Publicado 14/05/2025 09:56
Rio - A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) realizou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Adolescência Segura, que mira crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes. Os alvos da ação são apontados como integrantes de uma rede responsável por diversos crimes cometidos pela internet, como tentativa de homicídio, induzimento e instigação ao suicídio, armazenamento e divulgação de pornografia infantil e apologia ao nazismo. A ação terminou com quatro jovens apreendidos.
PublicidadeAs apreensões se deram por meio do cumprimento de mandados de internação provisória contra adolescentes infratores em cinco estados diferentes: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A DCAV teve apoio das policiais civis desses estados e do Ciberlab da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), divisão da Secretaria Nacional de Segurança (Senasp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A ação acontece a partir da perícia realizada em materiais apreendidos na primeira fase, em 15 de abril. A investigação teve início em fevereiro deste ano, quando a especializada localizou os envolvidos no atentado contra um morador de rua, com coquetéis molotov, transmitido ao vivo pela internet. A partir deste caso, os agentes descobriram que o crime não era um fato isolado, e que o grupo se organizava virtualmente, em plataformas como Discord, e realizavam desafios e competições, sempre de crimes de ódio.
Segundo a DCAV, a organização usava mecanismos de manipulação psicológica e aliciamento de vítimas em idade escolar, em um cenário de extremo risco à integridade física e mental de crianças e adolescentes. Os envolvidos as coagiam a cometer automutilação ou atos violentos. Em alguns casos, havia invasões em dispositivos eletrônicos e roubo de dados e imagens, para ameaças contra elas. Os integrantes, mesmo usando plataformas criptografadas, encerraram e abriram servidores para tentar despistar a Polícia Civil.
"A Operação Adolescência Segura representa um marco significativo no combate à criminalidade digital no Brasil e reafirma o compromisso da Polícia Civil com a proteção dos direitos fundamentais da infância e da juventude, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)", diz o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
Por nota, o Discord informou que, por repudiar violência e atividades ilegais, adotou iniciativas como compartilhar informações com autoridades competentes, banir as contas envolvidas e derrubar o servidor. A plataforma ainda destacou que possui equipes especializadas atuando diretamente no combate a redes organizadas e investe em ferramentas avançadas de segurança e sistemas de moderação para proteger "mais de 200 milhões de usuários no mundo todo".
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.