Publicado 15/04/2025 08:44 | Atualizado 15/04/2025 18:14
Rio - Policiais civis da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) realizaram, nesta terça-feira (15), em diferentes estados, uma operação contra uma quadrilha que pratica crimes de ódio contra crianças e adolescentes pela internet. Entre os delitos apurados estão tentativa de homicídio, induzimento e instigação ao suicídio, armazenamento e divulgação de pornografia infantil, maus-tratos a animais, apologia ao nazismo, entre outros. Dois homens foram presos e sete adolescentes apreendidos.
PublicidadeAs investigações começaram no dia 18 de fevereiro, quando um homem em situação de rua teve 70% do corpo queimado por um adolescente, de 17 anos, que atirou dois coquetéis molotov em sua direção. O crime, ocorrido no Pechincha, na Zona Oeste, foi gravado por um militar, que transmitiu toda a situação em tempo real em uma plataforma online. Ambos já foram detidos.
A partir do crime, os policiais descobriram que o caso não se tratava de uma fato isolado. De acordo com o apurado, os administradores do servidor utilizado compunham uma verdadeira organização criminosa altamente especializada em diversos crimes cibernéticos tendo como principais alvos, crianças e adolescentes.
Segundo a Polícia Civil, a atuação criminosa se espalhava por diferentes plataformas digitais, utilizando mecanismos de manipulação psicológica e aliciamento de vítimas em idade escolar, em um cenário de extremo risco a integridades física e mental.
"Não são só desafios. Eles conseguem fotos íntimas de alguma adolescente ou de criança e, a partir dali, fazem chantagens para que ela cometa maus-tratos contra algum animal ou qualquer ato que possa lhe prejudicar. Esses indivíduos divulgam armazenamento pornográfico de conteúdo infantil e de apologia ao nazismo, além de crimes de ódio em geral como racismo e incitação ao suicídio", explicou o delegado Cristiano Maia, titular da Dcav, em entrevista coletiva na Cidade da Polícia.
Com o apoio de policiais civis de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, onde ocorreram as diligências, e do CyberLab da Secretaria Nacional de Segurança, a Operação Adolescência Segura terminou com todas as medidas cautelares cumpridas: 20 mandados de busca e apreensão, sete de internação provisória de adolescentes infratores e dois de prisão temporária, que tinham como alvos lideranças da organização criminosa.
"Eles buscam o anonimato com nicknames. Se julgam invisíveis, acham que vão agir impunemente as estamos provando que não, por meio de ferramentas altamente modernas”, acrescentou o delegado Maia.
A corporação informou que a atuação do grupo é tão significativa no cenário virtual que recebeu atenção de duas agências independentes dos Estados Unidos, que emitiram relatórios, contribuindo com o trabalho dos policiais. "Nos últimos dois anos, cerca de 50 crianças e adolescentes morreram por causa dessas plataformas. São crimes de ódio", reiterou o delegado Felipe Curi, secretário de Polícia Civil.
Já o delegado Carlos Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional, destacou que um dos grandes perigos da prática é que os criminosos podem acessar uma residência sem chamar tanta atenção por não ser fisicamente: "Não arrombam porta, não pulam muro, mas entram 'na mente das crianças', como costumam dizer. É uma modalidade relativamente nova, com grande potencial para fazer estragos nos lares”, afirmou.
As investigações seguem para identificar os demais integrantes da organização criminosa.
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