Motorista de van foi ouvido na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav)Arquivo / Agência O Dia
Publicado 12/05/2025 19:25 | Atualizado 12/05/2025 19:31
Rio - A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) ouviu na tarde desta segunda-feira (12) o motorista de transporte escolar investigado por assédio sexual contra crianças entre 8 e 11 anos. São pelo menos nove acusações contra o acusado, que fazia a rota de cinco escolas no Méier e Tijuca, na Zona Norte.
Publicidade
O motorista nega ter cometido os crimes relatados pelos alunos e afirma trabalhar há dez anos com a van, sem nunca ter enfrentado problemas desse tipo. Os relatos das crianças, porém, são bem semelhantes. Segundo as denúncias, o motorista os obrigava a assistir a vídeos pornográficos e incentivava a troca de beijos e carícias durante o trajeto.
Em um áudio enviado a responsáveis de alunos que não participaram das denúncias, o investigado pede que eles prestem depoimento a seu favor na delegacia especializada. Em determinado momento da gravação, ele afirma que trabalhava com o apoio de três monitores. "Quero a presença dos meus amigos, dos pais e de todos aqueles que acreditam em mim. Todos que viram como eu trabalhava, carro com três monitores legalizados. Eu quis fazer um trabalho diferenciado", diz o homem no áudio.

No entanto, no último dia 5, uma monitora que trabalhava com o motorista há dois meses declarou, em depoimento à DCAV, que foi contratada para atuar com outra profissional, em dois turnos. Porém, ao ser questionada pelo delegado, ela admitiu que, na prática, trabalhava sozinha com o motorista.

Ainda segundo a funcionária, ela precisava se ausentar duas vezes por semana para realizar tratamentos de saúde e, nesses dias, o motorista buscava as crianças sozinho. "No áudio, ele disse que tinha três auxiliares, mas os depoimentos mostram que havia apenas uma monitora em regime parcial", afirmou o advogado que representa algumas das famílias denunciantes.
Relembre o caso 
De acordo com os depoimentos das crianças, o motorista teria cometido os atos dentro da van escolar. Em depoimento, uma menina de 10 anos disse aos investigadores que o motorista a questionou sobre beijar na boca e, diante da negativa, teria dito: "Você não sabe o que está perdendo. Na curva você senta no colo do seu amiguinho". Outra criança relatou ter sido convidada para ir à casa dele beber água gelada, mas recusou. Além disso, as meninas afirmam que eram forçadas a assistir vídeos pornográficos no celular do motorista.

A mãe de uma das alunas afirmou ao DIA que soube dos abusos no dia 1º de maio por meio da mãe de uma colega. "A mãe dessa criança me ligou. A menina contou que a minha filha havia dito que o tio a obrigou a assistir vídeos pornográficos no celular dela. Minha filha começou a chorar quando eu fui conversar com ela. Ela dizia que tinha medo de eu brigar, dizia que beijou na boca da amiguinha porque o 'tio' mandou e que, se alguém soubesse, iam brigar com ela", desabafou a mãe.
Leia mais