar", comentou.
Emocionada, Anielle lembrou que a irmã completaria 44 anos nesta quinta-feira e disse que está passando por um 'turbilhão de sentimentos' diante das novas revelações.
"Está numa semana importante, seria o aniversário da Mari, Semana da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha e receber essa notícia mexe... A gente percebe que não é nada. Ver esse crime arquitetado, essa demora... Mas, óbvio, hoje demos um passo importante, não tenho sentimentos de que está encerrado, mas também confio muito no trabalho que tem sido feito", ressaltou a ministra.
"Enquanto família, eu espero muito que a gente dê alguns passos, mas principalmente entender o 'por que a minha irmã?'. Sei que todo mundo paira na pergunta dos mandantes e sabemos que é importante. Mas por que a Mari? Por que ela? Quando a gente não sabe essa resposta, quer dizer que qualquer mulher negra que esteja no poder ou que coloque seu corpo corajosamente nesse lugar de luta também pode vir a ser uma vítima dessa violência que tanto nos assola. Espero muito que a gente possa ter um resultado sem ter que esperar mais cinco anos. Me dói muito hoje e é difícil falar como ministra somente", concluiu.
Operação Élpis
A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam, nesta segunda-feira, o ex-bombeiro Maxwell Corrêa, o "Suel", no âmbito das investigações sobre a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes e a tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves. O ex-militar já havia sido condenado por atrapalhar as investigações, mas cumpria pena em regime aberto.
Durante a Operação Élpis, os agentes também cumpriram seis mandados de busca e apreensão na cidade do Rio e na Região Metropolitana do estado. Na casa de Suel, foram apreendidas armas, supostamente legalizadas, celulares e outros bens.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou, durante coletiva de imprensa, que a ação se desdobrou de uma colaboração premiada realizada entre 15 e 20 dias atrás por Élcio de Queiroz, preso por ter conduzido o carro durante a execução da vereadora.
"A delação resultou na operação de hoje no Rio de Janeiro. E revelou a participação de um terceiro indivíduo, o sr. Maxwell. Também confirmou a participação dele próprio [Élcio] e do Ronnie Lessa. Foi a conclusão de uma fase da investigação com a conclusão de tudo que aconteceu na execução do crime", explicou Dino.
Os assassinatos de Marielle e Anderson completaram cinco anos em 2023 sem respostas sobre o mandante do crime. Os dois foram mortos no dia 14 de março de 2018. Em fevereiro desse ano, o ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que a PF abrisse um inquérito paralelo para auxiliar as autoridades fluminenses.
Cronologia do caso
14 de março de 2018: Marielle Franco e Anderson Gomes são assassinados.

15 de março de 2018: Giniton Lages assume a Delegacia de Homicídios do Rio e o caso.

21 de março de 2018: O MPRJ escolhe um grupo de promotores para a apuração do crime.

01 de setembro de 2018: Entra no caso o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). Acontece a primeira troca de promotores do MPRJ.

25 de setembro de 2018: Orlando Curicica, encarcerado no Presídio Federal de Mossoró por crimes ligados à milícia, menciona o 'Escritório do Crime' para os investigadores. Uma testemunha cita o vereador Marcello Siciliano por suposto envolvimento na morte de Marielle. Siciliano foi preso, mas o envolvimento dele foi descartado depois.

11 de outubro de 2018: Investigações do MPRJ identificam biotipo do executor do crime e rastreiam novos locais por onde circulou o carro usado no crime.

11 de março de 2019: A primeira fase de investigações é encerrada. Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz são denunciados por homicídio doloso.

12 de março de 2019: Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa são presos no Rio de Janeiro.

25 de março de 2019: Giniton Lages é substituído por Daniel Rosa na Delegacia de Homicídios do Rio.

23 de maio de 2019: Polícia Federal aponta que foram dados depoimentos falsos para dificultar a solução dos homicídios.

11 de setembro de 2019: A então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pede a federalização das investigações.

10 de março de 2020: Justiça do Rio determina que Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz sejam levados a júri popular.

27 de maio de 2020: Superior Tribunal de Justiça (STJ) nega a federalização das investigações.

17 de setembro de 2020: Delegado Daniel Rosa deixa o caso. Moisés Santana assume o lugar dele.

05 de julho de 2021: Terceira troca na Delegacia de Homicídios: sai Moisés Santana, entra Edson Henrique Damasceno.

02 de fevereiro de 2022: Quarta troca: Edson Henrique Damasceno é substituído por Alexandre Herdy.

30 de agosto de 2022: Supremo Tribunal Federal (STF) nega recursos das defesas de Ronnie Lessa e Élcio Vieira, e mantém decisão sobre júri popular.

22 de fevereiro de 2023: O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, anuncia abertura de inquérito da Polícia Federal para investigar assassinatos.

04 de março de 2023: MP do Rio define novos promotores do caso Marielle Franco.
 
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