Obras de artes apreendidas PF na casa do empresário investigado, nesta quarta-feira (21)Divulgação/PF
Publicado 21/05/2025 10:35
Rio - A Polícia Federal realiza, na manhã desta quarta-feira (21), a segunda fase da Operação Loris, para apurar a venda irregular de obras de artes apreendidas na primeira etapa da investigação. O alvo da ação é Eduardo Monteiro Wanderley, dono e CEO da empresa Petra Gold, suspeita de cometer crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Na primeira fase, em 2023, as obras apreendidas não foram retiradas da casa do empresário, que foi designado como depositário fiel. Ou seja, por determinação da Justiça, o suspeito deveria conservar os bens e não poderia repassá-los.

Já na ação desta quarta (21), os agentes voltaram a cumprir mandados de busca e apreensão na residência do empresário, em Botafogo, na Zona Sul, e encontraram outras obras de artes.
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Segundo as investigações, o grupo econômico chefiado pelo investigado teve grande projeção no cenário carioca ao emitir debêntures (títulos de crédito emitidos por empresas e negociados no mercado de capitais para financiamento de projetos, aumento de lucros e reestruturação de dívidas), ofertadas publicamente sem autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), captando assim centenas de milhões de reais. A organização criminosa também patrocinou eventos, museus, esportistas e adquiriu um teatro em área nobre do Rio de Janeiro, com o propósito de difundir o nome do grupo.

No ano de 2021, a CVM já havia determinado a suspensão do direito da empresa de atuar nesse tipo de investimento. Na ocasião, a comissão alegou que a Petra Gold estava realizando fraudes nas operações. "A Autarquia apurou indícios que a Petra Gold Serviços Financeiros S.A., assim como seu sócio, Eduardo Monteiro Wanderley, estariam realizando operação fraudulenta no mercado de capitais, por meio dessa oferta."

Nas redes sociais, uma página criada por clientes, em 2022, demonstra insatisfação e alerta para fraudes. "Empresa de investimentos que hoje não paga seus credores", diz a descrição.

Eduardo Monteiro poderá responder pelos crimes de lavagem de dinheiro e emissão ilegal de debêntures.

A reportagem tenta contato com a defesa dos envolvidos. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
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