Publicado 25/03/2024 15:12 | Atualizado 25/03/2024 15:36
Rio – A ex-deputada estadual Cidinha Campos era ameaçada constantemente pelo ex-colega na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) Domingos Brazão, preso neste domingo (24) acusado de envolvimento nos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes em 2018. Em entrevista ao portal 'Metrópoles', ela disse que começou a receber as ameaças após propor uma emenda para afastar deputados processados por casos de corrupção em mandatos anteriores.
"Ele era muito agressivo, fingia ser bom moço. Fui fazendo um histórico desse homem, que já deveria estar na cadeia há muito tempo. Ele é um bandido perigoso e nunca ninguém ligou para isso. Ele passava por mim e dizia: 'Eu vou te matar, sua filha da p...'. Era um prazer dele ameaçar pessoas. Eu chegava, contava, dizia, [mas] as pessoas têm dificuldade de acreditar. Acreditar dá trabalho", afirmou.
Segundo Cidinha, que teve cinco mandatos como deputada estadual, as pessoas sabiam que Brazão era perigoso, mas ninguém tomava uma medida contra o ex-deputado, que depois viria a se tornar conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ).
"Ele era muito apadrinhado na Alerj, muito protegido, ficou por isso mesmo. Tudo que eu falei dele ficou por isso mesmo, até que ele matou a Marielle. Todo mundo tinha medo do Brazão. Eu falava dele e todo mundo [me alertava]: 'Esse não, esse é matador'. Sabiam e ninguém fazia nada. A história era pública, todo mundo comentava que ele era matador, ninguém tinha coragem de fazer nada", disse.
Cidinha também lembrou quando carregava consigo uma arma para autodefesa, temendo pela própria vida: "Nesse período, eu tinha porte de arma e andava armada. Mas isso é um último recurso, que eu não indico a ninguém. A família dele é uma gangue. Eu andava [armada] porque pensei 'vou morrer atirando', mas não é isso que resolve. A política se resolve com política, e não com tiro".
Relembre polêmicas envolvendo Domingos Brazão
Os irmãos Brazão já se envolveram em uma série de polêmicas e denúncias durante as suas atividades políticas no Rio. Em 2004, Domingos foi mencionado por envolvimento na máfia dos combustíveis, que envolvia licenças ambientais da Feema para funcionamento de postos de gasolina no Rio. Em 2014, a radialista e à época também deputada Cidinha Campos processou Domingos por ameaça.
Na ocasião, Brazão teria dito à parlamentar: "Já matei vagabundo, mas vagabunda ainda não". O assassinato citado por Brazão realmente aconteceu, quando o conselheiro do TCE tinha 22 anos, mas o político afirmou ter sido absolvido por que o caso foi entendido como legitima defesa.
Na ocasião, Brazão teria dito à parlamentar: "Já matei vagabundo, mas vagabunda ainda não". O assassinato citado por Brazão realmente aconteceu, quando o conselheiro do TCE tinha 22 anos, mas o político afirmou ter sido absolvido por que o caso foi entendido como legitima defesa.
Em relação ao assassinato de Marielle, a principal linha de investigação está relacionada a uma disputa por terrenos na Zona Oeste. Em depoimento, Ronnie Lessa, autor dos disparos que mataram a ex-vereadora, teria informado que Marielle virou alvo depois de defender a ocupação de terrenos por pessoas de baixa renda e que o processo fosse acompanhado por órgãos como o Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio e o Núcleo de Terra e Habitação, da Defensoria Pública do Rio. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa foram acusados de serem os mandantes.
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